Governo do Rio promete 5 novas estações de metrô até início dos Jogos

A cidade do Rio recebe investimentos de R$ 17 bilhões em projetos para ampliar o deficiente sistema de transporte até a Olimpíada, mas especialistas avaliam que a escolha da Barra da Tijuca como destino do parque olímpico e da maioria dos recursos reforça um modelo de cidade excludente, que não beneficia a maioria da população.

O maior investimento é no metrô, com uma linha de 16 quilômetros que vai ligar Ipanema, na zona sul, à Barra, na zona oeste, ao custo de R$ 10,5 bilhões. Para o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), teria sido muito mais importante e barato transformar os principais ramais dos trens suburbanos em metrô de superfície com estações de qualidade.

“O que leva a prefeitura a priorizar investimentos públicos em mobilidade urbana direcionados exclusivamente à Barra da Tijuca, que tem apenas 300 mil habitantes? Uma simples reformulação do sistema ferroviário, possibilitando a sua integração ao metrô, beneficiaria mais de quatro milhões de pessoas que vivem nos subúrbios cariocas e outras tantas que moram na Baixada Fluminense, deixando um legado muito mais proveitoso para a cidade e sua população”, avaliou o arquiteto e urbanista Luiz Fernando Janot, integrante do Conselho Superior do IAB.

Para Janot, “interesses imobiliários se sobressaem aos da maioria da população”. Ele defendia que os Jogos fossem realizados na região portuária.

Para a diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, Clarisse Linke, os projetos de mobilidade reforçam dois modelos de cidade que competem entre si. “Havia uma expectativa de que fosse priorizado o modelo de cidade densa e compacta, investindo na região central e na zona norte, mais populosa, mas optou-se por continuar a incentivar a expansão para a Barra da Tijuca e a Baixada de Jacarepaguá”. Segundo ela, a oportunidade trazida pela Olimpíada não foi plenamente aproveitada. “O que vai ser entregue é um começo, não será o fim de nada”. Para Clarisse e Janot, houve falta de diálogo com a população.
O governo estadual afirma que cinco estações de metrô ficarão prontas para a Olimpíada. A da Gávea, porém, foi retirada do cronograma e só deverá ser concluída em dezembro de 2016.

BRT – A prefeitura apostou na construção de 150 km de corredores exclusivos para ônibus expressos, um investimento de R$ 5,7 bilhões. Os quatro BRTs partem da zona oeste, sede dos Jogos. Aqueles que já ficaram prontos têm apresentado problemas como superlotação em horários de pico, acidentes e atropelamentos – pelo menos 22 pessoas morreram desde 2012. De acordo com a prefeitura, os BRTs transportarão 1,4 milhão de pessoas por dia.

O centro e a região portuária vão receber um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), obra de R$ 1,2 bilhão. Formado por empresas que já dominam os serviços de barcas, metrô, trens e ônibus na cidade, o consórcio vencedor vai explorar o sistema por 25 anos. A prefeitura diz que o equipamento, com 28 quilômetros de linhas, poderá transportar até 285 mil pessoas por dia.

O plano para a avenida Rio Branco, por onde passará o VLT, já mudou algumas vezes. Em 2010, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) anunciou que a via seria transformada em “parque urbano” e interditada para carros, motos e ônibus. Depois, recuou e disse que só o trecho final, perto da Cinelândia, seria fechado. Agora, o projeto prevê que ônibus circulem em duas faixas no sentido Praça Mauá-Aterro do Flamengo.

SEM LUXO – O presidente da Empresa Olímpica Municipal (entidade responsável pela gestão das principais construções da Olimpíada), Joaquim Monteiro de Carvalho, disse à reportagem que os projetos não se destacam pelo luxo ou beleza arquitetônica e sim por serem “enxutos” e funcionais. “São realistas com as necessidades do País. Ninguém está desenvolvendo arenas para ganhar prêmio de design”.

O gasto com as obras para a Olimpíada, segundo dados publicados em janeiro na Matriz de Responsabilidades, está estimado em R$ 37,7 bilhões – valor bem inferior aos R$ 121 bilhões que foram investidos pela Rússia para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, no ano passado. De acordo com Joaquim, uma das vantagens do Rio é que 55% das instalações esportivas já estavam prontas. Ele se refere ao Maracanã, sambódromo, Maracanãzinho, Riocentro e Engenhão.

O custo total da Olimpíada pode ser dividido em três partes: R$ 24,1 bilhões são destinados às obras de infraestrutura e bancados pelos cofres públicos; R$ 6,6 bilhões serão consumidos na construção e reforma dos locais de competição (R$ 4,24 bilhões da iniciativa privada e R$ 2,37 bilhões do setor público); e R$ 7 bilhões é a previsão de arrecadação do Comitê Rio-2016 junto à iniciativa privada para custear a operação.

Ele enfatiza que o que diferencia os Jogos do Rio dos de Londres (2012) é a diversidade das áreas de competição. Na capital inglesa, foi priorizada a revitalização de um bairro mais carente e periférico. “Não estamos privilegiando somente uma região agora. Isso é um ganho para toda a cidade”.

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