A chinesa que chegou chegando

“Construa seus sonhos”. Essa é a tradução livre da sigla BYD (Build Your Dreams), nome da fabricante chinesa de monotrilho. No Brasil, o sonho da empresa é provar que é possível ter um sistema desse modal a um custo e tempo de construção relativamente baixos, comparado com um metrô subterrâneo ou de superfície, para o transporte de média capacidade.

Esse sonho pode se tornar realidade em Salvador, onde a companhia, em 2018, desembarcou para um projeto bilionário. O consórcio SkyRail (composto pela BYD e a Metrogreen) venceu a licitação do governo da Bahia para a construção de uma via de 24 km de monotrilho. Parte dela será implementada dentro da faixa de domínio do antigo trem de subúrbio da capital baiana, extinto em fevereiro deste ano para dar lugar ao novo sistema.

O projeto foi formatado no modelo de Parceria Público-Privada (PPP) integral, ou seja, a BYD não só tem a responsabilidade de gerir e manter o sistema por meio de concessão, como também construí-lo. E para isso, precisou demonstrar um fôlego financeiro de poucos. O capex do projeto é de R$ 2,5 bilhões para a construção do trecho em via elevada, e para aquisição de trens e sistemas. Do governo da Bahia terá um aporte único de “apenas” R$ 390 milhões, além de uma contraprestação anual de R$ 153 milhões durante o período de concessão (25 anos). Serão ao todo 28 composições e a expectativa inicial é que o modal transporte 180 mil passageiros/dia.

Concretizada a obra, a capital soteropolitana será a segunda a operar um sistema de monotrilho no Brasil. Em São Paulo, a Linha 15-Prata do Metrô de SP já está em operação há sete anos, período em que apresentou falhas importantes, algumas consideradas graves, como a colisão entre dois trens na área de manobra, em 2019. Já o monotrilho da Linha 17-Ouro, que foi projetado para ser inaugurado na Copa do Mundo de 2014, ainda está em obras.

Também cabe à BYD mudar o rumo dessa história. Além do atraso nas obras, que estão a cargo do governo de São Paulo, os trens da Linha 17-Ouro tornaram-se praticamente uma lenda. A antiga fabricante das composições, a malaia Scomi, abandonou o projeto. Outra licitação foi feita, em 2019, primeiramente tendo o consórcio Signalling (T’Trans, Bom Sinal e Molinari) como vencedor. A proposta, no entanto, foi desclassificada por não ter conseguido comprovar experiência em alguns serviços. O Metrô então chamou a BYD, segunda colocada, para apresentar a documentação. Depois de um imbróglio de quase dois anos na Justiça promovido pelo Signalling, a BYD conseguiu assumir o contrato.

Segundo o diretor de Projetos da BYD Brasil, Alexandre Barbosa, a fabricação dos 14 monotrilhos da Linha 17-Ouro estão a todo vapor na China. “Estamos com times de engenharia no Brasil e na China focados na elaboração de todos os documentos do projeto básico e do executivo para a produção dos trens. A expectativa é que o cabeça de série chegue em março de 2022”, afirma o executivo, que no currículo tem uma trajetória de 11 anos na Bombardier.

Nessa entrevista, ele detalha os projetos da BYD no Brasil e diz que quer incrementar o portfólio. A empresa anda participando de PMIs pelo Brasil e apresentou proposta para o People Mover do Aeroporto de Guarulhos, mas não pensa em fincar um fábrica de monotrilhos no país. “Não tem demanda que justifique”, argumenta Barbosa.

“Queremos falar o seguinte: ‘Conseguimos construir monotrilho num período de tempo e custo relativamente baixos’.

Alexandre Barbosa – Diretor de Projetos da BYD Brasil

Você precisa ser assinante da Revista Ferroviária para ler este conteúdo. Por favor, faça o seu . Não é assinante? Assine aqui

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*