A possibilidade de interrupção da navegação na hidrovia
Tietê-Paraná é real e preocupa transportadores de carga e usuários do Porto de
Santos. A paralisação do tráfego na via navegável deve acontecer após o fim da
safra de grãos, em dezembro. O tema foi discutido durante o Fórum Conheça o
Porto, que aconteceu na noite da última segunda-feira (6), no auditório da
Universidade Católica de Santos (UniSantos).
Promovido por A Tribuna, o evento integra o projeto Conheça
o Porto, uma iniciativa do Grupo Marimex, com o apoio da Praticagem de São
Paulo. Esta 7ª edição do fórum também teve o apoio da UniSantos.
Para discutir os desafios para a implantação do modal
hidroviário no cais santista, participaram do fórum o consultor Rui Gelehrter,
o engenheiro do Departamento Hidroviário do Estado (DH) Pedro Victoria Júnior e
o diretor de Relações com o Mercado e Comunidade da Companhia Docas do Estado
de São Paulo (Codesp), Cleveland Sampaio Lofrano. E também a coordenadora do
curso de Engenharia Civil da UniSantos, Márcia Aps, e o professor de Portos,
Rios e Vias Navegáveis da universidade, Juarez Ramos da Silva.
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A mediação do debate ficou a cargo do editor de Porto &
Mar, Leopoldo Figueiredo.
Segundo os especialistas em logística, o transporte
hidroviário é mais limpo, eficiente e tem os menores custos operacionais na
comparação com os outros. Uma barcaça é capaz de transportar até 1,3 mil
toneladas de mercadorias. Para atingir esse volume seriam necessários 25
caminhões.
O engenheiro Pedro Victoria Júnior, do DH, vê como um risco
real a interrupção do transporte de cargas na hidrovia Tietê-Paraná. Mas,
segundo ele, desta vez o Operador Nacional do Sistema (ONS) criou um fórum com
especialistas em meteorologia para debater a questão.
Para esta quarta-feira (08), está prevista nova reunião que
vai definir a manutenção da cota dos reservatórios de Ilha Solteira e Três
Irmãos em 325,4 metros acima do nível do mar. Atualmente, seu trecho mais raso
tem 3,1 metro de profundidade e as barcaças precisam de ao menos três metros
para trafegar totalmente carregadas e sem restrições.
O temor é de que o desvio de sua água para os reservatórios
das hidrelétricas, a fim de garantir a geração de energia, inviabilize as
operações da hidrovia.
“Por enquanto, a navegação está mantida até o dia 15. Uma
alternativa é aguardar até o fim da safra, em 15 de dezembro, quando o volume
transportado na hidrovia é reduzido. Depois, com as chuvas de fevereiro, a
situação pode se restabelecer”, destacou o engenheiro.
Acessos portuários
Para o diretor da Codesp Cleveland Lofrano, se isso se
concretizar, os acessos ao Porto de Santos não serão comprometidos. No entanto,
para a coordenadora dos cursos de Engenharia da UniSantos, Márcia Aps, o temor
é de que, com a temporada de verão, quando o volume de veículos que descem a
Serra do Mar com destino às cidades da Baixada Santista é intensificado, sejam
registrados congestionamentos nos acessos rodoviários à região.
Hidrovia do Porto
Pensando em reduzir os custos do transporte de cargas, a
Docas pretende concluir até 29 de dezembro o projeto da Hidrovia do Porto de
Santos. O cronograma ainda pode ser antecipado, segundo Lofrano.
A iniciativa da Docas prevê utilizar rios e canais de
navegação da região para o transporte de cargas entre pontos do cais e entre o
complexo e a área retroportuária. Uma das opções é ter uma linha de barcaças
ligando o terminal da Usiminas, no Canal de Piaçaguera, em Cubatão, e a Libra
Terminais, na Ponta da Praia, em Santos.
A estimativa é de que 350 mil TEU (unidade equivalente a um
contêiner de 20 pés) sejam transportados pela hidrovia por ano.
A ideia é que as cargas virão da Capital ou do Interior até
o cais da Usiminas por ferrovia e, lá, serão embarcadas em barcaças e seguirão
até os terminais, explicou Lofrano.
“O regramento foi encaminhado à Antaq (Agência Nacional de
Transportes Aquaviários) e estamos esperando essa aprovação. A nossa ideia é
que esse primeiro momento seja um período de isenção para atrair cargas ao
modal, uma espécie de carência”, destacou o diretor da Autoridade Portuária.
Contra tarifas
Para o consultor Rui Gelehrter o ideal é que o transporte
hidroviário não seja tarifado. “Não pode ter tarifa. Se caminhão não tem,
barcaça também não pode ter. O maior incentivo é não taxas. Por favor, não
vamos estragar a matriz ideal”.
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