Lançada há mais de dez anos, a Ferrovia Transnordestina pode
ser entregue à mão de grupos estrangeiros para poder sair do papel e enfim
ligar o sertão ao litoral do Nordeste. E já há interessados no projeto. Em
nota, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão revelou que o
governo e algumas empresas italianas demonstraram interesse em ser sócios do
governo brasileiro no plano de conclusão da ferrovia.
A parceria foi cogitada ontem durante uma missão realizada
pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, na Itália. Na ocasião, ele
buscou parcerias privadas para 89 projetos e acabou avançando na discussão sobre
a Transnordestina. Segundo a pasta, Oliveira disse aos investidores italianos
que o Brasil precisa de parceiros para finalizar esse projeto, que é
“interessante e viável porque movimentará soja e minérios com portos”, mas
precisa de mais recursos de parceiros privados para ser concluído.
Diante disso, a Ferrovia del Estato, do governo italiano,
teria demonstrado interesse no projeto, que vai ligar o município piauiense de
Eliseu Martins aos portos de Suape, em pernambuco, e Pecém, no Ceará, passando
por 81 municípios. A sociedade de financiamentos Sace também teria relevado a
vontade de participar de projetos de infraestrutura no Brasil. O Ministério do
Planejamento disse, no entanto, que ainda não sabe como essas parcerias
poderiam ser desenhadas. “Em abril, foi composto um grupo de trabalho para
avaliar o status da obra. O relatório do grupo sobre o empreendimento será
divulgado em breve. A partir destes apontamentos, o Governo irá traçar as
ações”, explicou a pasta em nota.
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Hoje a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.,
empresa pública formada por uma sociedade de ações e vinculada ao Ministério
dos Transportes, é a responsável pela construção. As obras, no entanto, estão
paradas porque o Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu o repasse de recursos
devido a indícios de irregularidades no projeto. Segundo o TCU, só depois de
esclarecidas essas suspeitas será liberada a verba necessária para a conclusão
da Transnordestina. Estima-se que, mesmo depois de dez anos de obra, só tem 600
dos 1.753 quilômetros da ferrovia estejam prontos. Por isso, o orçamento do
projeto saltou de R$ 4,5 bilhões para R$ 11,2 bilhões.
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