A Assembleia
Legislativa de Mato Grosso (ALMT) terá uma representação oficial na primeira
audiência pública que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) fará
em Belém (PA), na próxima segunda-feira (27), para discutir o investimento de
R$ 4,2 bilhões de antecipação de outorga que a mineradora Vale vai destinar para
a construção de 383 quilômetros de ferrovia, ligando Campinorte (GO) ao
município de Água Boa (MT).
A
solicitação para participar da audiência foi feita em plenário pelo deputado
Wilson Santos (PSDB), vice-líder de governo na ALMT, e acatada pelo deputado
Romoaldo Júnior (MDB), que presidia a sessão matutina realizada nesta
terça-feira (21). Será a primeira ferrovia construída no país após a nova
política adotada pelo governo federal para regulação do setor ferroviário.
O trecho a
ser construído – conforme o deputado Wilson Santos – representa a ligação de
Mato Grosso à Ferrovia Norte-Sul, alternativa fundamental para escoamento das
grandes safras produzidas em Mato Grosso.
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Os
investimentos são oriundos da mineradora Vale, como contrapartida pelas
prorrogações de seus contratos de concessão da ferrovia dos Carajás (Pará e
Maranhão) e a ferrovia Vitória-Minas (Minas Gerais e Espírito Santo).
Conforme o
deputado, existem duas ações tramitando na justiça – uma do governo do Pará e
outra do governo do Espírito Santo – no sentido de impedir que os recursos
beneficiem Mato Grosso e Goiás. Os dois governos consideram ilegal transferir
os investimentos para o Centro-Oeste. “É pensamento dos paraenses que tudo que
a Vale produzir tem que ser investido no Pará, querem que esse dinheiro fique
só naquele estado. Não podemos negligenciar sobre esse assunto”, disse o
deputado.
“Estaremos
lá defendendo o sonho da ferrovia, o sonho de dotar Mato Grosso de
infraestrutura completa para consolidarmos o estado como um gigante. Mato
Grosso sempre foi esquecido pela União. Hoje, em pleno século XXI, a ferrovia
não chegou a Cuiabá. E não basta chegar só a Cuiabá. Tem que chegar a Lucas do
Rio Verde, Sinop, Guarantã do Norte, até o rio Tapajós”, sugeriu o parlamentar.
O deputado
explicou que, com esse braço, toda a produção de Mato Grosso poderá ser
colocada em Goiás para subir, pela Ferronorte, e ser exportada pelo Porto do
Itaqui, no Maranhão. “É um braço que sai da Norte-Sul e entra em Mato Grosso.
Essa ferrovia virá até o médio-norte, na região de Lucas do Rio Verde, Nova
Mutum e Sorriso. Dali prosseguirá atravessando o Chapadão do Parecis até
Vilhena (RO)”, disse.
O deputado
Pedro Satélite (PSD), que deve formar a comitiva da ALMT na audiência, afirmou
que a preocupação dos governantes do país, até os tempos atuais, sempre foi com
investimento em rodovias. “Os governos esqueceram das ferrovias e das
hidrovias. Há um lobby muito forte em Brasília impedindo os investimentos em
mais ferrovias e hidrovias. Isso precisa mudar. Temos que ter alternativas que,
inclusive, barateiam o custo de transporte, como é o caso das ferrovias e
hidrovias”, comentou.
Três das
audiências que discutirão o tema já estão definidas. A primeira, no próximo dia
27 de agosto em Belém (PA), outra no dia 29 de agosto, em São Luís (MA), e a
terceira no dia 17 de setembro, em Brasília (DF).
Fonte: https://www.cenariomt.com.br/2018/08/22/investimentos-em-ferrovia-tera-audiencia-publica-em-mt/
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