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Players internacionais demonstram interesse em leilões de ferrovias de carga no Brasil

Com previsão de realizar oito leilões de ferrovias de carga em 2026, a carteira de projetos do Governo Federal tem atraído o interesse de grupos nacionais e internacionais. O cenário foi apresentado pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante o evento Novos Caminhos sobre Trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil, promovido na Arena B3, em São Paulo.

Após uma série de road shows para apresentar o portfólio a investidores e operadores internacionais, o ministro destacou o crescente interesse de concessionárias que já atuam no setor rodoviário e passaram a olhar com mais atenção para o segmento ferroviário, identificando oportunidades relevantes de investimento.

Ao mesmo tempo, grupos que optaram por não participar dos leilões rodoviários realizados pela União agora avaliam ingressar nas disputas ferroviárias, ampliando o universo de concorrentes nos futuros certames.

“A gente fez oito road shows, e estamos fazendo mais um fora [do país]. Vamos fazer mais alguns esse ano, fora e aqui no Brasil. Temos visto um número muito grande de empresas novas, algumas empresas do setor de rodovias olhando ferrovias, alguns desses fundos que entraram em rodovia estão olhando ferrovias, e algumas empresas estrangeiras que não olharam rodovias estão olhando ferrovias”, explicou George Santoro.

Entre as iniciativas adotadas pelo Governo Federal está a ampliação, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do prazo de financiamento para até 40 anos em projetos de infraestrutura e transporte sobre trilhos. Segundo estimativas do Poder Concedente, a medida poderá viabilizar investimentos da ordem de R$ 600 bilhões no setor ferroviário, além de outros R$ 160 bilhões destinados à expansão da malha voltada ao transporte de carga geral e, especialmente, de commodities.

Nesse contexto, o ministro ressaltou o interesse de grupos latino-americanos, europeus e asiáticos na carteira de projetos. Além disso, destacou a possibilidade de empreiteiras brasileiras unirem forças para disputar os futuros leilões, conforme o cronograma divulgado pelo governo.

“Temos alguns grupos do México, Espanha, China, Itália e Portugal. De cabeça, são esses países que têm olhado, que não olharam rodovia e estão olhando ferrovias. E, dentro do próprio Brasil, muitas empreiteiras estudando os projetos, provavelmente para montar consórcios com operadores.”

EF-118 desperta grande interesse do mercado

Segundo o ministro, a Estrada de Ferro 118 (EF-118) tem despertado forte interesse de investidores nacionais e internacionais. Atualmente, entre oito e nove grupos estudam o projeto.

A ferrovia foi planejada para conectar Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, a Santa Leopoldina, no Espírito Santo, por meio de 571 quilômetros de trilhos, ampliando o acesso aos portos da Região Sudeste. Desse total, 246 quilômetros, entre Santa Leopoldina e Anchieta, foram definidos como o trecho prioritário para investimentos por parte do futuro concessionário.

Os 325 quilômetros restantes compreendem o trecho entre Nova Iguaçu e São João da Barra, no estado do Rio de Janeiro. Essa etapa foi classificada como investimento adicional contingente, dependendo de futuras decisões da União e de mecanismos de reequilíbrio contratual para sua implantação.

“Estamos vendo isso na 118, uma quantidade enorme de empresas nesse sentido. Não é um grupo, dois ou três. Estamos falando de oito ou nove grupos estudando a 118. E eu acho que, quando o TCU aprovar o primeiro edital, vai ficar mais claro quem realmente pretende se consolidar no mercado”, afirmou Santoro.

O Governo Federal estima que a ferrovia entre em operação a partir de 2035, fortalecendo o corredor ferroviário nacional por meio da integração com a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e, posteriormente, com a malha operada pela MRS Logística.

“O feedback de todas as viagens que a gente fez foi muito bom. Grupos com os quais conversamos em 2023 entraram em rodovias em 2025. Demora. A gente precisa gerar confiança na carteira brasileira”, finalizou o ministro.

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