O Globo – A Brightline, linha de trem de alta velocidade que opera na Flórida, foi apontada como a mais letal dos Estados Unidos. Desde 2018, 182 pessoas morreram e 99 ficaram feridas em acidentes nos trilhos — uma morte a cada 13 dias, em média. Outras 101 colisões ocorreram sem vítimas fatais. A primeira morte registrada foi a de Maddie Brunelle, de 18 anos, atingida pelo trem após fugir de uma clínica. Sua mãe, Amy Brunelle, critica a falta de segurança.
“O que me assusta é a quantidade de trilhos abertos. E o quão perto eles estão de áreas públicas”, disse ao Miami Herald. O local do atropelamento segue sem cercas até hoje.
A empresa tem sido criticada por, inicialmente, culpar as vítimas. Em 2018, o deputado republicano Brian Mast reagiu a comentários da Brightline responsabilizando pedestres e ciclistas: “Parem de culpar as vítimas e assumam a responsabilidade pelo fato de que seus trens estão matando pessoas”, escreveu. Na época, Patrick Goddard, presidente da Brightline, declarou ao Congresso: “Todas as pessoas que morreram na nossa ferrovia escolheram tirar a própria vida ou estavam sob efeito de drogas”.
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No entanto, uma investigação do Herald indica que 59% das mortes não foram classificadas como suicídio.
“Dos 182 mortos, 75 foram considerados suicídios por legistas locais, cerca de 41%. No condado de Broward, onde 61 pessoas morreram, 30% foram classificados como suicídio.”
A maioria das vítimas era pedestre ou ciclista, e 60% dos óbitos ocorreram fora de cruzamentos oficiais. Um relatório federal de 2014 já alertava o alto número de invasões aos trilhos. O engenheiro Frank Frey, da Administração Ferroviária Federal, disse que a empresa responsável “não está adotando práticas de segurança adequadas nem tomando os devidos cuidados”.
Apesar disso, a empresa resistiu por anos à instalação de cercas, alegando alto custo e manutenção difícil. Só em 2022, após receber um subsídio federal, a empresa iniciou a instalação de 53 km de cercas e sinalizações. “Quando feitas no lugar certo e com o comprimento adequado, as cercas podem ajudar a direcionar os pedestres para a travessia mais próxima”, afirmou Michael Lefevre, vice-presidente da empresa.
A velocidade dos trens varia entre 127 km/h e 177 km/h, mas apenas o trecho até Orlando — totalmente cercado — não teve mortes desde sua abertura, em 2023. Mesmo assim, a empresa mantém o discurso de que as vítimas são responsáveis.
“Cada vez que uma pessoa pega um atalho ilegal pelos trilhos ou caminha pelo meio da linha férrea, ela está fazendo uma escolha deliberada e se colocando em perigo.”
Em nota ao Daily Mail, a Brightline afirmou que “a segurança é a prioridade máxima da Brightline”, que “o fato trágico é que esses incidentes são evitáveis” e enviou “sentimentos para todos os afetados – incluindo familiares, nossa equipe de trens, socorristas e a comunidade em geral”.
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