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BNDES vai dobrar crédito, diz Rabello

Em mais uma divergência com o Ministério da Fazenda, o
presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
Paulo Rabello de Castro, disse nesta quarta-feira, 6, que o planejamento
estratégico da instituição de fomento, a ser anunciado em fevereiro, incluirá a
previsão de elevar os desembolsos para R$ 150 bilhões ao ano em 2022. Uma
redução no peso do BNDES faz parte da política econômica desenhada pelo
ministro Henrique Meirelles e pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan
Goldfajn.

Os desembolsos do banco de fomento deverão encerrar 2017 na
casa dos R$ 75 bilhões, retornando ao nível de 2007. Parte da redução se deve à
queda da demanda por crédito para investir, por causa da recessão, mas o BNDES
também passou por reorientação feita pela ex-presidente Maria Silvia Bastos
Marques, que presidiu o banco de junho de 2016 a junho de 2017.

Para elevar os recursos, Rabello citou a possibilidade de
captar recursos no exterior, no mercado de capitais local e com a venda da
carteira de ações. “O mundo está repleto de recursos precisando de bons
intermediadores. Aliás, os recursos existem inclusive no mercado de capitais
brasileiro. Podemos fazer securitização (da carteira de crédito) e venda da
nossa carteira de ações”, afirmou Rabello, após palestra a empresários na
sede da Federação das Indústrias do Rio (Firjan).

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O BNDES, por meio da BNDESPar, é o maior investidor
institucional do mercado brasileiro, com carteira em torno de R$ 70 bilhões, e
já vem vendendo ações. Até o fim de outubro, as vendas somavam R$ 3,5 bilhões,
enquanto as compras foram de apenas R$ 160 milhões, como revelou o Estado. As
vendas de ações da Petrobrás, na qual o BNDES tem 16,5% de participação, foram
o destaque.

Questionado se a meta de elevar os desembolsos não iria na
contramão de um novo papel do BNDES, mais focado no financiamento de projetos
que não interessam ao setor privado, Rabello disse que “o banco é casado
com o desenvolvimento nacional” e “não vai ficar esperando” um
“livro-texto escrito por algum liberal perdido numa rua em São Paulo”
que diga que o Brasil tem que esperar que o “mercado apareça” para se
desenvolver. O Ministério da Fazenda não se manifestou.

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