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Empresas podem mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano para acelerar transição climática, aponta WBA

Valor Econômico – As empresas mais influentes do mundo têm potencial para mobilizar cerca de US$ 1,3 trilhão por ano para a transição climática sem depender de avanços tecnológicos adicionais. Segundo o relatório “Benchmark Hub 2026”, divulgado nesta semana pela World Benchmarking Alliance (WBA), até 30% da lacuna anual de investimentos em energia limpa necessária até 2030 poderia ser fechada caso as companhias elevassem seus aportes para níveis já observados no mercado, aproximando a economia global de uma trajetória alinhada ao limite de aquecimento de 1,5°C do planeta.

O estudo avaliou 2.000 das empresas mais influentes do mundo, responsáveis por cerca de US$ 53 trilhões em receitas e aproximadamente 54% das emissões globais de gases de efeito estufa. Juntas, elas empregam diretamente 107 milhões de pessoas.

A mudança do clima é classificada pela WBA como um risco sistêmico, com impactos capazes de remodelar regulações, fluxos de capital e modelos de negócios em escala global. Nesse cenário, o relatório ressalta que a ambição declarada não é suficiente: o planejamento da transição torna-se um indicador central da resiliência e da capacidade de adaptação das empresas, ao sinalizar como pretendem se posicionar ao longo da próxima década.

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A análise examinou os planos de transição de 1.600 empresas da economia real. Somadas, suas emissões operacionais representam ao menos 25% das emissões globais relacionadas à energia, percentual que pode chegar a 55% quando consideradas também as cadeias de valor. O dado reforça o peso das decisões corporativas na velocidade e na direção da transição energética.

Apesar de as empresas reportarem cerca de US$ 3,2 trilhões por ano em investimentos de capital (CapEx), apenas uma mediana de 7% desse volume é destinada a projetos de baixo carbono. Entre o grupo de 25% das companhias que informaram ter feito este tipo de investimento, algumas já direcionam até 30% do CapEx, em setores como petróleo e gás, produtos químicos, materiais de construção, transporte de cargas, mercado imobiliário, utilities (água e saneamento) e indústria automotiva, além de diferentes regiões do mundo.

Esses investimentos se apoiam em tecnologias já disponíveis comercialmente, como transporte eletrificado, aço de baixo carbono, amônia e fertilizantes verdes, produção de baterias e hidrogênio, agricultura regenerativa, energia renovável e soluções para a construção. Se todas as empresas avaliadas elevassem seus aportes de baixo carbono para 30% do CapEx, o volume anual mobilizado alcançaria aproximadamente US$ 1,3 trilhão — o equivalente a cerca de 30% dos US$ 4,5 trilhões anuais que a Agência Internacional de Energia estima serem necessários até 2030.

Soluções já existentes

O relatório aponta que avanços relevantes no curto prazo podem ser obtidos por meio da realocação deliberada de capital para soluções já existentes, embora investimentos adicionais sejam indispensáveis no longo prazo para o desenvolvimento e a difusão de novas tecnologias. Para isso, será necessária uma reestruturação dos gastos de capital, com migração de recursos para fora de atividades intensivas em carbono e maior transparência sobre investimentos, despesas operacionais, pesquisa e desenvolvimento e receitas associadas a atividades de baixo carbono.

A WBA ressalta, no entanto, que o financiamento só é efetivo se resultar em reduções mensuráveis de emissões. Embora 381 empresas tenham alinhado suas emissões operacionais a trajetórias compatíveis com 1,5°C, essas operações representam menos de 4% das emissões globais relacionadas à energia — número muito inferior à parcela de emissões que essas companhias influenciam diretamente.

Segundo o estudo, a ausência de cortes mais rápidos no curto prazo amplia a necessidade de reduções mais intensas no futuro. Ao mesmo tempo, o relatório identifica exemplos concretos de empresas, inclusive em setores intensivos em emissões, que avançam quando metas são acompanhadas de investimentos e ações efetivas.

Para a WBA, o próximo passo passa pela definição de metas alinhadas à ciência e sustentadas por planos de transição críveis, que combinem reduções absolutas de emissões com os investimentos necessários para viabilizá-las.

Estabelecer um patamar mínimo de investimento em baixo carbono, expresso como percentual da receita, é apontado como um caminho para transformar ambição em ação e reduzir a lacuna global de financiamento da transição.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/esg/noticia/2026/01/16/empresas-podem-mobilizar-us-13-trilhao-por-ano-para-acelerar-transicao-climatica-aponta-wba.ghtml

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