A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro afirmou ter sido surpreendida com a decisão do governo estadual de aterrar o buraco onde funcionaria a estação de metrô da Gávea . Em nota assinada pelo Vice-Reitor de Desenvolvimento da PUC-Rio, Sergio Bruni, a instituição diz que a proposta anunciada por Wilson Witzel “ignora completamente aspectos técnicos básicos”, e que dependendo da forma como o aterramento for executado “poderá até ampliar os riscos já existentes”. Isso ocorre porque, segundo a instituição, a terra não consegue distribuir a pressão com a mesma eficiência que a água. Além disso, em uma eventual rachadura, retirar a água seria mais rápido e menos custoso.
De acordo com a universidade, as soluções técnicas ainda em análise indicam que “a melhor hipótese é, sem dúvida, a conclusão das obras da Estação”, mas que se o governo estadual optar por outra saída a estratégia mais indicada seria o término das edificações brutas da estação, ou seja, “implementação de estruturas permanentes de contenção das escavações”.
A PUC-Rio assinou no dia 5 de julho deste ano um Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria estadual de Transportes para elaborar o Diagnóstico Geotécnico e Proposição de Eventuais Medidas de Curto Prazo sobre as obras da estação de metrô do bairro. O prazo para a conclusão do estudo é de três meses. O documento, que está sendo elaborado por professores da universidade com a colaboração de técnicos da Riotrilhos, está em fase final. Porém, ainda não é possível dar previsões de custos das possíveis soluções que podem ser adotadas.
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Questionada sobre os próximos passos do governo para o aterramento da estação, a Secretaria estadual de Transportes respondeu, em nota, que está desenvolvendo uma série de estudos que irão orientar a execução da melhor alternativa possível para mitigar riscos para pessoas e edificações que estão no entorno. “Paralelamente, a Setrans ressalta que é necessário superar questões jurídicas, uma vez o MPRJ obteve liminar que impede o Estado de efetuar pagamento ao consórcio responsável pelas obras da Linha 4, bem como a definição de novos preços unitários para serviços e obras metroviárias”, acrescenta a pasta.
40 anos de dificuldade em expandir o metrô
A decisão do governador Wilson Witzel de enterrar a inacabada estação de metrô da Gávea é mais um capítulo da dificuldade do Rio em expandir sua malha metroviária nas últimas quatro décadas . Por falta de recursos ou decisões políticas, muitas intervenções começaram e levaram décadas para terminar. Em meio a esse processo existem até mesmo estações fantasma.
Uma das “assombrações” está a 15 metros abaixo da plataforma da estação do Largo da Carioca. Abandonadas desde 1979 por falta de recursos, as obras fariam parte de uma variação da Linha 2 do Metrô com cerca de 4 quilômetros que faria a ligação entre a Praça Quinze e o Estácio com três estações intermediárias: Catumbi, Cruz Vermelha e Carioca.
Parte da expansão da Carioca, inclusive, foi abandonada em fase de acabamento, incluindo a plataforma dos passageiros, escadas e acessos, praticamente prontos. Alguns trechos chegaram a receber pastilhas nas paredes. Um tatuzão chegou a escavar 80 metros no Estácio para fazer a expansão. Em 2010, quando o então governador Sergio Cabral decidiu fazer uma interligação direta entre a Linha 1 e a Linha 2 com a construção da estação Cidade Nova, a decisão foi motivo de críticas entre especialistas, que defendiam que fosse priorizado o término do projeto abandonado.
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