*Paulo Fernando Fleury é professor titular da UFRJ e diretor-geral do instituto ILOS.
A ausência de propostas para construção do Trem de Alta Velocidade (TAV) trouxe um grande alívio. O simples adiamento de uma despesa estimada em R$ 60 bi, com baixo impacto social e elevado risco de engenharia, já é motivo suficiente. Vários foram os motivos para que nenhuma proposta fosse apresentada, mas, sem dúvida, o mais importante foi a inexistência de um projeto executivo de engenharia.
Para um empreendimento desse porte, a elaboração de um projeto executivo de engenharia é mandatória para que se possa estimar, com o mínimo de precisão, o custo do empreendimento. Sem isso, o risco do projeto se torna insustentável, mesmo para empresas gigantescas como as maiores empreiteiras brasileiras. Sem confiança nos números apresentados pelo governo, e pressionados por informações desencontradas sobre os riscos do empreendimento, os agentes privados tomaram a decisão mais racional, ou seja, desistir da licitação.
Várias foram as informações negativas sobre o projeto. Uma das mais impactantes foi a entrevista do professor Zhao Jian, da Universidade de Transportes da China, publicada pelo Estado em 4/7/2011. Entre as várias observações, chama atenção a frase: “Não importa quem o construa, o trem rápido será deficitário”.
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A decisão do governo brasileiro de insistir no projeto do TAV não vai resolver os problemas. Organizar a licitação em duas etapas e abrir o mercado a empresas internacionais vai, muito provavelmente, aumentar o número de potenciais interessados, o que, por si só, não garante que o projeto se tornará viável.
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