Valor Econômico – A Vale anunciou ontem que deve investir em 2025 menos do que havia previsto inicialmente. A mineradora prevê desembolsar entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões este ano, 8,47% e 3,38% abaixo, respectivamente, em relação à estimativa original, que era de US$ 5,9 bilhões. O corte vai ser possível, segundo a empresa, graças à maior eficiência no uso do capital.
Depois do anúncio, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse que a redução no investimento não significa que a companhia vai deixar de fazer algo que seja relevante e faça parte dos objetivos estratégicos. “A redução se deve à busca de eficiência na alocação de capital, em projetos mais eficientes e com intensidade de capital mais baixo””, disse o executivo a jornalistas depois de participar de evento sobre a COP30, em São Paulo.
Segundo Pimenta, a redução da projeção de investimentos resulta de um processo de anos na companhia. “Não há uma mudança de direção de investimentos. Nossa pauta de crescimento segue, como avanços em cobre.” Conforme o executivo, a Vale tem buscado formas de melhorar as operações e dar maior eficiência, com mais tecnologia. “[A redução] é resultado de um mergulho profundo sobre gastos e investimentos, para que a companhia seja resiliente em qualquer momento do mercado.”
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Os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi, do BTG Pactual, disseram em comentário a clientes que a redução nos investimentos reflete esforços de otimização de gastos e a implementação de programas de eficiência pela mineradora, mas sem mudanças nos escopos dos projetos. A meta de investimentos para 2026 será anunciada no Vale Day, encontro com investidores a ser realizado em Londres, em 2 de dezembro. O valor deve ficar abaixo de US$ 6 bilhões.
Os patamares atuais de investimento da Vale são menores do que foram no passado por uma combinação de fatores. A Vale não tem mais em carteira projetos da dimensão do S11D, no Pará, que sozinho chegou a representar aportes de cerca US$ 15 bilhões. A companhia também adotou a disciplina de capital como mantra para se precaver diante das incertezas no mercado de minério de ferro, o principal negócio da companhia.
Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, o anúncio é positivo. “Em minério de ferro, nada muda. A mudança foi para cobre e níquel. Mas ainda não fica claro qual vai ser o investimento recorrente para cobre e níquel nos próximos anos. O espaço que se abre com o investimento mais baixo em 2025 pode aumentar a possibilidade de pagar dividendos extraordinários”, disse. Ele estima preços para o minério de ferro na faixa de US$ 90 por tonelada no fim deste ano. Ontem, a commodity foi negociado na bolsa de Dalian a US$ 113 por tonelada, alta de 0,25% sobre a véspera. No ano, o produto acumula alta de 9,9%.
Os cortes nos investimentos fizeram parte de uma apresentação que a Vale fez ontem para analistas em Minas Gerais. Em relatório, o Citi disse que os principais focos dos executivos da mineradora na reunião foram as estratégias comerciais de minério de ferro para reduzir descontos de sílica (um contaminante) e riscos dos custos de frete. O Citi disse que a Vale reiterou o respeito à disciplina de capital e a busca por manter o investimento abaixo dos US$ 6 bilhões para 2026. Segundo o banco, a companhia disse que os dividendos e as recompras de ações podem crescer se os preços do minério de ferro permanecerem nos níveis atuais até o fim do ano.
Também em relatório, o Itaú BBA afirmou que a administração da mineradora enfatizou, no encontro, que os requisitos mais baixos de capex, combinados com preços resilientes do minério de ferro e melhorias estruturais nos custos, estão apoiando uma geração mais forte de fluxo de caixa livre. “Acreditamos que isso abre espaço para dividendos extraordinários e recompras, mantendo a expansão da dívida líquida sob controle”, indicou o banco.
Na reunião, a Vale também reforçou o compromisso com a redução da dívida e dos custos operacionais. Bancos destacaram a meta da empresa de reduzir a dívida líquida expandida dos atuais US$ 17,5 bilhões para US$ 15 bilhões. Esse é um conceito que inclui compromissos da empresa com as tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019).
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