33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
Vote no Prêmio RF 2026!
Faça parte do Colégio Eleitoral
Clique e Cadastre-se
revistaferroviaria.com.br

Seguradoras de transporte aceleram uso de IA para conter alta na sinistralidade

Valor Econômico – A expectativa entre os executivos de seguro de transporte é de um crescimento moderado no faturamento em 2026. Após pesquisa realizada com 30 companhias, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) divulgou uma projeção de expansão nominal nos negócios em 6,6% para o ano, o que representa um crescimento real na casa de 2%.

Em 2025, o segmento de seguro de transporte emitiu R$ 6,61 bilhões em prêmios, um crescimento nominal de 8,05% e real de 2,89%. Os dados são da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

“É factível o segmento crescer 6,6% em 2026, mas não é um patamar fácil de ser alcançado”, diz Marcos Siqueira, presidente da comissão de transporte da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e diretor de transportes e riscos diversos do grupo HDI. Para ele, o desempenho da atividade de transportes de carga deve ser impactado por fatores locais e externos. Lá fora, a guerra no Oriente Médio eleva o preço dos combustíveis e os valores das mercadorias, diminuindo os volumes de embarques internacionais. Por aqui, os juros elevados e o grande endividamento das famílias reduzem o consumo. Além disso, a expectativa é que a cadeia produtiva do agronegócio não apresente um bom desempenho no ano.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.

Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.

Assinar agora

Por outro lado, o mercado de seguro de transporte ganhará impulso com as mudanças regulatórias que tornaram obrigatória aos transportadores de cargas a contratação do seguro de Responsabilidade Civil do Veículo (RC-V), que cobre danos de terceiros. De acordo com a Resolução nº 6.069/2025 e a Portaria nº 27/205 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), as empresas que não comprovarem a contratação de RC-V serão multadas e poderão sofrer a suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), o que impede a atividade. As autuações começam em julho deste ano.

Algumas estimativas indicam que a obrigatoriedade do RC-V deve incorporar algo próximo a R$ 500 milhões anuais em prêmios no ramo de seguro transporte. As grandes transportadoras já realizam a contratação do seguro desde a publicação da resolução da ANTT em 2025, mas as médias e principalmente as pequenas ainda estão aderindo à nova modalidade de seguro obrigatório.

“Desde a publicação da resolução da ANTT, já emitimos mais de cinco mil apólices de RC-V”, diz Adailton Dias, diretor-executivo de produtos e resseguro na Sompo. Dias é um dos poucos executivos do setor a avaliar que o crescimento do seguro transporte no ano vai superar a estimativa da CNseg. “A obrigatoriedade do RC-V vai levar a uma expansão superior a 10% na emissão de apólices”, diz. “Na Sompo, nossa meta de crescimento é de 15%.”

A Sompo é a líder no mercado brasileiro de seguro de transporte desde 2017. Em 2025, registrou R$ 1,05 bilhão em prêmios no segmento, de acordo com dados da Susep. “Na última década, crescemos em média 20,8% ao ano”, afirma Dias. O executivo atribui a expansão a duas estratégias, sendo a primeira a formação de uma equipe comercial formada por técnicos de subscrição de riscos. “Essa equipe, que conhece muito bem os produtos, vai ao cliente, estuda seus riscos, e é capaz de oferecer uma solução customizada. É um grande diferencial.”

A segunda é o uso intensivo de tecnologias e inteligência de negócios para reduzir riscos. Uma central de monitoramento utiliza ferramentas de inteligência artificial (IA) e de Robotic Processes Automation (RPA) para acompanhar o transporte de cargas de alto risco. Em 2025, a central monitorou R$ 182 bilhões em cargas transportadas, 15% da carteira da seguradora, e a meta é chegar a 30% em 2027. As informações coletadas na central também permitem que a companhia elabore uma análise preditiva sobre roubos e acidentes, utilizada para orientar os clientes sobre ações que podem evitar sinistros.

Em março deste ano, a companhia também lançou o Sompo Risks, um programa que utiliza inteligência de dados para obter informações sobre o histórico dos motoristas e veículos que são fornecidas às transportadoras e aos embarcadores (os donos da carga). “Com a informação, os clientes podem, por exemplo, identificar e evitar a contratação de motoristas infiltrados por gangues de roubos de carga”, conta Dias.

A taxa de sinistralidade no mercado de seguro de transporte é bastante elevada e cresceu 17,5% em 2025, alcançando a marca de 56,06%, segundo a Susep. Em 2025, o Brasil registrou 8.750 ocorrências de roubo de cargas, segundo levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), gerando prejuízos estimados em R$ 1 bilhão. O número de acidentes também é elevado. A Polícia Rodoviária Federal registrou, em 2025, 19 mil sinistros em rodovias federais envolvendo caminhões.

“O desenvolvimento de tecnologias e estratégias para reduzir as taxas de sinistralidade é uma das principais preocupações das seguradoras do ramo de transporte hoje”, diz Marco Darhouni, diretor da WTW Corretora.

A AXA lançou em março de 2025 uma nova central de monitoramento de transportes, a AXA Torre 360, com capacidade para monitorar nove mil viagens por mês. A central conta com diversas tecnologias digitais e IA que geram mais de 50 tipos de alerta, que vão desde a detecção de fadiga do condutor a desvios de rotas e paradas não autorizadas. Com os alertas, a central pode intervir, acionando equipes próprias de verificação ou a polícia.

“O objetivo do segurado não é receber indenização, mas evitar o sinistro. Nossa proposta é ajudá-lo nesta tarefa”, diz Arthur Mitke, VP de subscrição e sinistros da AXA. “Em um ano, não registramos nenhum sinistro entre os veículos monitorados pela Torre 360.” Em 2025, a AXA somou R$ 292 milhões em prêmios de seguro transporte, após crescimento de 10%, a companhia com a menor sinistralidade.

A companhia com a menor sinistralidade no segmento de transporte é a Porto, com uma taxa de 29% em 2025, de acordo com a Susep. Segundo Marcelo Santana, superintendente PJ de ramos elementares e transportes da seguradora, a Porto realiza um amplo trabalho de avaliação de risco com base em dados para detectar cargas e rotas mais visadas, informações que são compartilhadas com os segurados, junto com um conjunto de orientações para reduzir os riscos.

“A Porto define a aceitação ou não da emissão da apólice de acordo com a avaliação do risco e o comportamento do cliente diante da situação”, diz Santana. “Não estamos preocupados em liderar o mercado, mas em obter bons resultados financeiros.” Em 2025, a companhia emitiu R$ 297 milhões em prêmios no segmento transporte.

A Allianz cresceu 24% no segmento de transporte em 2025, com R$ 497 milhões em emissões de apólices. Segundo Mauricio Masferrer, diretor-executivo de negócios corporativos, o avanço é resultado de duas ações principais: a digitalização do seguro de transportes, com o desenvolvimento de uma plataforma que permite a cotação e a emissão de apólices on-line, e o fortalecimento da atuação em operações logísticas mais complexas e de maior valor agregado. “Estamos ampliando a nossa presença em projetos que envolvem transporte de equipamentos e cargas de grandes empreendimentos industriais e de infraestrutura, além de operações de comércio exterior”, afirma o executivo.

A Tokio Marine é a segunda maior empresa em seguro de transporte. Em 2025, cresceu 12,3% e emitiu R$ 847,3 milhões em apólices. O uso de tecnologia e a desburocratização dos trâmites operacionais colaboraram para os resultados. Um exemplo é o sistema de cotação de apólices avulsas de transporte nacional que utiliza ferramentas de IA, no qual o corretor precisa apenas anexar o Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica (Danfe) para realizar uma cotação e cálculo de uma apólice. “O sistema reduz de forma significativa o tempo de cotação e diminui erros operacionais”, diz Valdo Alves, diretor de transportes da seguradora.

Fonte: https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/revista-seguros-e-previdencia/noticia/2026/05/15/seguradoras-de-transporte-aceleram-uso-de-ia-para-conter-alta-na-sinistralidade.ghtml

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*