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Em cinco anos, transporte de cargas por trens diminuiu 43% no Rio Grande do Sul

O transporte de cargas por trens diminuiu 43% no Rio Grande
do Sul nos últimos cinco anos. Em 2011 foram transportadas pelas ferrovias
gaúchas 13,8 milhões de toneladas. Já no ano passado foram 7,92 milhões de
toneladas. A situação é registrada desde a privatização da malha ferroviária,
há 20 anos.

Nos últimos cinco anos, a extensão da malha ferroviária
também reduziu 41,7%. Agora são 1,36 mil quilômetros a menos. De acordo com o
governo do estado, apenas 6% dos produtos gaúchos passam por ferrovias.

Uma das consequências da redução é o aumento de caminhões
nas estradas gaúchas, o que influencia no preço dos produtos, já que o
transporte rodoviário pode ser de 20% a 40% mais caro.

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O doutor em mobilidade urbana, Carlos José Antônio Kümmel
Félix, reforça que um dos problemas das rodovias é falta de manutenção da
pista. “Além disso, tem problemas que é a questão de roubos de cargas e
segurança nas estradas. E um fator primordial: a segurança de tráfego. Temos um
alto índice de acidentes e mortalidade, inadmissível nessas questões.”

Prejuízo de R$ 40 bilhões

O Ministério Público Federal (MPF) calcula que a situação
das ferrovias já tenha gerado um prejuízo de R$ 40 bilhões ao patrimônio
público em todo o país. “Temos visto um desinteresse especialmente em
relação à malha sul, e dentro desse serviço público que não é mais prestado tem
uma série de patrimônio público está sendo jogado no lixo”, entende o
procurador da República Osmar Veronese.

Entre Dilermando de Aguiar e São Pedro do Sul, no Centro do
estado, mais de 400 vagões estão praticamente esquecidos há dois anos.
“Preocupa porque de noite é bagunça de gente que vem se prostituir e roubo
mesmo que trazem para cá e se escondem nesses vagões. É preocupante”,
observa o agropecuarista Ari Kroth.

Os vagões estão em meio a trilhos tomados pela vegetação. No
interior das composições há água parada e galões e baldes com graxa. Os trens
estão em uma área de preservação permanente.

 

Ponte vira cartão
postal

 

Em Cacequi, na Região Central do estado, uma ponte de ferro,
considerada a maior da América Latina, tornou-se apenas um cartão postal da
cidade que já teve o maior terminal de trens do estado. “A falta de
investimento nessa área tem ocasionado problemas, tem aumentado o custo de
produção e tem diminuído a geração de emprego e desincentivado a economia de
Cacequi”, lamenta o secretário de planejamento, Cleo Ricardo Pinto.

A população lamenta a situação. “O que antes nos trazia
o desenvolvimento, o progresso para a cidade na escoação da produção, que é a
base da economia do município a agricultura e pecuária, hoje causa um
transtorno devido a essa precariedade que vive a ferrovia no brasil”,
entende o bacharel em direito Alan Kroth.

 

Contraponto

 

Em nota, a Rumo Malha Sul informou que “o transporte
ferroviário depende da demanda de mercado e é imprescindível que haja contratos
de longo prazo com os clientes”. Segundo a empresa, somente contratos de
longo prazo permitem os “elevados investimentos” em infraestrutura e
operação. “Caso essas condições não sejam atendidas, não é possível operar
os trechos correspondentes.”

Além disso, a concessionária informou que os vagões
encontrados em Dilermando de Aguiar estão em área operacional da ferrovia.
“A baixa nos ativos inservíveis e a substituição por outros de melhor
capacidade e performance está em discussão de acordo com a nova lei das
concessões.”

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é
responsável pela fiscalização e regulamentação do serviço. Em nota, o órgão
informou que quando constatado descumprimentos contratuais a concessionária é
notificada e, se for o caso, é instaurado um processo administrativo. O
resultado pode ser advertência ou multa.

A agência informou que, em conjunto com o MPF, tem atuado
para obrigar a concessionária a recuperar essas linhas. Quanto a investimentos
na malha ferroviária, o órgão esclareceu que o contrato de concessão firmado na
década de 1990 não prevê investimentos obrigatórios por parte da
concessionária, mas o cumprimento de metas de produção de transporte e
segurança.

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