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Unimat 09-8x4/4S: socadora da Plasser & Theurer vai operar pela primeira vez no Brasil. Foto: Divulgação/Plasser do Brasil
Unimat 09-8x4/4S: socadora da Plasser & Theurer vai operar pela primeira vez no Brasil. Foto: Divulgação/Plasser do Brasil

Planejamento e inovação orientam o mercado de equipamentos de via para antecipar as demandas das ferrovias

A modernização tecnológica e a manutenção preditiva estão transformando o setor ferroviário brasileiro. Essa visão é compartilhada pelas fabricantes de equipamentos de manutenção de via, que investem em digitalização e automação, oferecendo soluções que permitem operar de forma mais inteligente, rápida e sustentável.

Além da transformação digital, as empresas destacam a demanda crescente por equipamentos essenciais, como socadoras e esmerilhadoras, os investimentos locais em expansão de serviços e a busca por soluções mais sustentáveis, o que consolida um cenário de otimismo para os próximos anos.

Para a Matisa, os últimos dez anos foram decisivos para sua evolução tecnológica. Exemplo disso são os sistemas de monitoramento e telemetria integrados aos equipamentos, que permitem extrair em tempo real uma série de parâmetros, como nível de combustível, produção e falhas.

“Da mecanização às operações orientadas por dados, a Matisa evoluiu de um fornecedor confiável para um parceiro de soluções de infraestrutura ferroviária”, observou o gerente geral, Bruno Bonella.

Renovadora da Matisa, modelo P190, em operação

“Estamos abraçando a digitalização, automação e sustentabilidade, preservando nossos valores fundamentais: desempenho, simplicidade e foco no cliente”, acrescentou.

O grupo Plasser & Theurer também aposta na digitalização para elevar a performance das operações. Com o sistema Plasser Datamatic, a empresa acompanha remotamente a frota de máquinas, identificando falhas antes que causem interrupções e possibilitando intervenções planejadas.

“A oferta de serviços acontece de acordo com o manual do fabricante, com componentes originais e uma rotina de manutenção a cada 250 horas de operação do motor. O pacote se estende ao processo de atualização do manual de manutenção e da documentação completa da máquina para o cliente, incluindo um relatório de auditoria semestral”, explicou o CEO da Plasser do Brasil, Victor Araújo.

CEO da Plasser do Brasil, Victor Araújo

A Geismar Rail Industry Technologies & Services (GRITS) complementa o cenário ao oferecer equipamentos elétricos e sistemas digitais de inspeção, que possibilitam a coleta de dados em tempo real.

“Com essas soluções, alcançamos maior produtividade, redução do tempo de ocupação da via, mais segurança para as equipes e prolongamento da vida útil dos ativos”, revelou o diretor executivo, Maxence Marchalot.

Já a Harsco Rail do Brasil investe em automação e inteligência artificial, com tecnologias como o Drone Tamping, sistemas integrados de diagnóstico embarcado e equipamentos híbridos.

“Esses avanços têm resultado em redução de ciclo de manutenção, melhoria da qualidade geométrica da via e diminuição da necessidade de retrabalho, elevando os índices de produtividade e segurança das operações ferroviárias”, contou o diretor geral, Victor Pen Li Lo.

Por sua vez, a Loram lembrou das tecnologias avançadas de inspeção, como o Argus para geometria e o GPR para análise da condição do lastro por radar de penetração no solo.

“Por meio de uma gestão ativa e especializada da frota, temos contribuído para a melhoria contínua da infraestrutura ferroviária dos nossos clientes, garantindo vias mais seguras, bem mantidas e com maior disponibilidade operacional”, analisou o diretor comercial, Rafael Mendes Araújo.

Expansão no Brasil

A expansão da atuação das fabricantes no Brasil tem acompanhado de perto a modernização. A Matisa, por exemplo, tem investido em pesquisa e desenvolvimento, projetos inéditos e modernização de equipamentos.

“Nosso objetivo é apoiar os gestores de manutenção das infraestruturas ferroviárias existentes e vencer os desafios, sempre visando mais desempenho, mais disponibilidade e menos impacto na circulação ferroviária”, pontuou Bonella.

A Plasser do Brasil dispõe de três unidades, sendo elas: Hortolândia, a sede de serviços de manutenção; Rio de Janeiro, sede administrativa; e Itajaí, o centro de distribuição logística, por onde chegam peças e componentes importados da Áustria para as máquinas.

“Com essa estrutura, a empresa pôde atualizar seu portfólio de serviços para atender de forma mais assertiva as demandas dos clientes”, afirmou o CEO da companhia.

A Harsco adota um modelo de expansão baseado em parcerias estratégicas, que são estruturadas conforme o avanço dos projetos e as necessidades geográficas dos clientes.

“Essa estrutura híbrida, com parcerias locais e supervisão direta, permite resposta rápida, suporte técnico próximo e uniformidade na qualidade dos serviços prestados”, declarou o diretor geral.

A Geismar passa por uma fase de fortalecimento estrutural impulsionada pela entrada de novos investidores, que injetaram capital para apoiar a retomada da produção, o desenvolvimento de novos produtos e a ampliação de sua presença global.

“Esse aporte está sustentando um projeto industrial de longo prazo, com foco em reforço da capacidade produtiva, integração com parceiros estratégicos, preservação e fortalecimento das equipes e expansão internacional”, detalhou Marchalot.

A Loram destaca o sucesso do modelo de negócios full-service, pioneiro no Brasil desde 2023 com o contrato de 15 anos firmado com a Rumo, além do aumento da equipe interna neste ano.

“Superamos a marca de 150 colaboradores próprios no Brasil, sendo a maior parte dedicada diretamente às operações e à manutenção das nossas máquinas nos clientes”, reforçou o diretor comercial.

Tendências

Com a estrutura e os investimentos fortalecidos, as fabricantes olham agora para o futuro do setor.

Para a Geismar, daqui até o fim do ano as expectativas são positivas. Depois disso, a reflexão é sobre a influência do cenário político.

“2026 traz incertezas devido às eleições, o que pode tanto acelerar investimentos, caso haja estímulo a obras e infraestrutura, quanto gerar prudência e adiamento de decisões no curto prazo.”

Segundo Bonella, o transporte ferroviário no Brasil está abaixo do que o país necessita, tanto para a mobilidade urbana quanto para o transporte de carga.

Apesar disso, ele acredita que o mercado apresenta um movimento de crescimento. “Para que isso aconteça de fato, o modal ferroviário do país necessita de mais investimentos, expansão da malha e um interesse político maior.”

Corroborando essa análise, o diretor geral da Harsco comentou sobre os desafios macroeconômicos, como variações cambiais e incertezas regulatórias, mas também vislumbra a continuidade de projetos estruturantes.

“O setor ferroviário brasileiro vive uma transição estratégica, impulsionada por investimentos privados, renovação antecipada de concessões e crescimento gradual do transporte de cargas”, avaliou.

Socadora de via modelo Mark IV, da Harsco

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