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Pará deve receber US$ 14,7 bilhões em investimentos em mineração

Valor Econômico – Segundo maior produtor mineral do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, o Pará deve captar US$ 14,66 bilhões (cerca de R$ 73,3 bilhões) para investimentos no setor no quinquênio 2026-2030. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e corresponde a pouco mais de 19% do que o setor poderá receber no país no mesmo período. Embora não haja no momento projeções de desempenho para este ano, o Pará foi responsável em 2025 por mais de um terço da receita nacional da mineração. Dos R$ 298,8 bilhões faturados, R$ 103,1 bilhões foram gerados pelas mineradoras que atuam lá.

O Estado abriga não apenas a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo (Serra dos Carajás), mas também é um dos principais polos exportadores de minérios do país – nos últimos três anos, foi responsável por, em média, 36,5% do que o país enviou para fora. Quase metade dos municípios paraenses possuem hoje alguma atividade de mineração. No entanto, operar na Amazônia impõe desafios que precisam ser contornados. Entre eles, gargalos logísticos, regras ambientais complexas e investimentos significativos para desenvolver projetos com tecnologia de ponta, soluções de baixo impacto ambiental e descarbonização.

Nessa pegada ambiental, a Mineração Rio do Norte (MRN) desembolsará R$ 900 milhões na construção de uma linha de transmissão que conectará suas operações ao Sistema Interligado Nacional (SIN) para receber energia limpa. “Buscamos reduzir em 21% a pegada de carbono a partir de 2027”, explica Guido Germani, CEO da MRN, líder na produção de bauxita e responsável por cerca de 30% da produção da alumina e de cerca de 20% da produção de alumínio no país. A empresa investiu no ano passado R$ 51 milhões em projetos socioambientais.

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Para garantir suas operações pelos próximos 15 anos, com produção de 12,5 milhões de toneladas/ano de bauxita, Germani diz que a companhia prevê investimentos de R$ 9 bilhões até 2041, além dos R$ 1,9 bilhão programados para 2026. No ano passado, a companhia desembolsou R$ 810,9 milhões (54,7% a mais em relação a 2024) para segurança operacional, eficiência energética, infraestrutura e sustentabilidade. “O foco da MRN é manter o patamar atual de produção, apesar de contar com 18 milhões de toneladas de capacidade instalada, o que permite aumentar a atual se houver maior demanda”, acrescenta Germani.

A Vale, que concentra no Pará um dos seus principais polos operacionais, quer dobrar a produção de cobre até 2035 e alcançar as 700 mil toneladas/ano. Para o níquel, o objetivo é crescer de 175 mil t/ano para mais de 300 mil t/ano no mesmo período. “Nosso crescimento será focado na vasta dotação mineral de Carajás”, afirma Carlos Medeiros, vice-presidente executivo de operações da mineradora, cujo capex, hoje entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões, deverá chegar a US$ 6 bilhões nos próximos anos. Em 2025, a Vale já havia anunciado investimentos de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030 para sustentar a produção de minério de ferro e ampliar a de cobre.

A mina da Vale em Carajás, em operação desde 1985, produz hoje cerca de 170 milhões de toneladas/ano de minério de ferro, com destaque para o complexo S11D, em Canaã dos Carajás, com capacidade próxima de 90 milhões de t/ano. Na questão ambiental, Medeiros informa que a Vale intensificou no ano passado sua estratégia de mineração circular, mais que dobrando a produção a partir de rejeitos e resíduos, para 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro. A iniciativa “waste to value”, segundo o executivo, transforma subprodutos em novos materiais, reduzindo a necessidade de barragens e visando 10% da produção via fontes circulares até 2030.

Nessa mesma frente, a Alcoa informa que estruturou um plano para suas operações no Brasil, especialmente em Juruti, região oeste do Pará. Entre as soluções em fase de desenvolvimento estão a substituição de geradores a diesel por energia elétrica renovável para potencializar a extração e beneficiamento de bauxita. “Isso se dará com a construção de uma linha de transmissão de 51 quilômetros pela Equatorial Energia para integrar a mina e o Porto de Juruti ao Sistema Interligado Nacional”, diz Daniel Bueno, diretor de operações da Alcoa em Juruti (PA). Ele informa que essa medida deve reduzir em até 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030.

Em transporte, Bueno destaca investimentos de cerca de R$ 1 bilhão em uma frota própria de quatro navios para levar a bauxita do porto até a refinaria da Alumar no Maranhão. Para levar o minério até Juruti, a companhia depende hoje de uma ferrovia de 55 km. “A logística é parte fundamental da operação. A produção em Juruti depende da integração entre mina, porto e navegação fluvial”, diz Bueno.

Como importante produtor de cobre e níquel, essenciais para tecnologias renováveis, o Pará também joga papel importante na transição energética global. A esses metais devem se somar futuramente as terras raras, cujo cenário para o Estado é promissor em função desuas condições geológicas. No momento, entretanto, não há infraestrutura necessária para extrair, produzir e agregar valor a minerais como neodímio, praseodímio, cério e lantânio.

Estima-se que há cerca de 115 milhões de toneladas de terras raras no planeta, sendo 44 milhões delas na China e de 21 milhões a 23 milhões no Brasil, o que o torna o segundo em reservas mundiais.

Fonte: https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/para/noticia/2026/06/23/para-deve-receber-us-147-bilhoes-em-investimentos-em-mineracao.ghtml

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