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Editorial desta segunda-feira: ‘Ferrovia ainda na UTI’

Atravessando o território de Mato Grosso
do Sul de leste a oeste, a Ferrovia Noroeste do Brasil foi essencial para o
desenvolvimento do Estado no início do século passado. Inaugurados em 1917, os
trilhos do trem trouxeram comerciantes, imigrantes e produtores, todos em busca
de um futuro melhor.

Foi no entorno das estações
ferroviárias que surgiram muitas cidades, ainda em território mato-grossense, e
também foram por esses trilhos que passaram gado, minério de ferro e tantos
produtos para exportação. O que, no passado, foi o principal meio de escoamento
da produção do Estado, hoje, a ferrovia – desgastada pela falta de manutenção –
luta para sair da UTI.

Esse processo de precarização deu-se
após a entrega da malha ferroviária à iniciativa privada. Trata-se de um dos
meios de escoamento de produção mais competitivos do mercado, desperdiçado por
aqui.

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A briga para manter ativa a malha
ferroviária é antiga e foi intensificada quando a concessionária Rumo, hoje
responsável pelo serviço, praticamente suspendeu o transporte ferroviário no
Estado.

Entre os produtos exportados pelos
trilhos do trem, o destaque está na celulose, produzida em Três Lagoas, saída
para o Estado de São Paulo. Poderia ser muito mais, não fosse o processo de
sucateamento pelo qual foi submetida toda essa estrutura e que custou não
apenas trilhos e dormentes, mas terminais, locomotivas e até mesmo empregos –
nos últimos anos, foram mais de 300 demissões no Estado.

Por isso, a inclusão dos investimentos
ferroviários como prioridade na agenda deste ano reacende a expectativa de que
Mato Grosso do Sul volte a ter uma rede ferroviária competitiva. Nesta semana,
como mostra reportagem do Correio do Estado, o Ministério dos Transportes
anunciou a prorrogação de cinco contratos de concessões de ferrovia, incluindo
a malha de Corumbá a Santos (SP).

Essa contrapartida vem ao encontro das
ações para a reativação desse transporte, hoje praticamente inexistente. Para
investir na malha, a empresa Rumo pediu – ainda em 2015, quando deu-se início a
uma série de discussões entre governos do Estado e Federal e a companhia, para
que a ferrovia continuasse a operar no Estado – prorrogação do prazo para que o
investimento necessário fosse viável.

São necessários nada menos que R$ 2
bilhões para recuperar a ferrovia em Mato Grosso do Sul, e a esperança é de
que, com a prorrogação, a concessionária possa antecipar esses investimentos.
Um passo foi dado: a Rumo pretende investir na recuperação e na modernização da
malha paulista, que deve beneficiar a região leste do Estado. Que este seja o
primeiro passo, não o único.

Elegendo como agenda prioritária de
2018 investimentos no Centro-Oeste (Ferrogrão) e Ferrovia da Integração, o
governo federal pode transformar MS em entreposto do maior corredor de
escoamento de grãos do Brasil.

A esperança é de que esses projetos,
incluindo o da Ferrovia TransAmericana – que pretende ligar o porto da cidade
de Ilo, no Peru, ao porto de Santos (SP), passando por MS –, saiam do papel.
Porque já foram muitos os projetos de recuperação dessa ferrovia ao longo dos
anos.

 

– Fonte: https://www.correiodoestado.com.br/opiniao/editorial-desta-segunda-feira-ferrovia-ainda-na-uti/327340/


Fonte: Correio do Estado

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