A presidente Dilma Rousseff reuniu-se com o presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira (8) para enfatizar as relações comerciais e a relevância dos Brics num momento de turbulência econômica nos dois países.
Dilma sugeriu a participação de empresas russas no recém lançado plano de investimentos do governo, enquanto Putin destacou um possível uso das moedas nacionais (real e rublo) em transações.
A conversa deles foi protocolar e discreta, longe da celebração e pompa política do encontro de Dilma na semana passada com Barack Obama nos Estados Unidos.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Não houve declaração conjunta, apesar de 1h40 de encontro.
A reunião ocorreu na cidade russa de Ufá pouco depois das 23h (15h, em Brasília) após jantar dos cinco chefes de Estado do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Os Brics encerram nesta quinta-feira (9) o segundo dia de seu sétimo encontro em meio a uma agenda tímida e de poucos avanços.
Não há muito o que celebrar. O cenário não é bom para ninguém: crise econômica na Rússia e no Brasil e, agora, uma turbulência na China.
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) previu em junho, por exemplo, que Brasil e Rússia devem ser os únicos de uma lista de 42 países, do chamado “clube dos ricos”, a ter queda do PIB em 2015.
Dilma tentou mostrar otimismo no encontro com Putin. “O Brasil tem agora uma oportunidade ímpar com seu plano de investimento em logística, com a entrada de empresas russas que são especialistas em portos e ferrovias”, afirmou.
Putin destacou a queda nas relações comerciais no primeiro trimestre entre os dois lados, mas disse apostar na retomada do crescimento ocorrida no ano passado, de 15%, segundo ele.
Dilma, por sua vez, ressaltou a necessidade de atingir a meta de US$ 10 bilhões nas trocas comerciais – no ano passado, esse valor foi de US$ 6,8 bilhões.
A mídia russa destaca que a “Russian Railways”, maior empresa de ferrovia do país, está interessada em projetos no Brasil por meio do NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), criado pelo Brics para funcionar a partir do ano que vem.
O discurso de implementação do NBD virou, até agora, a principal bandeira desta encontro do Brics em Ufá. O banco começará com um capital de US$ 50 bilhões, podendo chegar a US$ 100 bilhões.
Os líderes do Brics divulgam nesta quinta a declaração final do encontro. O documento formulado pelos negociadores tem 50 páginas e 75 parágrafos.
Uma menção à crise na Grécia continua de fora e deve continuar assim a não ser que a Rússia tente incluir uma manifestação favorável ao país, como queria o governo grego.
Não se espera muito aprofundamento nas questões políticas, como o conflito na Ucrânia, em que os russos são acusados de apoiar separatistas.
Os Brics farão um mero apelo contra qualquer solução militar para a região. De maneira genérica também serão tratadas as sanções do bloco europeu contra a Rússia e questões cibernéticas e de terrorismo.
Seja o primeiro a comentar