O Globo – O Ibama avisou à Infra S.A. que o processo de licenciamento ambiental da Ferrogrão, a polêmica ferrovia que visa conectar Sinop (MT) ao porto de Mirituba (PA), só será retomado depois que o estudo ambiental for revisado.
Em ofício enviado nesta segunda-feira, o órgão afirma que, como o material foi protocolado em 2020 e o processo ficou suspenso, será necessário atualizar dados socioeconômicos, uso e ocupação do solo, dinâmica demográfica e territorial, além do registro de eventos climáticos extremos ocorridos no período.
O Ibama também determinou a revisão do prognóstico ambiental e das análises prospectivas do projeto.
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Na prática, o documento enfraquece o discurso de que a Ferrogrão já teria base técnica madura para avançar, já que o próprio órgão licenciador afirma que não dá para analisar a obra em 2026 com uma fotografia territorial, social e climática defasada.
Pareceres técnicos independentes já vinham apontando falhas e lacunas nos estudos da Ferrogrão, sobretudo na análise de impactos cumulativos, na projeção de desmatamento e na incapacidade de tratar a ferrovia como parte do corredor logístico Tapajós-Xingu, com efeitos combinados sobre território, floresta e povos tradicionais. Esses documentos foram juntados aos autos da ação que discute a legalidade da Ferrogrão no STF.
O julgamento do caso foi retomado em outubro, mas acabou interrompido por pedido de vista de Flávio Dino. Ainda não há data para voltar.
Nos bastidores, a pressa para destravar o projeto continua: o governo ainda trabalha com edital em junho e leilão em setembro.
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