Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Fibria
está pronta para apresentar uma oferta pela concorrente Eldorado Brasil,
controlada pela J&F Investimentos. A companhia brasileira já calculou
sinergias e o impacto financeiro de uma eventual aquisição, mas insiste que,
apesar de ter condições de pagar um preço que considera justo, não fará uma
proposta que afete demais seu balanço ou o retorno aos acionistas.
Mas, no momento, a chilena Arauco segue com direito de
exclusividade na negociação – de 45 dias, desde 16 de junho -, garantido após
uma oferta não vinculante de quase R$ 14 bilhões em 16 de junho. As tratativas
devem se estender até a próxima semana e a Fibria afirma que está monitorando o
movimento de suas pares, justamente por causa do período exclusivo dado aos
chilenos.
“Entendemos que não existiria uma preferência firmada.
A decisão desse jogo de xadrez está nas mãos dos acionistas da Eldorado”,
disse o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, em teleconferência com
jornalistas para comentar os resultados do segundo trimestre.
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O executivo reiterou o interesse na Eldorado destacando que
há muitas sinergias. As duas companhias têm fábricas na cidade de Três Lagoas,
em Mato Grosso do Sul e uma combinação das operações traria ganhos nas áreas
florestal, industrial, de suprimentos, de logística, via redução de pessoal e
refinanciamento de dívidas – a Fibria ainda não considera sinergias comerciais
por desconhecer a base de clientes da Eldorado. “Nossa visão é clara de
que existe um valor máximo, se formos fazer uma oferta, a ser colocado na mesa.
Esse valor máximo agrega valor ao acionista da Fibria”, afirmou.
Segundo o diretor de finanças e relações com investidores,
Guilherme Cavalcanti, a aquisição poderia ser financiada apenas com dívida –
sem necessidade de aumento de capital e sem comprometer demasiadamente a
alavancagem financeira. A expectativa, que está sujeita a condições de preços
da celulose e câmbio, é que a Fibria chegue a dezembro com alavancagem
financeira medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda da ordem de 3,5
vezes em dólar, dentro dos limites estabelecidos pela política da companhia.
Com o início da operação da nova linha em Três Lagoas, em
setembro, a tendência é de aceleração da desalavancagem para menos de 2,5 vezes
em dólar no fim do ano que vem. “Isso significa que, para o fim do ano que
vem, é possível absorver uma empresa como a Eldorado e ficar abaixo de 3,5
vezes”, comentou. “É um cenário muito provável absorver essa compra
somente com dívida”.
O segundo trimestre, disse Cavalcanti, marcou o início da
desalavancagem financeira da Fibria, que está investindo US$ 2,3 bilhões no
projeto de expansão. De abril a junho, esse índice ficou em 3,75 vezes em
dólar, frente a 3,79 vezes em março. “Essa queda mostra uma importante
reversão de tendência. Houve um pico no primeiro trimestre e já iniciou a
redução no segundo trimestre, antes mesmo da partida da nova fábrica”,
disse.
A Fibria teve prejuízo líquido atribuível aos acionistas da
companhia de R$ 262 milhões no segundo trimestre, revertendo lucro de R$ 743
milhões um ano antes, apesar da melhora no desempenho operacional. A perda é
explicada pelo efeito negativo da alta de 4% do dólar no fim de junho sobre a
parcela da dívida que está denominada em moeda estrangeira.
Sob o aspecto operacional, a recuperação dos preços da fibra
curta no mercado internacional e o aumento do volume comercializado ajudaram o
balanço. De abril a junho, a receita líquida subiu 16% na comparação anual,
para R$ 2,78 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 1,07 bilhão, com
crescimento também de 16%.
A expectativa para o mercado global de celulose no segundo
semestre é positiva, de acordo com o diretor comercial e de logística
internacional da companhia, Henri Philippe Van Keer, uma vez que a demanda tem
se mantido firme num momento em que, tradicionalmente, há alguma desaceleração
e os estoques tanto nos compradores quanto na própria empresa estão baixos.
“A demanda está na faixa alta da expectativa em julho e
a gente não tem dúvida de que, uma vez que os clientes não tenham estoques ou
eles estejam baixos, quando vier o movimento de retomada forte no fim de agosto
ou início de setembro, isso deve mais do que compensar a entrada de capacidade
da Fibria”, afirmou.
A produção de celulose de eucalipto da companhia no segundo
trimestre totalizou 1,33 milhão de toneladas, alta de 3% na comparação anual.
Já o volume de vendas, que foi recorde para o período, subiu 14%, para 1,53
milhão de toneladas, impulsionado principalmente pelo acordo comercial com a
Klabin. No intervalo, o volume de vendas proveniente desse contrato totalizou
202 mil toneladas. Os estoques de celulose encerraram o trimestre em 52 dias.
Depois do pico verificado no início do ano, o custo caixa de
produção de celulose da Fibria entrou em rota decrescente e ficou em R$ 660 por
tonelada no segundo trimestre, praticamente estável em relação aos US$ 662 por
tonelada verificados um ano antes. Frente aos três primeiros meses do ano,
houve baixa de 12%. A tendência é de queda nos próximos trimestres.
Leia também: Fibria reverte lucro
e tem prejuízo de R$ 262 milhões no 2º trimestre
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