Metrô CPTM – Afinal de contas, quanto custa um quilômetro de metrô? Essa pergunta é feita com certa frequência, sobretudo quando governos avaliam novos sistemas de transporte de alta capacidade.
Uma coisa é certa: não se trata de um investimento pequeno já que a complexidade de um ramal metroviário só é, possivelmente, superado por uma ferrovia de alta velocidade, por exemplo.
Entram nessa conta vários fatores, da preferência por vias subterrâneas, as desapropriações, geralmente em locais já verticalizados, e todos os sistemas necessários para que a capacidade, a velocidade e a segurança sejam de ponta.
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Infelizmente, para muitos políticos, a alternativa acaba sendo um problema, seja de ordem técnica, financeira mas, sobretudo, eleitoreira, já que linhas de metrô não brotam do chão (literalmente) de uma hora para outra. Daí a apelarem para propostas enganosas de um certo “factóide de três letras” é apenas um passo.
Para os visionários, no entanto, não há qualquer dúvida: o metrô é, de longe, a melhor solução para grandes cidades que sofrem com trânsito caótico, poluição e ineficiencia, além de insegurança. Não é por menos que o serviço sempre lidera índices de satisfação em pesquisas.
Mas, voltando ao tema deste artigo, construir um metrô é caro, se olharmos apenas os números absolutos, e não seus enormes e duradouros benefícios – alguém imagina como seria ir do Jabaquara a Tucuruvi hoje se não houvesse a Linha 1-Azul?
O tamanho do investimento, no entanto, depende de vários fatores, entre eles o relevo por onde passará a linha, os terrenos necessários para sua implantação, o nível de tecnologia desejado e obviamente a capacidade desejada.
Apesar disso, recentes anúncios e informações divulgadas em São Paulo dão uma ideia do preço do metrô em termos atualizados. Veja a seguir o que eles indicam:
Linha 4-Amarela – R$ 1 bilhão por km
A concessionária ViaQuatro assinou contrato em setembro com o Consórcio Expresso Linha 4 para a construção da extensão de 3,3 km da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra. Formado pelas empresas EGTC Infra e Teixeira Duarte Engenharia, o consórcio sagrou-se vencedor da concorrência realizada em setembro com um valor de R$ 3,27 bilhões.
Ou seja, o valor por km de metrô da extensão da Linha 4-Amarela custará cerca de R$ 1 bilhão. Vale lembrar, no entanto, que o montante não inclui investimentos em sistemas e trens extras (serão seis unidades compradas da CRRC), o que certamente fará esse valor subir significativamente.
Linha 6-Laranja – R$ 1,18 bilhão por km
Os dados sobre a PPP da Linha 6-Laranja são mais antigos, mas até tempos atrás o governo do estado divulgava que o projeto é “o maior da América Latina”, e que custará cerca de R$ 18 bilhões. Se for isso mesmo, serão quase R$ 1,2 bilhão por cada um dos 15,3 km da primeira fase.
Nesse caso estão incluídos – ao que parece – todo investimento, entre eles obras civis, sistemas e desapropriações. Vale também lembrar que a Linha 6 é o chamado investimento “greenfield”, ou seja, que foi feito do zero, o que também eleva os custos.
Linha 19-Celeste – cerca de R$ 1,15 bilhão por km
Os três leilões da Linha 19-Celeste, realizados em setembro, trouxeram luz ao custo de uma nova linha de metrô subterrânea. Com 16,7 km e 15 estações, o ramal que ligará Guarulhos ao centro de São Paulo teve valores variados para cada um dos três lotes.
O Lote 1, de Bosque Maia a Itapegica e cujo consórcio liderado pela PowerChina, fez a menor oferta, deve custar R$ 5 bihões. Como terá 5,7 km, o valor por km será de R$ 1,14 bilhão.
Já o Lote 2, entre Jardim Julieta-Vila Maria, com cerca de 5,9 km, teve a menor proposta oferecida por um consórcio liderado pela Odebrecht. O valor ofertado foi de R$ 6,7 bilhões após negociação com o Metrô, o que significa R$ 1,14 bilhão por km, mas nesse contrato há o pátio Vila Medeiros, que certamente absoverá boa parte dos recursos.
Por fim, o Lote 3 (no trecho central de São Paulo), também com a Odebrecht liderando com proposta de R$ 6,9 bilhões. Como serão cerca de 6 km, temos então R$ 1,15 bilhão por km.
Assim como na Linha 4, esses valores se referem ao projeto executivo e obras civis, não incluindo sistemas, material rodante e outros aspectos, portanto, o custo da Linha 19 será mais alto na prática.
Linha 16-Violeta – R$ 1,97 bilhão por km
Os valores previstos para tirar do papel a primeira fase da Linha 16-Violeta, entre Teodoro Sampaio e Abel Ferreira, destoam dos outros três ramais.
Segundo apresentação da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), baseada em estudos feitos pela construtora Acciona, o ramal de 19 km e 16 estações precisará receber R$ 37,5 bilhões em investimentos.
Isso faz o custo por km beirar os R$ 2 bilhões. Neste exemplo, contudo, estão inclusos todos os custos, entre eles aquisição de 25 trens, implantação de sistemas e desapropriações.
Ainda assim é um valor bastante elevado. Apenas as estações e saídas de emergência consumirão quase R$ 15 bilhões. Outros R$ 7,1 bilhões serão empregados na escavações de 19 km de túneis por tatuzões e 1,6 km por NATM. Há ainda R$ 1,3 bilhão pela via permanente e R$ 3,6 bilhões para as desapropriações – sistemas e material rodante ficariam com os R$ 7,6 bilhões restantes do montante.
Excetuando-se os dois últimos e as desapropriações, temos R$ 23,8 bilhões, ou R$ 1,25 bilhão por km.
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