O Metrô de São Paulo diz necessitar do reajuste da tarifa no
ano que vem e avalia que a passagem de ônibus congelada em R$ 3,80, promessa de
João Doria (PSDB) para a capital paulista, tende a provocar uma fuga de
usuários da rede sobre trilhos.
“Neste momento, não estamos avaliando isso [a
possibilidade de congelar a tarifa]. Necessitamos de um reajuste”, disse à
Folha José Carlos Nascimento, diretor financeiro do Metrô, ligado à gestão
Geraldo Alckmin (PSDB).
Embora ressalve que qualquer decisão caberá ao governador,
padrinho político do prefeito recém-eleito, ele reconhece a tendência de
migração dos passageiros para os ônibus devido ao congelamento dessa passagem.
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“Sempre que você tem esse descolamento é natural que
exista um fluxo de transferência de usuários de um modal para outro”,
afirmou.
Nos últimos cinco anos, a tarifa de metrô, trens e ônibus
municipais foi mantida no mesmo patamar, e as decisões sobre os reajustes eram
tomadas em conjunto por governo do Estado e prefeitura.
Após ser eleito, Doria anunciou que manterá a passagem de
ônibus sem aumento em 2017, provocando um constrangimento com a gestão Alckmin,
que planeja reajuste na rede sobre trilhos.
As finanças do Metrô enfrentam reflexos da crise econômica,
com queda de usuários pagantes e aumento de gratuidades. O Estado costuma reembolsar
a empresa pelos descontos ou isenções de estudantes e idosos, por exemplo, mas
deixou de repassar no ano passado R$ 66 milhões dos R$ 330 milhões previstos.
A companhia registrou queda drástica de investimentos no
primeiro semestre deste ano, de até 72% em manutenção e modernização de trens
em relação aos primeiros meses de 2014, conforme mostrou a Folha em agosto.
Embora haja superlotação do metrô em horários de pico, a
perda de passageiros para os ônibus é alvo de preocupação na empresa porque, na
prática, significa também uma redução de receita.
O diretor financeiro do Metrô lembra que,
“historicamente”, os reajustes da tarifa têm ocorrido “sempre no
início de janeiro”, mas ele afirma que a definição de data e valor caberá
a Alckmin. “Isso é uma deliberação do Executivo. O Metrô sugere,
recomenda, uma tarifa. Hoje, eu não tenho ainda”, disse.
Se houver uma correção próxima da inflação oficial, a nova
tarifa, com arredondamentos, pode atingir R$ 4,10. Para Nascimento, “ainda
não dá para medir” a quantidade de passageiros que poderão migrar do metrô
para os ônibus em busca de economia, mas, quanto maior a disparidade entre as
tarifas, mais intenso esse fenômeno.
“Se for um valor muito alto [a diferença entre as
tarifas], óbvio que essa fuga é muito maior”, diz ele, para quem os
usuários podem “preferir manter a rotina” se os preços não forem tão
distintos.
O sistema de ônibus registrou quase 8 milhões de viagens por
dia em 2015 e uma leve alta neste ano. O Metrô transportou perto de 3 milhões
por dia útil no ano passado –nos primeiros meses de 2016, sofreu leve queda.
A decisão de Doria de congelar a tarifa de ônibus no ano que
vem deve provocar nova disparada de subsídios, hoje em patamar próximo de R$ 2
bilhões por ano. Esse dinheiro sai dos cofres públicos para bancar a diferença
entre receita e custos do serviço.
A estimativa da prefeitura é que a tarifa congelada em 2017
signifique um gasto extra de R$ 1 bilhão –suficiente para construir 30 km de
corredores de ônibus.
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