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BNDES aprovou R$ 59,3 bilhões para Minas Gerais desde 2023

Valor Econômico – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a liberação de R$ 59,3 bilhões para Minas Gerais, desde 2023 até o fim do primeiro trimestre deste ano. O volume é 78,6% superior ao que foi aprovado no período de 2019 a 2022.

Na média anual, o crescimento foi de 119,3%, saindo de R$ 8,3 bilhões por ano, no período anterior, para R$ 18,2 bilhões ao ano desde 2023. Os dados são do BNDES e serão divulgados nesta terça-feira (5), durante o evento Casa BNDES, voltado para o setor empresarial, na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

“Até agora são R$ 54 bilhões de crédito para a economia sustentável. O Estado faz muita mudança no padrão energético, investimento em etanol, biocombustível. São muitas novidades”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

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O executivo disse que vai apresentar à tarde para empresários as principais linhas de crédito organizadas no Plano Brasil Soberano 2, para proteger a economia brasileira. Ele acrescentou que o BNDES se fortaleceu nos últimos anos e voltou a crescer.

“Nós estamos fazendo R$ 1 bilhão de crédito por dia no Brasil, que a gente faz direto, indireto, e o que a gente faz de fundo garantidor”, ressaltou. Mercadante acrescentou que o banco possui atualmente a menor taxa de inadiplência do mercado financeiro, de 0,06%.

Em Minas Gerais, o BNDES destinou recursos para os principais setores da economia. Na agropecuária, o setor receboeu cerca de R$ 8 bilhões entre 2019 e 2022 e R$ 16,6 bilhões desde 2023.

Na indústria, as aprovações passaram de R$ 4,8 bilhões, entre 2019 e 2022, para aproximadamente R$ 12,4 bilhões de 2023 ao primeiro trimestre de 2026.

Em comércio e serviços, os desembolsos passaram de R$ 6 bilhões para aproximadamente R$ 13 bilhões. Em infraestrutura, o montante passou de R$ 14,8 bilhões no período de 2019 a 2022 e de aproximadamente R$ 16,6 bilhões desde 2023.

O BNDES também ampliou a oferta de recurso para o setor público de Minas Gerais de R$ 110 milhões, entre 2019 e 2022, para R$ 1,43 bilhão de 2023 ao primeiro trimestre de 2026.

Em 2025, as aprovações para Minas Gerais chegaram a R$ 23,2 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 1995. O Estado foi o maior destino de recursos aprovados pelo BNDES para biocombustíveis no país, com R$ 1,5 bilhão, e o segundo maior volume de aprovações para inovação, com R$ 1,7 bilhão, atrás de São Paulo.

No âmbito do Plano Mais Produção, Minas Gerais somou R$ 34,3 bilhões aprovados em 32 mil operações até março de 2026. Já a oferta de crédito via BNDES Digital somou R$ 14,4 bilhões em 2025. Entre as principais linhas de repasse no ano estão Finame Materiais, com R$ 3,2 bilhões; Linha Ônibus e Caminhão (R$ 2,4 bilhões), Brasil Soberano (R$ 1 bilhão) Moderfrota (R$ 900 milhões), Pronaf Investimento e Mais Inovação Máquinas Rodoviárias 4.0 (R$ 800 milhões cada).

Principais projetos do BNDES em Minas Gerais

Entre 2023 e 2026, os projetos rodoviários apoiados pelo BNDES somam R$ 21,4 bilhões, sendo R$ 10,1 bilhões em investimentos do banco, com recuperação de mais de 1.200 km e duplicação de mais de 650 quilômetros. Entre os destaques estão as melhorias na BR-050, no trecho entre Cristalina (GO) e Delta (MG), corredor com 436,6 km de extensão e papel estratégico na ligação do Triângulo Mineiro e de Goiás aos principais centros consumidores.

O banco também estruturou com ANTT e Ministério dos Transportes a concessão da Rota das Gerais, formada pelas BRs 116/MG e 251/MG, com 734,9 km de extensão, previsão de R$ 7,3 bilhões em investimentos e duplicação de 186 km na ligação entre o Sudeste e o Nordeste.

No setor aeroportuário, os aeroportos de Uberlândia, Uberaba e Montes Claros foram contemplados no plano de ampliação, modernização e manutenção da Aena. Em Minas Gerais, os projetos aeroportuários apoiados pelo BNDES somam R$ 600 milhões em financiamento.

Na área de transição energética, o banco apoiou cinco projetos de energia renovável no Estado, entre 2023 e 2026, somando R$ 6,3 bilhões em investimentos totais e R$ 3,98 bilhões em financiamento do BNDES. Os projetos somam 1.650 MW em geração de energia renovável, incluindo 40 MW de geração distribuída, com potencial para atender mais de 1,5 milhão de domicílios e evitar mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ por ano. Um dos projetos é o financiamento de R$ 1 bilhão à Atlas Renewable Energy para construção de 11 usinas fotovoltaicas em Arinos, no noroeste de Minas Gerais, com previsão de geração de cerca de 2.100 empregos na fase de implantação.

Em biocombustíveis, o banco destaca o apoio de R$ 480 milhões à Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), em Limeira do Oeste (MG), para ampliar a produção de etanol em até 85 mil metros cúbicos por ano, alcançando 205 mil metros cúbicos por safra, além de duplicar a capacidade de geração de energia a partir de biomassa, de 34 MW para 68 MW.

Em Montes Claros (MG), a Acelen Renováveis recebeu financiamento de R$ 257,9 milhões para construção do Acelen Agripark, centro de inovação tecnológica voltado à cadeia de produção de diesel renovável e combustível sustentável de aviação a partir da macaúba.

Na agenda de resiliência climática urbana, o BNDES financia o Centro de Operações Urbanas de Uberlândia, com R$ 88,2 milhões. O projeto vai permitir o monitoramento integrado da cidade com uso de dados em tempo real, reduzindo o tempo de resposta e fortalecendo a coordenação de órgãos municipais em situações de crise, emergências e eventos climático extremos.

Em Juiz de Fora, o BNDES aprovou R$ 210 milhões para a requalificação do Centro Histórico, com foco em adequação da infraestrutura urbana, acessibilidade, valorização turística e econômica da área central e ações de adaptação climática, como aumento da arborização e de áreas permeáveis. Também no município, o banco aprovou R$ 40 milhões para implantação de uma usina de produção de biometano a partir de resíduos sólidos urbanos.

Em Contagem, o BNDES apoia projetos de modernização da administração municipal por meio do PMAT, com operação de R$ 49,5 milhões voltada a gestão e infraestrutura digital, governo digital, cidades inteligentes e serviços sociais.

Em Uberlândia, o banco financiou R$ 102 milhões à Uberlândia Refrescos, franqueada da Coca-Cola, para implantação de uma linha de envase de bebidas em garrafa PET 100% digitalizada.

Em Ouro Preto, a Gerdau recebeu financiamento de R$ 566 milhões para construção de um mineroduto de quilômetros, entre a Mina de Miguel Burnier e a unidade de produção de aço em Ouro Branco, além de um rejeitoduto de 10 km e um centro de reciclagem de sucata em Pindamonhangaba (SP).

Em Extrema, o Banco apoia o plano de inovação e indústria 4.0 do Grupo Multi, com financiamento de R$ 294,1 milhões para digitalização e integração de processos e sistemas nas unidades de Minas Gerais e Manaus. De 2023 a 2025, Minas teve R$ 2,7 bilhões aprovados no BNDES Mais Inovação – Indústria 4.0, em 1.424 projetos de difusão de máquinas e equipamentos.

O BNDES atua ainda na reparação e reconstrução da Bacia do Rio Doce. Somando Minas Gerais e Espírito Santo, as liberações do Fundo Rio Doce ultrapassaram R$ 2,1 bilhões. Ao todo, o banco vai gerir R$ 49 bilhões do fundo, com recursos para investimentos sociais, ambientais e estruturantes ao longo dos próximos 22 anos, no âmbito das medidas reparatórias e compensatórias previstas no acordo judicial.

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/05/05/bndes-aprovou-r-593-bilhes-para-minas-gerais-desde-2023.ghtml

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