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Empresas e agricultores tiram aeroporto de Sorriso do papel

Cansados de aguardar por nove anos o poder público tentar
viabilizar a construção de um aeroporto em Sorriso, no médio-norte de Mato Grosso,
34 empresas, 12 famílias de produtores da região, três cooperativas agrícolas e
o sindicato rural local resolveram doar mais de R$ 2 milhões para tirar as
obras do papel. A lista de empresas inclui desde a Caramuru Alimentos, uma das
maiores processadoras de grãos de capital nacional, até uma churrascaria e um
posto de combustíveis.

Foi assim que, há três meses, o Aeroporto Regional de
Sorriso Adolino Bedin, localizado na BR-163, obteve autorização da Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac) e iniciou suas operações, com voos comerciais
da Azul e um grande movimento de jatos particulares. Por enquanto, o aeroporto
recebe dois voos comerciais diários – um de Sorriso para Cuiabá, pela manhã, e
um de volta à capital mato-grossense, no início da tarde -, mas a taxa média de
ocupação já alcança 80%, de acordo com a Azul. O avião é um turbo-hélice e tem
capacidade para 70 passageiros.

Os recursos arrecadados com as doações bancaram dois
equipamentos necessários para permitir voos noturnos e conferir mais segurança
para o pouso das aeronaves, além de estrutura de iluminação interna e externa,
pavimentação e vias de acesso ao aeroporto.

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Com o novo empreendimento, que é integralmente público e de
responsabilidade da prefeitura municipal, o médio-norte de Mato Grosso passou a
ter dois aeroportos. O outro está em Sinop, cidade a cerca de 80 quilômetros de
Sorriso, que recebe voos comerciais há cerca de dez anos. “Acreditamos que
a região passa por tal grau de desenvolvimento que é possível manter os dois
aeroportos com crescimento de voos. Sempre acreditamos que a demanda de Sorriso
é adicional”, afirma Marcelo Bento, diretor de Distribuição, Alianças e
Azul Viagens da Azul.

“Com a burocracia e a enorme demora para a tomada de
decisão pela prefeitura, provavelmente estaríamos sem aeroporto até agora. Mas
agimos a tempo e fizemos o que foi necessário”, diz o produtor Argino
Bedin, que vendeu à prefeitura uma área de 100 hectares, equivalente a 10% de
sua propriedade rural, para abrigar o aeroporto. Ele, que é filho do
ex-agricultor que dá o nome ao aeroporto, afirma ter aceito o pagamento em
terrenos da prefeitura e abatimento em impostos devidos.

“Num belo dia, fomos ao prefeito dizer que a gente ia
colocar dinheiro para ver o aeroporto funcionando, depois de o terminal ficar
três anos sem operar”, lembra Rodrigo Pozzobon, coordenador da Aprosoja
(entidade que representa produtores) em Sorriso, que doou recursos para a
empreitada.”Mas a gente não queria um aeroporto que nem o de Sinop, que
não tem os equipamentos necessários para pousos noturnos”.

Para “passar o chapéu” entre as empresas e os
agricultores locais, o sindicato rural do município articulou a criação de uma
Comissão de Apoio à Implantação do Aeroporto de Sorriso, em parceria com a
prefeitura. A comissão tem autonomia para prospectar outras companhias aéreas
interessadas em explorar voos na região e já iniciou conversas preliminares com
Gol e Avianca.

O ex-presidente do sindicato, Laércio Lenz, que participou
de toda a mobilização do setor privado, conta que, após uma campanha grande
entre os empresários da cidade para angariar doações, ficou decidido que a
comissão contrataria uma empresa para instalar e fazer a manutenção dos
equipamentos de pouso do aeroporto – a Braxton Sistemas e Serviços,
especializada em serviços aeroportuários, que está operando o aeroporto em
caráter provisório. “O aeroporto foi mais uma obra que o setor privado fez
aqui, mas já contribuímos com pontes, reforma em estradas e está para ser
inaugurado um hospital particular, de R$ 30 milhões, construído a partir de
doações de produtores e médicos”, afirma.

“A sociedade de Sorriso entendeu que ou contribuía para
o aeroporto ou o governo do Estado optaria por Lucas do Rio Verde”, diz
Márcio Giroletti, diretor comercial da Coacen, cooperativa que também doou seu
quinhão para as obras. Segundo a Prefeitura de Sorriso, o aeroporto por
enquanto não dá lucro, pois sua implantação não terminou. Mas informou que a
partir de 2 de outubro começarão os voos noturnos e que, em breve, aeronaves de
maior porte poderão utilizá-lo.

Tanto a prefeitura quanto os produtores e o empresariado de
Sorriso avaliam que o aeroporto da cidade também tem vantagens logísticas em
relação ao de Sinop como o fato de estar dentro do perímetro urbano e ser mais
próximo de outros importantes polos mato-grossenses de agronegócios, como Lucas
do Rio Verde.  Mas, pelo menos por
enquanto, é consenso que não deverá haver disputa entre os dois aeroportos por
passageiros.

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