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Empresa libera trilhos em área incendiada no DF

A empresa responsável pelos trilhos de trem que passam em área da Marinha no Distrito Federal informou que o trecho foi liberado por volta das 20h desta quarta-feira (2), depois de passar manutenção. A região foi atingida por um incêndio de grandes proporções. As chamas consumiram parte dos dormentes de madeira, e focos de fumaça ficaram espalhados pelos trilhos.

De acordo com a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), uma equipe de cinco técnicos e dois supervisores da empresa foi enviada ao local depois que o Corpo de Bombeiros interditou temporariamente a área. Todos os dormentes de madeira danificados foram trocados, segundo a FCA.

Uma inspeção foi realizada no local para avaliar o nível da segurança operacional da via. A empresa afirmou que não há mais risco para a passagem dos veículos de carga. O único impacto no tráfego ferroviário foi de um trem que ficou aguardando por cerca de 40 minutos durante a manutenção, informou.

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Bombeiros atuaram no combate ao incêndio desde a tarde de segunda. A estimativa é que a área queimada chegue a 2,7 mil hectares, o equivalente a 2,7 mil campos de futebol. Nesta quarta, os focos estavam parcialmente controlados. Havia 300 bombeiros e 79 homens da Marinha atuando no local, além de dois aviões militares usados para jogar água nos principais focos.

De acordo com a empresa, passam em média quatro trens por dia na área transportando combustível, areia, coque de petróleo e grãos. Segundo representantes da ferrovia, os trilhos têm uma tolerância para operar sem os dormentes de madeira. A falta de muitos deles pode causa um descarrilamento, informou.

O subcomandante operacional do Corpo de Bombeiros, coronel Rogério Ribeiro Alvarenga, afirmou que a área pertencente à Marinha tem 6,2 mil hectares e é de difícil acesso. O local serve de treinamento e de moradia para servidores do órgão. Muitas pessoas no local reclamaram da quantidade de fumaça, mas elogiaram o trabalho dos militares.

Os bombeiros montaram um posto de comando no local para ter um controle maior de material e pessoal. Desde abril, a corporação estabeleceu uma operação denominada Verde Vivo onde são definidos equipes exclusivas para o tipo de atividade.

Nesta quarta, a temperatura pode variar entre 15º C e 32º C. Às 11h30, a umidade relativa do ar ficou em 20%, segundo o Instituto Nacional de Metereologia (IML) – a menor do ano. Na segunda, a temperatura variou entre 25º C e 29º C e a umidade ficou em 25%. Na terça, a temperatura atingiu 30º C no período da tarde.

O DF teve uma média de 49 incêndios por dia em agosto, segundo os bombeiros. Em junho, o governo decretou estado de emergência ambiental por causa da seca. A medida prevê que os órgãos participantes do Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais executem as medidas necessárias para minimizar as ocorrências e os efeitos das queimadas.

‘Muito fogo’

Morador da região há 25 anos, o agricultor familiar Amado de Oliveira, de 79 anos, contou ter passado por um sufoco nesta terça com a fumaça que atingiu a chácara dele. Desde ontem estou tossindo muito, mas tomei xarope e melhorou. Todo ano isso pega fogo, mas esse ano é muito fogo. Tô (sic) até com dor nas vistas.

Oliveira afirma que está preocupado que o incêndio chegue até as plantações de cana, feijão, milho e mandioca que cultiva. A área beirando a minha chácara ainda não queimou, mas estou com medo. Se tem uma faísca voando e cai aqui, pega fogo em tudo. É muito perigoso.

O lavrador Edmilson Pereira, de 38 anos, disse que é a primeira vez que vê tanto fogo na área. Moro aqui há 21 anos. Estava fumaça demais, fogo demais. Os bombeiros tiveram que vir até aqui perto para apagar o fogo. A gente sente aquele cheiro forte de fumaça, né. Mas estou tomando quatro litros de água só à noite para compensar.

Fonte:  G1-Distrito Federal

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