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Única linha férrea é opção para trânsito de Salvador

Belas paisagens da orla do subúrbio de Salvador e da Península Itapagipana podem ser apreciadas em um trajeto de 13,5 km feito de trem em cerca de 30 minutos. O barulho dos trilhos e da buzina dão um tom de interior. Esse percurso é feito de trem quase todos os dias por milhares de moradores da região, pela única linha férrea de Salvador.


Para esta reportagem, o G1 fez o caminho completo – uma vez com o trem comum e outra com o trem expresso, que vai até a metade do trecho. Passageiros, maquinistas e representantes da Companhia de Transporte de Salvador (CTS), que administra o sistema, foram ouvidos. A companhia passou para a gerência do estado em maio deste ano. Mesmo com a visita feita fora dos chamados “horários de pico”, a reportagem encontrou problemas como a superlotação e a falta de trens e as condições da ferrovia. O transporte liga o bairro da Calçada, na Cidade Baixa, a Paripe. A passagem custa R$ 0,50 (inteira) e R$ 0,25 (meia).


Há quem consiga, mesmo no aperto, apreciar a paisagem às margens da linha ferroviária. Atualmente, em horários de grande fluxo, três trens operam em revezamento. No total, quatro, cada um com três vagões, fazem parte do sistema. Um deles, que ainda está em fase de testes, foi reformado e tem ar condicionado em todos os compartimentos. Ao mesmo tempo que sai um da Estação da Calçada, outro deixa a estação de Paripe.


O trajeto

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No meio do caminho, na estação Almeida Brandão, no bairro de Plataforma, a linha chamada de “expresso” leva os passageiros para a Calçada. A saída é a cada 40 minutos. O trem passa por 10 estações localizadas em bairros do subúrbio: Santa Luzia, Lobato, Escada, Plataforma, Itacaranha, Praia Grande, Periperi e Coutos, além da Calçada e Paripe.


Estudantes e trabalhadores que moram perto das estações são a maioria entre os passageiros. Não há um ônibus circular que os leve para as estações, o que diminui a procura pelo transporte ferroviário, segundo a CTS. Algumas pessoas pegam ônibus comum, com passagem a R$ 2,80, até uma estação, e segue de trem para a Calçada.


Com a interdição da Baixa do Fiscal, um dos principais acessos ao subúrbio de Salvador, feita no dia 21 de agosto, a procura pelo transporte ferroviário aumentou, segundo informações de Al Melo, coordenador de operações da CTS.


Os usuários do transporte têm reclamado da demora na saída dos trens e da superlotação. Na última semana, um dos equipamentos quebrou e ficou mais de um dia sem operar, o que causou transtornos aos passageiros. No início de setembro, uma sobrecarga no sistema revoltou os usuários e houve um princípio de tumulto. Por decisão da CTS, a operação dos trens foi suspensa, mas foi regularizada no mesmo dia.


Os gêmeos Vinicius e Victor Lima, 15 anos, moram no bairro do Lobato e estudam em Roma, na Cidade Baixa. Na ida para a aula eles pegam ônibus e enfrentam  engarrafamento. O trecho, apesar de próximo, é feito em cerca de 40 minutos.


Na volta para casa, os irmãos optam pelo trem. Eles andam cerca de 10 minutos da escola até a estação da Calçada, onde pegam o trem e chegam em casa em cerca de sete minutos. “Pego [trem] às vezes, quando está engarrafado. Quando não está, eu vou de ônibus. É melhor [ir de trem] porque não tem engarrafamento, é mais rápido”, diz Vinícius.


De acordo com Al Melo, o ideal seria que o sistema operasse com pelo menos quatro trens em circulação, formando um carrossel, com saída das estações a cada 15 minutos . No momento, segundo ele, isso não é possível por conta das condições de conservação da ferrovia. Também por isso, o percurso não é feito com mais rapidez. Hoje, o maquinista trafega com velocidade máxima de 25 km/h, mas o permitido é de até 50 km/h.


Um trecho de 3 km está interditado por conta de um problema no muro de arrimo da ferrovia em um local conhecido como Mocotó, em Plataforma. Por conta disso, só um trem pode passar por vez. Melo afirma que uma empresa já foi licitada para fazer a recuperação da ferrovia, mas ainda não há previsão para o início das obras.


“O trem é o metrô do subúrbio. Hoje, devido à questão do tráfego na Suburbana [Avenida Afrânio Peixoto], o pessoal migrou para o trem e fomos obrigados a colocar um expresso que vai até a metade do trecho, 6 km. Até outubro, no máximo, outros dois trens que estão sendo reformados e terão ar condicionado vão começar a operar”, afirma Al Melo.


Cada trem tem capacidade para transportar, com conforto, cerca de 650 pessoas, mas chega a levar até 800, a depender do horário. O fluxo de passageiros por dia é de 16 mil, segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). De acordo com a CTS, com as dificuldades no trânsito na Suburbana, esse número aumentou nos últimos dias para 18 mil e chegou a 20 mil em agosto e setembro.


A bela paisagem de grande parte do trajeto chama muita atenção de quem passa pelo local, embora o trem não seja usado como rota turística. Quem utiliza o transporte já está acostumado com a vista, mas mesmo assim, não perde a oportunidade de admirar um pouco mais. É o caso da dona de casa Rosália Sena, 47 anos. Ela nasceu e mora no bairro de Plataforma.


“Sempre pego trem. Ultimamente pego mais, por causa dos engarrafamentos na Calçada. Pego quando vou para qualquer lugar. Desço na Calçada e pego um ônibus. É bem mais rápido e eu gosto. Hoje eu acho que está mais limpo e organizado, com mais segurança. Não tenho o que reclamar. A paisagem é maravilhosa, tomar essa brisa, esse cheiro da praia. É um passeio”, comenta Rosália, que pegou o expresso vazio e estava sentada por volta das 9h30, em um dia de semana. Para ela, financeiramente, o trem não tem comparação com o ônibus. “Acho mais barato e com mais comodidade”, diz.


O comerciante José dos Santos Sá, 65 anos, mora no Lobato há 40 anos e também está habituado a usar o trem como meio de transporte. “De vez em quando eu pego, quando vou fazer pouca coisa eu prefiro ir de trem por causa do engarrafamento, acho melhor do que pegar ônibus e é de  ‘graça’, R$ 0,50”, afirmou.


A estação também tem seus personagens. Na Calçada, o G1 encontrou o vendedor Marcos Oliveira, 26 anos. Ele trabalha no local com a mãe há 16 anos, vendendo balas, doces, salgadinhos, refrigerante, água, dentre outros produtos. Ele relata que pega o trem às 7h, na estação de Periperi. “Às vezes venho sentado, outras não. É uma alternativa boa. Meu transporte é mesmo só o trem, é econômico também. A paisagem é linda, nem parece que é no subúrbio. Acho a ponte e o túnel de Coutos vistas bem bonitas”, diz.


Em todo trecho, a ferrovia não está em boas condições. Segundo a CTS, é preciso que uma reforma seja feita até para otimizar o tempo em que o trajeto é feito. Além disso, não há trens novos há bastante tempo. Todos os que estão em operação são reformados. Na estação da Calçada, quando chove, a situação fica bem complicada, de acordo com os usuários. E se a chuva for muito forte, o trem para de operar, por segurança, por conta das más condições da ferrovia, informou Al Melo. A CTS relata que trabalha em um “projeto de reforma e melhorias do sistema, com equipamentos modernos”.


A ferrovia, além de mal conservada, traz lixo e matagal alto, o que dificulta que a paisagem da praia seja apreciada. De acordo com a CTS, o lixo muitas vezes é jogado por moradores que habitam localidades às margens da ferrovia. São centenas de casas. Em nota, a Sedur, secretaria à qual pertence a CTS, informou que a companhia tem um contrato de limpeza que atua no setor operacional, mas está analisando a possibilidade de licitar uma equipe exclusivamente para a limpeza permanente da via. De acordo com a secretaria, no momento, a demanda é maior do que o que a equipe que faz o serviço pode atender. “A CTS também está elaborando uma ação de conscientização da comunidade no sentido de evitar jogar lixo e materiais na área da linha férrea”, infor

Fonte: G1 BA

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