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Disputa pelo comando do conselho da Vale trará desgastes que investidores não querem antecipar

Estadão – A disputa em torno do comando do conselho de administração da Vale, que se desenrola desde o dia 11, pode enfrentar resistência entre os grandes investidores da empresa. Isso porque o encerramento do mandato do atual presidente está marcado para abril do próximo ano.

Ao antecipar essa troca, como pretende o fundo de previdência Previ, maior acionista da mineradora, o peso e o desgaste em torno das negociações também começam mais cedo, diz uma pessoa próxima a investidores. Segundo esse interlocutor, parte dos investidores avalia que o movimento é desnecessário e pode resistir à mudança agora.

A mudança em jogo agora não envolve o comando da companhia, como aconteceu em 2024, quando o governo tentou emplacar o ex-ministro Guido Mantega no comando da Vale. Desta vez, a disputa é mais estratégica, pela presidência do conselho de administração. O conselho é o órgão máximo de planejamento de qualquer companhia e dita o ritmo de decisões cruciais, como investimentos e direcionamento dos negócios.

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No dia 11, o fundo de pensão Previ, maior acionista individual com participação de 7,02% no capital total da Vale, pediu a convocação de uma assembleia para a destituição de Daniel Stieler, atual presidente do conselho.

Ao mesmo tempo, a Previ manifestou seu apoio à indicação de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira (conhecido no mercado como Ollie) para o cargo. O argumento usado pelo fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, segundo comunicado publicado pela Vale, é a necessidade de renovação estratégica e aprimoramento da governança corporativa da companhia.

Detalhe: Stieler havia sido indicado ao conselho de administração da Vale pela própria Previ, em 2021 (durante o governo Bolsonaro), e foi alçado à presidência do colegiado em abril de 2023 (já no governo Lula). Procurada, a Previ disse que não concederia entrevista e encaminhou uma nota oficial, na qual menciona que a “iniciativa está alinhada ao seu papel de investidora institucional”.

O requerimento de convocação da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) feito pela Previ foi aprovado pelo conselho de administração na sexta, 19. Ela será realizada em 22 de julho, obedecendo os trâmites legais.

Porém, nove, dos 13 conselheiros, se manifestaram de maneira contrária à destituição de Stieler. Foram três abstenções e o único voto pela saída do atual presidente ficou a cargo de Márcio Chiumento, que representa a Previ.

Stieler e outro conselheiro da Vale, Marcelo Gasparino, vice-presidente do colegiado, estiveram entre os que se manifestaram de maneira contrária à convocação da AGE. Segundo a ata da reunião que decidiu sobre a convocação da AGE, Stieler afirmou que o requerimento da Previ foi “intempestivo” e carregado de “estranhamento”.

Para ele, a tentativa de destituição sem justa causa, baseada em justificativas que considera dissonantes da realidade (como a necessidade de “aprimorar a governança”), configuraria “falsidade ideológica administrativa” e enfraquecimento da própria governança da Vale.

Gasparino, em seu voto, disse que o mandato atual está em seu “curso normal”, faltando apenas nove meses para o término, manifestou “perplexidade” com a proposta e alertou que destituições sem fatos graves causam uma “instabilidade institucional enorme”. Procurados, eles não se manifestaram.

Articulação política ajudou na permanência de conselheiro

Stieler indicou Gasparino como o “candidato natural à sucessão” para o cargo de presidente do conselho de administração, caso sua própria destituição venha a ser aprovada pelos acionistas. Em seu relato, Stieler disse ter realizado recentemente uma apresentação a investidores nacionais e estrangeiros com Gasparino, reforçando a parceria na representação institucional da companhia perante o mercado.

Do ponto de vista de investidores, diz um deles, o ideal seria ter um conselho mais técnico e menos conectado a indicações políticas. Nomeado ao conselho no governo Bolsonaro, Stieler manteve-se no cargo e ascendeu no colegiado após costuras políticas que colocaram João Fukunaga, ex-funcionário do Banco do Brasil e diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, no comando da Previ. Com a saída de Fukunaga da presidência do fundo de pensão, em outubro de 2025, e sua renúncia ao conselho da Vale, em fevereiro, a situação de Stieler mudou.

Uma pessoa próxima a investidores diz que, para as mudanças ganharem apoio da maioria do colegiado (cujos membros são, em parte, indicados pelos próprios investidores), o ideal seria ter um nome reconhecido do mercado e que ainda não faça parte da empresa. No entender dessa pessoa, o mercado tem profissionais altamente gabaritados, com visões estratégicas e mais modernas de áreas em que a Vale pode avançar e que hoje ainda não ocupa, como minerais raros, e que tendem a ser o futuro da mineração.

Fonte: https://www.estadao.com.br/economia/negocios/disputa-pelo-comando-do-conselho-da-vale-trara-desgastes-que-investidores-nao-querem-antecipar/

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