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Artigo: Dinheiro nunca foi problema

*Por Sérgio Ejzenberg


“Obra de glamour era ponte e viaduto”.  A principal explicação para os planos do Metrô de quase duplicar a atual malha, de 70,6 km, para 134,7 km em 2015 é o amadurecimento da população paulistana. Se houvesse essa vontade anteriormente, seria perfeitamente possível que a cidade já contasse com a rede desse tamanho. Mas não havia um grande anseio pela obra pública de transporte de massa, considerada “obra de pobre”. Obra de glamour era fazer uma grande ponte, um grande viaduto, uma duplicação, algo que resolvia o problema por alguns meses, mas, sistematicamente, só atrapalhava.


Hoje, a população amadureceu e chegou à conclusão de que quer trabalhar de maneira mais rápida. E a maneira mais rápida é o metrô. Todo mundo dizia há alguns anos que paulistano não usava metrô – balela, só não usava porque não tinha. A Linha 4-Amarela está deixando isso muito claro. Dinheiro nunca foi problema, mas ele sempre havia sido aplicado errado. O bordão que sempre repito é que “quem planta asfalto, colhe congestionamento”, e estamos plantando asfalto há 35 anos.


Como os governantes estão sempre atrás da aprovação popular, essa mudança de mentalidade acarreta uma mudança nas políticas públicas. É preciso elogiar esse planejamento e vontade política do governador, mas também devemos deixar claro que a situação podia ser ainda melhor. Barcelona, quando foi preparar-se para a Olimpíada, fez 81,3 km de metrô em 5 anos, com um preço bem mais barato do que fazemos aqui em São Paulo. Enquanto isso, o governo estadual ainda vai gastar R$ 24 bilhões com Rodoanel, a Prefeitura quase R$ 4 bilhões com o túnel da Roberto Marinho e o governo federal mais de R$ 30 bilhões com o trem-bala. Já que está sobrando, podiam colocar esse dinheiro no metrô. A população agradeceria.

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*Sérgio Ejzenberg é especialista em transporte

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