Os investimentos anunciados no Estado de São Paulo no
primeiro trimestre somaram US$ 6,7 bilhões, mais de 80% de todo o montante
registrado em 2016, US$ 8 bilhões, mostra levantamento da Fundação Sistema
Estadual de Análise de Dados (Seade) antecipado ao Valor. Entre os 90 projetos
catalogados, os maiores valores estão concentrados na indústria e no setor de
infraestrutura, este último beneficiado por concessões de aeroportos e
rodovias.
O desempenho, que contabiliza tanto investimentos imediatos
quanto empreendimentos com maturação de até 30 anos, reforça os “possíveis
sinais de retomada” que os indicadores de curto prazo de atividade têm
esboçado, diz Margarida Kalemkarian, analista da gerência de indicadores
econômicos do Seade. O ritmo de recuperação, ela ressalva, ainda que modesto,
pode desacelerar diante da crise política, já que a incerteza tem impacto
negativo importante sobre os investimentos.
A boa notícia, diz, é que mesmo em 2016, pior ano da série
da Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp), que
começa em 1998, foram registrados projetos com participação de capital
estrangeiro e nas áreas de inovação e sustentabilidade. “Esses são
investimentos de qualidade, que o Estado mostra que ainda consegue
atrair”, ressalta.
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O padrão se mantém em 2017, quando será finalizado, por
exemplo, o novo centro de inovação da Procter&Gamble, no município de
Louveira, que receberá R$ 150 milhões (US$ 48 milhões). “Esse tipo de
investimento é uma aposta para o futuro e muitas vezes coloca o Brasil como
plataforma para as empresas na América do Sul”.
A expectativa, conta Poliana Sousa, diretora de marketing,
comunicação e mídia da P&G, é que ele atenda toda a América Latina. O
espaço, que abrirá 120 posições para profissionais como químicos e
farmacêuticos, será um dos 17 que a multinacional mantém no mundo e um dos
poucos que concentra toda a cadeia produtiva. Também em processo de expansão, a
fábrica de Louveira está recebendo investimento de R$ 500 milhões (US$ 161
milhões) para ampliar a produção de fraldas e de sabão concentrado.
Poliana afirma que o investimento estava em discussão há um
ano e meio e que seu cronograma não chegou a ser afetado pela recessão.
“Nós fizemos algumas escolhas contra a maré”, diz. A companhia
resolveu apostar em produtos de maior valor agregado, por avaliar que o
“luxo” do supermercado é o último do qual o consumidor brasileiro
abre mão. “A mulher diminui as idas ao salão, mas não deixa de comprar o
xampu de que gosta.”
A lista do Piesp conta ainda com três montadoras – Scania,
com investimento de R$ 2,6 bilhões na ampliação da fábrica de caminhões e
ônibus em São Bernardo do Campo, Hyundai, com R$ 415 milhões que serão usados
para instalar a linha de montagem do modelo Creta na fábrica de Piracicaba, e
General Motors, com R$ 9,3 bilhões para a modernização da unidade de São
Caetano do Sul na próxima década. Os números foram coletados de reportagens ou
informações divulgadas pelas companhias e posteriormente confirmadas com as
empresas.
Na área de infraestrutura, o maior anúncio foi a da gestora
Patria Investimentos, que investirá R$ 3,9 bilhões (US$ 1,3 bilhão) na
recuperação, monitoramento e manutenção do sistema rodoviário Centro-Oeste
Paulista, que liga os municípios de Florínea e Igarapava. Ainda que o horizonte
para a aplicação dos recursos seja longo, de 30 anos, esse tipo de projeto é
importante, diz Margarida, porque estimula outros setores. “O efeito
cadeia é grande”, ressalta.
O mesmo vale para a outorga de cinco aeroportos regionais ao
consórcio Voa São Paulo, que investirá até 2047 cerca de R$ 93 milhões (US$ 30 milhões)
para operar e administrar terminais em Lins, Jundiaí, Bragança Paulista,
Campinas, Ubatuba e Itanhaém.
Na cidade de São Paulo, o destaque é a transferência do
Ceagesp para o bairro de Perus. Capitaneado por um grupo de 25 produtores e
comerciantes de alimentos, o Novo Entreposto de São Paulo deve receber R$ 1,3
bilhão (US$ 418 milhões) até 2021.
Apesar dos sinais de recuperação, os investimentos no Estado
devem encerrar 2017 ainda longe do registrado em anos anteriores. Em 2012,
melhor resultado da série, eles somaram US$ 59,8 bilhões, levando em
consideração o câmbio médio no mês em que cada projeto contabilizado foi
anunciado, com 65,7% do total destinado à infraestrutura.
Até 2009, diz Margarida, os investimentos em São Paulo foram
puxados pelo crescimento da indústria sucroalcooleira. Depois da crise
financeira, foram as medidas anticíclicas voltadas para o setor da construção
que mantiveram a expansão. O volume começou a recuar em 2015 e atingiu o fundo
do poço em 2016, US$ 8 bilhões. Menos da metade desse valor, 40,4%, foram
destinados à infraestrutura.
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