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Vale lança frente em Nova York na dura disputa contra ex-sócio

A Vale está exigindo o recebimento de informações de alguns dos maiores nomes do mercado imobiliário de Nova York para tentar reaver recursos ligados a um investimento de US$ 500 milhões em seu projeto de minério de ferro malsucedido na Guiné.

A ofensiva para trazer à tona documentos por meio do sistema legal americano marca o mais novo episódio na longa disputa entre a mineradora brasileira e a família de Beny Steinmetz, um magnata israelense da área de diamantes.

A Vale pede a apresentação de intimações a Aby Rosen e René Benko, magnatas do setor imobiliário, e a Ziel Feldman, um incorporador imobiliário de Nova York, segundo documentos apresentados a um tribunal, aos quais o “Financial Times” teve acesso.

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A empresa sustenta que US$ 500 milhões obtidos “fraudulentamente” em 2010 pela BSG Resources (BSGR), empresa de mineração da família Steinmetz, para um empreendimento conjunto de minério de ferro na Guiné foram investidos posteriormente em ativos imobiliários em Nova York.

“A Vale procura documentos relacionados a transações imobiliárias entre os intimados e os réus e seus pais, subsidiárias, afiliadas, beneficiários e agentes, para verificar se os US$ 500 milhões obtidos fraudulentamente da Vale foram usados na compra, financiamento ou venda de qualquer um desses ativos imobiliários e onde o rendimento rastreável do pagamento dos US$ 500 milhões está hoje”, segundo o documento.

Os réus nomeados no caso são Steinmetz e cinco executivos que trabalharam para a BSGR, assim como para a Nysco e a Balda, empresas também controladas pela família Steinmetz.

Os intimados citados nos documentos são: HFZ, veículo de investimento do empresário Feldman; a Signa, empresa imobiliária austríaca fundada por Benko; e a RFR Holding, uma empresa nova-iorquina fundada por Rosen. Em 2019, a Signa e a RFR compraram o Chrysler Building por US$ 150 milhões.

Em sua petição, a Vale sustenta que a maior parte do pagamento de US$ 500 milhões feito para o projeto de minério de ferro malsucedido foi “canalizada” da BSGR – passando pela controladora Nysco – até sua “controladora final, a Balda, um truste de Liechtenstein, do qual Steinmetz e sua família são os únicos beneficiários”.

“Um quadro histórico das evidências disponíveis publicamente e dos documentos produzidos em processos relacionados sugere que os réus investiram uma porção de seus ganhos ilícitos em imóveis valiosos e icônicos localizados em Manhattan por meio de joint ventures com a HFZ e a Signa Holdings GmbH”, segundo os documentos apresentados em um tribunal de Nova York.

A HFZ não respondeu os e-mails para comentar o assunto. A Signa informou que sua joint venture com a BSGRE, o braço imobiliário da família Steinmetz, foi encerrada no início de 2015. Rosen não quis comentar o assunto.

A disputa entre a Vale e Steinmetz data de 2010, quando a mineradora brasileira acertou a compra de participação de 51% nos ativos da BSGR na Guiné, incluindo dois blocos em Simandou, um dos maiores depósitos não explorados de minério de ferro.

Posteriormente, no entanto, o empreendimento conjunto para desenvolver o ativo perdeu sua licença, depois de o governo da Guiné ter concluído, em 2014, que os direitos para explorar Simandou e outra concessão de mineração haviam sido obtidos por meio de suborno. A Vale iniciou um processo contra a BSGR logo depois dessa decisão.

Em 2019, um tribunal de arbitragem em Londres ordenou que a BSGR pagasse à Vale mais de US$ 2 bilhões, depois de concluir que havia feito declarações falsas sobre a joint venture.

A indenização concedida à Vale refere-se ao pagamento inicial de US$ 500 milhões feito à BSGR e outros US$ 746 milhões investidos na Guiné, mais juros e custos.

A BSGR, que foi colocada sob administração judicial na ilha de Guernsey para proteger-se contra processos, tentou reverter a decisão, argumentando que não houve imparcialidade, mas perdeu o caso no Supremo Tribunal de Londres em novembro de 2019.

Steinmetz e cinco executivos da BSGR, posteriormente, foram alvos de uma ordem de congelamento de ativos obtida pela Vale.

As intimações em Nova York marcam a mais nova tentativa da Vale para que se cumpra o pagamento definido pela arbitragem.

Steinmetz, que enfrenta acusações de corrupção na Suíça, negadas por ele, também ligadas ao projeto de Simandou, não quis comentar o assunto. Ele e a BSGR sempre negaram as acusações de suborno. Vale também não quis comentar as informações.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/05/08/vale-lanca-frente-em-nova-york-na-dura-disputa-contra-ex-socio.ghtml

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