O Brasil deve ter cautela na condução de sua política
monetária e considerar de forma gradual cortes nos juros, em linha com o ritmo
do ajuste fiscal e da convergência para a meta de inflação, recomenda o FMI
(Fundo Monetário Internacional) em relatório divulgado nesta terça (15).
Para o fundo, embora o país já tenha dado sinais de que está
deixando para trás a pior recessão econômica de sua história, os riscos
permanecem, sobretudo ligados à velocidade da aprovação das reformas
estruturais e fiscais propostas pelo governo.
“A política monetária tem sido calibrada de forma
apropriada, com o aperto dos últimos dois anos justificado pelas fortes
pressões inflacionárias”, diz o documento. “Enquanto as condições
para um ciclo gradual de alívio estão se formando agora, enquanto as
expectativas de inflação convergem para a meta, os diretores [do FMI]
recomendam que a política monetária deve permanecer relativamente apertada até
que haja mais progresso tangível no ajuste fiscal e as expectativas de inflação
se movam mais perto da meta do Banco Central”.
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As recomendações fazem parte de uma análise do relatório
anual do FMI sobre o país produzido em consulta com autoridades brasileiras, e
que havia sido lançado no fim de setembro. A estimativa do fundo é que o PIB
(Produto Interno Bruto) fechará o ano com recuo de 3,3% e voltará a terreno
positivo em 2017, com crescimento de 0,5%.
Embora a análise tenha sido produzida antes da eleição
americana, ela se alinha com os sinais de que o BC será cauteloso na condução
da política monetária, reforçados após a reação negativa dos mercados
financeiros à vitória de Donald Trump na corrida à Casa Branca.
A estimativa da pesquisa Focus do BC é que a Selic termine o
ano a 13,75%, com corte de 0,25% ponto percentual na última reunião do Copom
(Comitê de Política Monetária, no fim de novembro. Para 2017, a média das
projeções é de que a taxa de juros conclua o ano em 10,75%,
Sobre a vitória de Trump, um economista do FMI disse numa
conversa com jornalistas que ainda é cedo para prever qual será o impacto para
o Brasil, já que a política econômica do presidente eleito ainda não é clara.
Mas observou que a incerteza criada pelo resultado da eleição americana levou a
quedas nos mercados financeiros dos países emergentes e desvalorização de suas
moedas.
“Também vimos aumentos nas taxas de juros, o que é
típico de choques externos causados por incertezas”, disse, sob condição
de não ser identificado. “Mas o Brasil tem reservas muito altas e uma
política cambial que o tornam capaz de suportar choques externos”.
Na análise do FMI, as prioridades para o Brasil para
impulsionar seu crescimento econômico devem ser, além das reformas fiscal e
previdenciária, políticas que reduzam os custos para se fazer negócios no país
e aumentem a eficiência.
Elas incluem ações para tornar o programa de concessões mais
atraente, impulsionando a competitividade e o investimento; simplificação dos
impostos; redução de barreiras tarifárias e não-tarifárias; a busca de acordos
comerciais fora do Mercosul; e a facilitação de empregos produtivos, com a
diminuição de incentivos para o mercado de trabalho informal.
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