Valor Econômico – Com forte desempenho de produção e vendas no primeiro trimestre deste ano, a Vale deve aumentar os resultados financeiros, conforme as expectativas de analistas de bancos. A mineradora deve apresentar um aumento de 20% na receita do período, em relação ao primeiro trimestre de 2025, para cerca de US$ 9,8 bilhões, segundo cálculos da reportagem com base em estimativas de quatro casas.
A Vale divulga os resultados na terça-feira (28), após o fechamento dos mercados.
O lucro líquido da Vale deve aumentar 50,3%, para US$ 2,1 bilhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado deve ser de US$ 4,02 bilhões, um aumento de 29,5%. Os bancos consultados foram: Itaú BBA, Citi, BTG Pactual e Ativa Investimentos.
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A estimativa de receita mais alta é da Ativa, de US$ 10,3 bilhões, e a mais baixa é do Itaú BBA, de US$ 9,4 bilhões. No lucro, a maior projeção é do BTG Pactual, de US$ 2,9 bilhões, e a menor é do Itaú BBA, de US$ 1,2 bilhão. A maior estimativa de Ebitda vem do Itaú BBA, de US$ 4,06 bilhões, e a menor, do BTG Pactual, de US$ 3,9 bilhões.
Segundo a Ativa Investimentos, o desempenho acima do esperado, sobretudo em metais básicos, levou a ajustes positivos nas projeções de receita líquida, Ebitda e lucro líquido para o primeiro trimestre.
“Em cobre, produção e vendas vieram bem acima do que estimávamos, com destaque para a performance de Sossego, onde a companhia intensificou esforços para maximizar volumes antes de uma parada de manutenção de 110 dias no segundo semestre”, afirmou o analista Ilan Arbetman em relatório.
“Esse desempenho, combinado a preços realizados mais altos, deve sustentar um resultado forte da divisão no trimestre. Em níquel, também vimos números acima das nossas expectativas, refletindo melhor desempenho em Voisey’s Bay e Onça Puma, além de preços realizados superiores ao previsto.”
A produção de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre foi de 69,675 milhões de toneladas, alta de 3% frente a igual período do ano passado. As vendas totais de minério de ferro somaram 68,713 milhões de toneladas, 3,9% acima dos três primeiros meses do ano passado. O preço médio realizado nos finos de minério de ferro no primeiro trimestre foi de US$ 95,80 por tonelada, alta de 5,5% ante o primeiro trimestre de 2025.
O movimento foi impulsionado pelo novo recorde de produção para um primeiro trimestre do S11D, em Carajás, que atingiu 19,9 milhões de toneladas, impulsionado pelas iniciativas contínuas de confiabilidade dos ativos e pelo maior uso de equipamentos móveis.
Para o Itaú BBA, os números de produção e vendas da Vale do primeiro trimestre ficaram relativamente em linha com as expectativas, mas levou a um ligeiro ajuste para cima das estimativas do Ebitda. “O trimestre foi novamente marcado por números de vendas resilientes e por uma melhoria na realização de preços, principalmente na divisão de metais básicos”, afirmam os analistas Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza e Marcelo Furlan Palhares em relatório.
O UBS BB destaca ainda o desempenho da subsidiária Vale Base Metals (VBM), com o aumento da produção do cobre e do níquel.
O Goldman Sachs afirmou que os dados do relatório de produção da Vale continuaram mostrando a sólida execução da administração em todas as frentes de negócios. “O aumento do prêmio total realizado pela Vale, de US$ 2,60 por tonelada em relação ao trimestre anterior, reflete o aumento do prêmio de mercado para produtos com baixo teor de alumina e a otimização contínua do portfólio da empresa”, disse o banco em relatório.
Outro ponto levantado pelos analistas foi a divulgação pela Vale, no mesmo dia do relatório de produção, da continuidade de negociações de concessões de ferrovias, que envolve a Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória a Minas. A conclusão da otimização dos contratos, quando aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), deve dar maior previsibilidade e segurança jurídica, segundo a mineradora, sobre os investimentos associados às duas concessões.
Segundo o BTG Pactual, a manutenção das negociações é vista como um potencial redutor de gargalo regulatório para a Vale, mas que ainda faltam detalhes sobre implicações econômicas.
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