Depois de investir cerca de R$ 840 milhões em 2012, ALL (América Latina Logística) se prepara para começar a colher novos frutos. Isso porque a companhia concluiu em 2012 os aportes que vinha fazendo desde 2009 na expansão ferroviária de Alto Araguaia (MT) até Rondonópolis (MT), que totalizaram R$ 700 milhões. “Aguardamos as licenças para começar a operar no segundo trimestre”, explica Rodrigo Campos, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia.
Os investimentos feitos no projeto de expansão ampliarão em 15% o trecho percorrido e também o volume transportado. Por conta dos custos do projeto e do aporte no crescimento orgânico, a dívida da companhia cresceu 11,7% no ano passado, saindo de R$ 3,73 bilhões em 2011 para R$ 3,94 bilhões.
Mas ao que tudo indica esse volume será equilibrado a partir de agora, com a entrada em operação do novo trecho. “Teremos uma reversão do cenário, os investimento no projeto diminuem, enquanto teremos mais uma geração de fluxo de caixa”, diz Campos.
Ele explica que para este ano, outros R$ 700 milhões serão investidos na companhia, mas o foco será o crescimento orgânico. “Investiremos em melhorias, compra de material rodante também, mas o nosso foco será em ganho de produtividade”, explica Campos.
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Mesmo com a quebra na safra de grãos em algumas regiões, a ALL teve um 2012 de crescimento nas operações, refletido nos resultados financeiros do grupo. Houve aumento de 12,1% no volume de commodities agrícolas transportadas, especialmente milho e açúcar, que compensaram a retração do volume industrial. A receita líquida consolidada cresceu 11,4% em relação a 2011, passando de R$ 3,20 bilhões para R$ 3,57 bilhões.
Esse aumento da receita foi impulsionado principalmente pelo crescimento na ALL Operações Ferroviárias, na Brado Logística e na Ritmo. Já o EBITDA ajustado consolidado cresceu 6,8%, chegando a R$ 1,68 bilhão no ano, ante R$ 1,58 bilhão em 2011. A companhia também registrou aumento de seu market share e ampliação na demanda. “Há alguns anos, nossas operações agrícolas respondiam por 20% dos negócios e hoje já são 50%”, diz Campos.
No quarto trimestre do ano, a ALL registrou aumento da receita líquida em 13,4%, chegando a R$ 844 milhões, ante R$ 742 milhões do mesmo período do ano anterior. Apesar disso, o resultado líquido no último trimestre do ano foi negativo, ficando em R$ 20,5 milhões, ante R$ 32,5 milhões no último trimestre de 2011. Em relatório, analistas da Ativa Corretora deram recomendação negativa às ações da companhia, justificando que “o lucro ficou abaixo das estimativas”.
Argentina
As operações da ALL na Argentina seguem ruins. O lucro líquido, que em 2011 ficou negativo em R$ 15 milhões, chegou a R$ 51,9 milhões negativos em 2012. “Não é segredo que queremos sair da Argentina. Estamos em busca de interessados em assumir as operações”, explica Campos. Segundo ele, há alguns interessados na operação.
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