33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
Vote no Prêmio RF 2026!
Faça parte do Colégio Eleitoral
Clique e Cadastre-se
revistaferroviaria.com.br

CAF cria fundo para financiar concessões

Engajado na diversificação das fontes de financiamento para
o programa de concessões em infraestrutura, o governo acaba de ganhar um
importante aliado. A Corporação Andina de Fomento (CAF), rebatizada
recentemente como Banco de Desenvolvimento da América Latina, e o BNP Paribas
Asset Management Brasil acertaram a constituição de um fundo de investimentos
voltado para o setor. O capital do fundo deverá chegar a R$ 1 bilhão, segundo
as duas instituições, e esse valor será aplicado em uma carteira de debêntures
incentivadas.

A ideia é ter um aporte inicial da CAF e do BNP Paribas, que
ficaria em cerca de 10% do montante esperado, e sair em busca de sair em busca
de recursos que possam ser captados com investidores institucionais no
exterior, como fundos soberanos e de pensão. Para os investidores, a vantagem é
contar com esse respaldo institucional – uma agência multilateral com grau de
investimento e um banco com expertise no financiamento de projetos na área de
infraestrutura.

De acordo com Victor Traverso, assessor especial da CAF para
infraestrutura, o fundo será registrado na Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) e deve estar operando no segundo trimestre de 2017. “Obviamente
ajudará os empreendedores a montar uma estrutura financeira menos dependentes
do BNDES “, diz Traverso, lembrando que o banco de fomento brasileiro
reduziu sua participação nos empréstimos para as próximas concessões.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.

Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.

Assinar agora

A criação do fundo será anunciada hoje, no seminário
“Infraestrutura e Desenvolvimento do Brasil”, que é organizado pelo Valor.
O evento é patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e tem
apoio da CAF.

As debêntures incentivadas, que têm isenção de Imposto de
Renda para quem compra esses papéis, são uma das apostas do governo para
diminuir o peso do crédito subsidiado do BNDES nas novas concessões. Quanto
maior for a participação das debêntures, mais o banco estatal oferece em
empréstimos balizados pela TJLP.

O problema nessa equação é justamente a falta de um mercado
robusto, no Brasil, para absorver os papéis. Por isso, a constituição de um
fundo que “caça” recursos de estrangeiros se encaixa com perfeição
nos planos oficiais. O fundo comprará as debêntures dos projetos no Brasil.

O mecanismo é inspirado em fundos similares criados pela CAF
em outros dois países sul-americanos. Na Colômbia, primeira experiência do
banco, a intenção foi apoiar investimentos no 4G – programa de concessões que
abrangia 8 mil quilômetros de rodovias. O segundo fundo acaba de ser erguido no
Uruguai.

Para Luiz Eugenio Junqueira Figueiredo, responsável pela
área de investimentos alternativos do BNP Paribas, há apetite dos estrangeiros
para injetar recursos no Brasil. “Vemos diversos investidores de longo
prazo no exterior que têm o segmento de infraestrutura como um foco para as
suas aplicações”, diz Figueiredo. O que faltava, segundo ele, era
estabilidade política e um processo de ajuste da economia. “Isso agora
está em andamento.”

Fundada nos anos 1970, a CAF tem 19 países com participação
acionária – Espanha e Portugal são os únicos de fora da América Latina. O BNP
Paribas Asset Management Brasil tem mais de R$ 45 bilhões de ativos sob sua
gestão, o que o coloca hoje entre as dez maiores gestoras do país.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*