O BID
Invest, braço do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o setor
privado, planeja ampliar o volume de financiamentos em infraestrutura no Brasil
para mais de US$ 500 milhões por ano. O aumento do interesse se deve à
estimativa de que o país demandará investimentos em infraestrutura de R$ 145
bilhões por ano e que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), principal fonte de financiamento para o setor, não terá condições de
atender em sua maioria.
“Estamos
falando de uns R$ 145 bilhões de investimentos em infraestrutura por ano que o
Brasil tem. O BNDES diminuiu o quanto vai investir em infraestrutura e se
estima que esse financiamento vai ficar por volta de R$ 30 bilhões por ano. Tem
um ‘gap’ relevante que queremos cobrir com financiamento diretamente, mas
também atraindo investidores internacionais”, disse o chefe da divisão de
Infraestrutura e Energia do BID Invest, Javier Rodriguez de Colmenares.
De acordo
com o executivo, a ideia é atuar em quatro frentes. A primeira é o fornecimento
de garantia para a cobertura de emissões de dêbentures. A segunda é a
possibilidade de subscrição de debêntures, incentivadas ou não. A terceira é a
concessão de financiamentos diretos, em reais. E, por último é a formação de um
fundo para atração de investimentos de terceiros para. Esta iniciativa,
explicou Colmenares, deve ser um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
(FIDC).
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Com relação
ao fundo, o BID Invest lançou o “B2 Infra”, em maio deste ano, em
parceria com o BNDES. O fundo, que terá um montante de US$ 1,5 bilhão, deve
entrar em operação entre o primeiro e segundo trimestre de 2019 e terá como
objetivo o investimento em instrumentos de dívidas nos setores de energia,
saneamento, transporte e infraestrutura social (como saúde e educação). Do
montante total, o BID colocará 10% e o BNDES, 30%. O restante será captado com
o setor privado, especialmente investidores institucionais.
Segundo
Colmenares, até o momento, considerando BID, BNDES e dois investidores privados
confirmados, o fundo já levantou US$ 950 milhões. A ideia do fundo é investir –
em reais – o equivalente a US$ 500 milhões, em reais, por ano no Brasil. O
fundo terá duração total de dois anos. “O BID Invest está investindo em
infraestrutura no Brasil por volta de US$ 500 milhões por ano. Com esse fundo,
poderemos mais que dobrar o que vamos financiar no Brasil”.
Hoje o banco
anunciará o fornecimento de uma garantia total de crédito (TCG, na sigla em
inglês), de R$ 125 milhões, para cobrir integralmente a emissão de debêntures
para financiar a implantação do parque eólico Santa Vitória do Palmar, de 207
megawatts (MW) de capacidade, no Rio Grande do Sul, e que pertence à Atlantic
Energias Renováveis, controlada pela gestora inglesa Actis.
O TCG,
contou o executivo, é interessante para quem adquire a debênture, por ter um
relação “risco x retorno” melhor, e interessante para o emissor,
porque o custo da garantia somado ao custo da emissão é menor que o da emissão
de uma debênture não garantida. Além disso, a garantia possibilita o alongamento
do prazo da debênture, que no caso do projeto, passou de 12 anos para 13 anos e
meio.
Além das
debêntures, o parque conta com financiamento de R$ 680 milhões do BNDES e do
Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Outra operação de TCG
está “no forno”, prevista para setembro, no valor de R$ 350 milhões e
também voltada para o segmento de energias renováveis.
Outra
operação recentemente fechada pelo BID Invest foi o financiamento de US$ 288
milhões, em reais, para a Centrais Elétricas de Sergipe (Celse), responsável
pela construção e operação de uma termelétrica a gás natural, de 1,5 mil MW de
capacidade, em Sergipe.
Na área de
energia, outro ponto de atenção do BID Invest é o segmento de transmissão.
Segundo Colmenares, os empreendimentos negociados nos últimos leilões do setor
demandarão investimentos de R$ 30 bilhões, dos quais a maior parte ainda não
fechou o financiamento.
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