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BNDES quer dosar participação na emissão de debêntures de infraestrutura

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) entende ser necessário permitir ao mercado de capitais maior
participação nas emissões de debêntures de infraestrutura, disse a
superintendente do instituição, Luciene Machado, durante Forum de Investidores
de Projetos de Infraestrutura realizado pela Fitch Ratings, em São Paulo.
“Precisamos dosar nossa participação, ainda que desejemos sempre estar muito
inseridos nessas emissões”, destacou. Luciene frisou ainda que, provavelmente,
uma solução viável seria o caminho do meio, onde tanto o banco quanto o mercado
pudessem ter uma participação satisfatória.

O comentário deriva de uma crítica antiga do mercado de
capitais, basicamente dos estruturadores das ofertas, por conta da atuação
bastante decisiva do banco de fomento na estruturação e distribuição das
debêntures de infraestrutura, que estão atreladas a projetos financiados pelo
BNDES. Entre os motivos dessa ingerência do BNDES nas debêntures está o fato de
o banco ser, normalmente, o maior financiador do projeto e, portanto, detentor
das maiores garantias.

Segundo dados mostrados pelo banco, foram emitidos R$ 19,9
bilhões de debêntures de infraestrutura de 2012 a fevereiro de 2017, em 79
projetos.

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Ela comentou ainda que o BNDES entende que, a partir de
2019, a agenda de infraestrutura ganhará maior tração, uma vez que,
naturalmente, 2018 deve ser um ano ocupado pelas eleições. Por isso, o banco
tem se debruçado num trabalho interno para aperfeiçoar as condições de
financiamento dos projetos, ainda que sua participação venha a ser menor.

“O banco não se vê fora do financiamento de infraestrutura e
estamos no meio de um processo sobre como nos reposicionarmos, pelo qual temos
a missão de sugerir aperfeiçoamento e melhorias para financiamento dos
projetos, em seus mais diversificados aspectos”, disse Luciene Machado.

Ela frisou ainda que, apesar das falhas da modelagem que
levaram alguns projetos a não se tornarem viáveis, é importante não descartar a
experiência do passado e simplesmente tentar começar tudo do zero. Ela
mencionou ainda que o BNDES está buscando, nessa agenda das novas diretrizes de
financiamento da infraestrutura, atender à demanda de todas as partes
envolvidas nos projetos.

“Nos últimos anos, entendemos que há uma evolução e que tudo
começa com um bom projeto, com visão de planejamento e tecnicamente adequado,
atendendo às demandas de todos os envolvidos”, afirmou.

Luciene lembrou que o banco está ainda estabelecendo novas
experiências frente a um crescente relacionamento com investidores estrangeiros
que, muitas vezes, trazem seus próprios financiadores. Destacadamente os
asiáticos, disse ela, tem sido necessário entender como se dá o financiamento
de outras fontes, “um modelo diferente do que o banco praticava quando era 70%
do financiamento”. Segundo ela, esse é um dever de casa que a instituição está fazendo
e uma necessidade permanente.

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