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Nova política da Vale deve atrelar pagamento de dividendo a Ebitda

O conselho
de administração da Vale se reúne amanhã e deve discutir a nova política de
distribuição de dividendos da companhia aos acionistas, segundo apurou o Valor.
A ideia é atrelar o pagamento do dividendo à geração de caixa medida pelo lucro
antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). A fórmula de
cálculo para distribuição dos dividendos deverá excluir o investimento corrente
da companhia, segundo fontes próximas das discussões. A nova política de
remuneração poderá permitir o pagamento de percentual entre 30% e 50% do lucro
a título de dividendos, disseram fontes.

Analista de
banco disse que, ao usar o Ebitda como indicador, a Vale demonstra que vai
alinhar o pagamento de dividendos ao fluxo de caixa operacional. Afirmou que
com a nova política a mineradora deve passar a ter uma “fórmula” que
dê mais clareza ao mercado. Hoje, de acordo com a Lei da S.A. e com o estatuto
da Vale, a mineradora é obrigada a distribuir anualmente, no mínimo, 25% do
lucro. Um advogado societário disse que, respeitado o dividendo mínimo de 25%
previsto na lei e no estatuto da Vale, nada impede que a mineradora defina
outra regra ou meta para o pagamento de dividendos.

O presidente
da Vale, Fabio Schvartsman, já havia sinalizado como deverá funcionar a nova
sistemática de pagamento de dividendos na última teleconferência de resultados,
relativa ao balanço do quarto trimestre de 2017, em fevereiro. Na ocasião,
Schvartsman disse que os dividendos deveriam tornar-se uma proporção da geração
de caixa da companhia de maneira a tornar a distribuição desses pagamentos mais
“agressiva e sustentável” ao longo do tempo.

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Essa será a
segunda mudança na política de dividendos da mineradora nos dois últimos anos.
Em 2016, a empresa já havia alterado a sua política de pagamento de dividendos
para torná-la mais aderente à geração de receita. Até então a empresa anunciava
em janeiro de cada ano quanto iria pagar de dividendo mínimo no exercício em
curso sem ter certeza sobre o comportamento dos preços das commodities, em
especial do minério de ferro, seu principal produto. Essa política se tornou
arriscada a partir da forte queda nos preços do minério de ferro, a partir de
2014, em um ambiente marcado também pela volatilidade nas cotações das
commodities minerais e metálicas.

Com a
mudança de 2016, a Vale passou a avaliar, em outubro de cada ano, de quanto foi
a geração efetiva de caixa em nove meses, fazendo uma projeção para os três
meses restantes do ano. Com base nesse cálculo, o conselho decide sobre a
antecipação de dividendos no ano em curso, deixando para fazer eventual
complementação no primeiro trimestre do ano seguinte. “Antes, a Vale
antecipava o pagamento de dividendos, hoje remunera o acionista olhando para o
passado”, disse um analista.

Em relatório
recente, a corretora Itaú BBA previu que o pagamento de dividendos sob a nova
política pode ocorrer no terceiro trimestre de 2018, tendo como base os
resultados do primeiro semestre deste ano. Esse cenário considera ainda que a
Vale atinja a redução da dívida líquida para US$ 10 bilhões em junho de 2018.
Ainda de acordo com a corretora, a nova política de dividendos da Vale deve ser
mais comparável à das concorrentes BHP Billiton e Rio Tinto, que pagam aos
acionistas um percentual fixo de dividendos sobre os ganhos. É o chamado
“payout”, indicador que considera a relação entre dividendo e lucro.
No caso das duas mineradoras australianas, o “payout” é de 40% sobre
o lucro, informou o Itaú BBA. Na Vale, poderá ficar entre 30% e 50%. Para a
corretora, isso poderá ampliar a base de investidores e atrair acionistas
focados em dividendos.

 

– Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/5413417/nova-politica-da-vale-deve-atrelar-pagamento-de-dividendo-ebitda


 

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