Se o governo seguir adiante com o plano de vender ações da carteira da BNDESPar para minimizar a necessidades de novos repasses de recursos do Tesouro Nacional para o BNDES, conforme noticiou ontem o Valor, poderá contar com pouco mais da metade do portfólio de ações da empresa de participações.
Do total de R$ 64,4 bilhões em investimentos societários detidos em junho deste ano pela BNDESPar, 47% estavam concentrados em ativos ilíquidos ou que provavelmente não serão vendidos no curto prazo.
Nessa conta entram, por exemplo, R$ 21,8 bilhões aplicados em ações preferenciais da Petrobras, que representam 10% do capital da empresa. Embora os papéis tenham liquidez e possam ser vendidos sem que a União perca o controle da petrolífera, recentemente o Conselho Monetário Nacional (CMN) impediu que o BNDES reconhecesse prejuízo com as ações da estatal no seu balanço com o argumento de que essas ações não seriam negociáveis, o que motivou uma ressalva no parecer de auditoria da KPMG, mas garantiu dividendos para a União.
Outros R$ 5 bilhões estão investidos na Vale por meio da controladora Valepar, que só poderiam ser transformados em caixa se fosse alterada a estrutura de controle da mineradora.
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Na carteira ilíquida entra ainda um investimento de R$ 2,4 bilhões nas elétricas AES Tietê e Eletropaulo, por meio da holding fechada Brasiliana, e também uma fatia de R$ 1,5 bilhão na distribuidora CEG, que apesar de ser investimento direto, não tem liquidez.
Entre os ativos relevantes que poderiam ser vendidos mais facilmente na bolsa estavam R$ 5,9 bilhões em ações da Vale detidas diretamente, R$ 4,1 bilhões em ações da fabricante de celulose Fibria, R$ 3,7 bilhões em papéis da empresa de alimentos JBS e R$ 1,65 bilhão em participação na CPFL Energia.
As fatias na Suzano Papel e Celulose, de R$ 1,6 bilhão, e na distribuidora Copel, de R$ 1,5 bilhão, completam a lista de investimentos líquidos na casa do bilhão, sendo que os dados foram calculados a partir da posição acionária e da cotação de junho.
Depois de ter superado a marca de R$ 100 bilhões em 2010, a carteira de ações da BNDESPar vem sofrendo especialmente por causa do mau desempenho de Petrobras e Eletrobras na bolsa.
Isso, contudo, não impede vendas pontuais. Dois movimentos relevantes deste ano foram a venda de R$ 2 bilhões em papéis preferenciais da Vale e a zeragem da participação em BRF, que em dezembro valia R$ 289 milhões.
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