Gente fantasiada, música e muita alegria. Esse é o clima do carnaval de rua do Rio de Janeiro que cresce a cada ano. Mas quem pensa que tudo são flores na vida do folião, se engana. Além da recorrente reclamação do número insuficiente de banheiros químicos, este ano a superlotação dos transportes públicos também irritou quem tentava se deslocar pela cidade.
Com as interdições em razão do esquema especial de trânsito para o carnaval, os ônibus demoravam mais para percorrer os trajetos previstos e, consequentemente, circulavam lotados.
Mas os usuários do metrô foram os que precisaram de mais paciência: filas intermináveis e estações da Linha Um superlotadas, principalmente as do Centro e Zona Sul, onde se concentra o maior número de blocos.
Em razão da superlotação, algumas estações precisaram ser fechadas temporariamente. Foi o caso da General Osório, em Ipanema, na Zona Sul, que no domingo (10) ficou completamente lotada após passagem do Simpatia é Quase Amor, que arrastou 120 mil pessoas pela orla do bairro, segundo dados oficiais da Riotur.
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Filas imensas
Com o celular, o estudante Lukas Rodrigues, de 23 anos, registrou a estação lotada e presenciou o tumulto na Praça General Osório provocado por foliões que não conseguiam embarcar.
“Tinha muita gente e o metrô não deu vazão. As pessoas começaram a reclamar e houve um tumulto. Além disso, os funcionários [do metrô] fizeram um esquema separando, com grades, duas filas: uma para quem tinha cartão e outra para quem queria comprar bilhete. Isso também não deu certo”, avaliou o estudante.
Na terça-feira (12), feriado de carnaval, a situação na estação General Osório não foi diferente. Quem tentava embarcar após o desfile da Banda de Ipanema teve de enfrentar filas gigantescas, que atravessavam a praça e chegavam na Rua Teixeira de Melo.
Acompanhado da mulher Flávia, Jorge Gomes era um dos passageiros que aguardavam para entrar na estação. “Apesar do bloco estar mais vazio, a fila está pior que nos outros dias. E o ar-condicionado dentro dos vagões também não dá vazão. Todo carnaval é a mesma coisa”, reclamou o folião.
A reportagem do G1 esteve no local e verificou que os funcionários liberavam aos poucos a entrada na estação. Pelo alto-falante, os passageiros eram avisados que as bilheterias estavam fechadas.
Em nota, o Metrô Rio negou que houvesse fechamento de estações durante os dias de carnaval e informou que procedimento padrão da concessionária é controlar o fluxo de passageiros nos acessos às estações para que as plataformas não fiquem acima de sua capacidade. A nota diz ainda que esse procedimento se aplica em todas as estações onde passam blocos com grande concentração de foliões.
‘Carnaval é o maior desafio’, diz secretário
Questionado pelo G1 sobre os transtornos, o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, justificou que esse foi o “maior carnaval de rua do Rio” e admitiu que melhorar a mobilidade na cidade durante o carnaval ainda é um desafio para a Prefeitura do Rio.
“O carnaval de rua é, sem dúvida, o maior desafio de mobilidade que a cidade enfrenta. São quase 500 blocos de rua desfilando, interdições ao trânsito e existem inevitáveis transtornos. Fui informado pela Riotur que, esse ano, tivemos uma quantidade recorde de foliões no Rio de Janeiro: 6 milhões ao longo de todo carnaval. E é um gigantesco desafio de logística movimentar tantas pessoas”, afirmou Osório.
Carlos Roberto Osório disse que pretende se reunir com representantes do metrô e da Secretaria estadual de Transportes para analisar melhorias para o carnaval de 2014.
“O funcionamento do metrô 24 horas foi positivo, foi um transporte bastante utilizado que tem a vantagem de ser subterrâneo. Após o carnaval, vamos avaliar o sistema e buscar melhorias para o próximo ano. Mas, apesar dos transtornos, a cidade girou, as pessoas circularam ainda que com dificuldade”, disse o secretário, acrescentando que a Jornada Mundial da Juventude, em julho, será mais um grande desafio de mobilidade para o Rio.
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