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Latache entra no conselho de administração da Usiminas

Valor Econômico – A Latache, gestora conhecida por acirradas disputas societárias e dona de 5% das ações ordinárias da Usiminas, emplacou um nome para o conselho de administração da siderúrgica e, junto a outros dois acionistas minoritários, a família Batista e o investidor Lirio Parisotto, dois membros para seu conselho fiscal, conforme ata da assembleia realizada ontem (23).

O nome indicado pelos minoritários (com ações ordinárias) e eleito para o conselho de administração foi o de Marco Gonçalves, conhecido como Marcão, da gestora Cvpar. Segundo fontes que acompanharam a assembleia, haveria uma segunda indicação, mas a Latache acabou não levando adiante a proposta.

Os demais integrantes do colegiado, que passa a contar com nove membros – um deles representante dos funcionários -, foram mantidos. Essa composição é válida até 2028. Para o conselho fiscal, foram eleitos os advogados João Arthur Bastos Gasparino da Silva, indicado por Parisotto, e Andre Leal Faoro.

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Os novos membros dos conselhos foram consenso entre Latache, os irmãos Joesley e Wesley Batista, Tempo Capital e Parisotto, que juntos têm cerca de 12,5% de participação na Usiminas. A gestora e a família Batista têm cerca de 5% cada. A Tempo e Parisotto possuem fatias menores.

Além de Renato Azevedo, a Latache tem entre seus acionistas Lucas Kallas, dono da Cedro Mineração, que atua também em Minas Gerais, na área da Usiminas. O grupo Cedro tem interesse em construir um ramal ferroviário, Serra Azul, e enfrenta uma disputa judicial com a MRS por causa da concessão – o projeto também não teria apoio unânime de siderúrgicas instaladas na região, entre as quais a própria Usiminas.

A Latache entrou no capital da Usiminas adquirindo ações que pertenciam à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em 2014, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que a siderúrgica de Benjamin Steinbruch teria de reduzir sua participação na concorrente mineira de cerca de 17% para menos de 5%, mas a venda dos papéis só foi consumada no ano passado. Os irmão Batista também adquiriram papéis nesse contexto.

A gestora comprou a participação na Usiminas por meio de um fundo chamado Vera Cruz, mas, até então, não se sabia quem era o beneficiário final. O nome da Latache foi revelado devido à indicação dos nomes para o conselho, o que causou “burburinho” no mercado por conta do histórico da gestora. Os Batista, por sua vez, entraram inicialmente por meio da Globe Investimentos, veículo que não está sob o guarda-chuva da holding da família Batista, a J&F.

A Latache é conhecida por ganhar dinheiro em processos envolvendo litígios entre acionistas. Em seu histórico, estão, por exemplo, os casos da Oncoclínicas, BRF-Marfrig, 2W e Rio Alto Energia.

Segundo fontes, a gestora de Azevedo e Kallas enxerga oportunidades para mais um embate na Usiminas, que foi palco de batalhas societárias relevantes nos últimos anos. Os atuais controladores, a ítalo-argentina Ternium, se consolidaram na posição com 92,9% do bloco de controle, mas tiveram embates com CSN e a ex-sócia Nippon Steel.

Na assembleia de ontem, segundo as fontes, não houve sinal de futura disputa. Mas também não ficou claro quais serão os próximos passos da Latache.

Procuradas, Latache, Ternium e Usiminas não comentaram.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/04/24/latache-entra-no-conselho-de-administracao-da-usiminas.ghtml

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