Valor Econômico – Devido ao alto nível de bancarização e uso de meios de pagamento eletrônico, o Brasil avança a passos largos em uso de cartões de crédito e débito em pedágio e transporte público. A Mastercard já está presente em todos os pedágios do país, enquanto no transporte público os pagamentos com as credenciais cresceram 35% em 2025 ante 2024.
“No Brasil, o nível de bancarização e de uso de meios de pagamento eletrônico é muito alto, é um dos mais maduros da América Latina. Também a tecnologia para conseguir aceitar isso em setores como pedágio, como transporte público, o Brasil foi pioneiro e é o que está mais avançado. Então, acho que a gente exporta experiência nesses dois setores”, disse Fernanda Caraballo, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Mastercard Brasil.
Em transporte público, a Mastercard começou em 2017 no Brasil, nos ônibus de Jundiaí, no interior de São Paulo. Naquela mesma época, começou a implantar a solução, em caráter de teste, no metrô do Rio de Janeiro. Hoje, a companhia está presente no transporte público de 25 cidades do país e Distrito Federal.
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Em São Paulo, a tecnologia foi implementada no metrô em dezembro do ano passado, e as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha já foram habilitadas. A partir deste domingo, todas as estações de trem da CPTM também estarão habilitadas para cartões de débito e crédito.
Logo após entrar na capital paulista, a bandeira fez uma campanha de comunicação no Carnaval, com a personagem feita por Inteligência Artificial (IA) “Catraquinha”. “Eu sempre falo: ‘não adianta pôr uma tecnologia nova e não contar para as pessoas’. Então, a gente vem trabalhando muito essa comunicação, à medida que as cidades vão implantando.”
As tratativas da bandeira costumam ser feitas diretamente com as empresas operadoras do transporte público. “O próprio operador de transporte é quem cuida da parte da arrecadação, então é uma decisão dele colocar novos meios de pagamento. Lógico que sempre tem uma conversa com a Secretaria de Transporte, que é o poder concedente”, explicou.
Segundo Caraballo, a solução tende a ser bem recebida, porque reduz custo operacional e riscos, como fraudes e assaltos em ônibus, “porque quanto menos dinheiro você tem circulando dentro do ônibus, menos atrativo é”.
Para a população, a vantagem é não precisar andar com dinheiro físico ou fazer o cartão de transporte do município, o que é uma dificuldade para quem está apenas de passagem pela cidade. “Quanto mais você remover o atrito, quanto mais você facilitar essa experiência, melhor”, avaliou. “O transporte público é um serviço público essencial. É importante que a população toda tenha acesso a esse tipo de serviço.”
No pedágio, recentemente a bandeira atingiu 100% de aceitação em todas as concessionárias. “Hoje em dia, várias rodovias têm linhas de autoatendimento. Então, não tem nem operador na cabine, é um autoatendimento. Você chega, encosta o seu cartão, a catraca abre e você vai embora.”
A Mastercard afirma que, segundo concessionárias do setor, o dinheiro em espécie já representa menos de 7,5% das transações nas praças de pedágio do país.
Pagamentos por aproximação
O crescimento do uso de cartões de débito e crédito no transporte público e pedágio foi alavancado pela evolução dos pagamentos por aproximação no país.
Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), os pagamentos por aproximação chegaram a 73,6% das transações presenciais em dezembro de 2025. Em dezembro de 2020, essa fatia era de apenas 5,4%.
“Quando a gente começou, nem todos os cartões tinham essa tecnologia, as pessoas também ainda não tinham o hábito do pagamento por aproximação”, lembrou Caraballo.
No entanto, a executiva destaca que o pagamento em transporte ainda tem seus desafios próprios. “Quando a gente fala em ônibus, por exemplo, às vezes passa em área de sombra, sem conexão [de internet]. Então, a gente adaptou a solução de cartão para funcionar também não 100% on-line”, disse. O cartão é validado pela leitora, que libera a catraca mesmo sem conexão com a internet, e a mensagem da transação para o emissor do cartão é enviada assim que for possível restabelecer a conexão.
O que ainda vem pela frente
A executiva da Mastercard contou que a bandeira já tem tecnologia para fazer integração em transporte público com cartões de débito e crédito — ou seja, pegar um segundo ônibus sem pagar uma nova tarifa, ou trocar de ônibus para metrô pagando apenas a diferença —, algo que hoje só é possível com os cartões de transporte. Segundo a executiva, já existem discussões nesse sentido no país, e a expectativa é que no futuro a integração seja possível.
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