”O tempo gasto por um passageiro comprando um bilhete, entrando na estação ou esperando por um táxi na chegada tem que ser consistente com o tempo ganho usando um sistema de alta velocidade que envolve tecnologia de ponta e importantes investimentos.”
A frase está na abertura do estudo “Ferrovia de Alta Velocidade – Caminho acelerado para a mobilidade sustentável”, publicado pela UIC durante o Congresso Mundial de Alta Velocidade, realizado em dezembro passado em Pequim, e coordenado pelo eng. Naoto Yanase, vice-diretor da representação do Japan Rail Group junto à UIC em Paris. Yanase será um dos palestrantes do I Curso TAV – Formação em Alta Velocidade, que a UIC vai realizar em São Paulo de 1 a 3 de março, com organização da Revista Ferroviária e apoio da AD-Trem.
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Ferrovias de alta velocidade, diz o trabalho, são sistemas muito complexos compostos pelos seguintes elementos, todos no estado da arte:
•Infraestrutura (compreendendo engenharia civil, via e catenária);
•Estações (localização, arquitetura funcional, equipamento);
•Material rodante (tecnologia, comforto, desenho);
•Operação (concepção e planejamento, controle, normas):
•Sistemas de sinalização;
•Política e sistemas de manutenção;
•Financiamento;
•Ações de marketing;
•Gestão;
•Questões legais.
É essencial que todos e cada um desses componentes seja levado em conta, de modo a ganhar nem que seja um minuto e continuar competitivo. Nada deve ser desprezado, e é absolutamente vital considerar todos esses aspectos simultaneamente de maneira que cada um se relacione adequadamente com os demais.
No que diz respeito à sustentabilidade, o estudo mostra o que já se sabe, mas que fica cada vez mais relevante diante do drama em que está se transformando o aquecimento global e as mudanças climáticas: o trem de alta velocidade emite 4 kgs de CO2 por 100 passageiros/km, em comparação com 14 kgs pelo automóvel e 17 kgs pelo avião. Em uso do solo, uma linha dupla de alta velocidade usa em média 3,2 hectares por km, enquanto uma via expressa de quatro pistas usa 9,3 hectares por km.
Naoto Yanase falará no primeiro dia sobre “Infraestrutura para a alta velocidade: aspectos técnicos, parâmetros, projeto, construção, homologação e manutenção”. Antes de representar as ferrovias japonesas na UIC, ele foi vice-diretor para Alta Velocidade do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do JR East Group e professor de Engenharia Industrial na Universidade de Michigan. Yanase tem Mestrado em Engenharia Mecânica e de Produção pela Universidade de Tóquio.
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