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Trem na disputa em SP: Haddad fala em ‘rever concessão’, e Tarcísio em possível perda de contrato

O Globo – Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) criticou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após os seguidos problemas que ocorreram em linhas concedidas para a empresa Trivia Trens, que começou a administrá-las esta semana, entre eles uma explosão na manhã desta quinta-feira (23). Questionado, Tarcísio, que tentará a reeleição, por sua vez, afirmou que caso a empresa não cumpra o que está previsto no contrato, pode de fato sofrer sanções. Mas ressaltou que “o problema não começou há três dias”.

As falhas interromperam nesta quinta-feira o fluxo de passageiros nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A explosão, em um trem na região do Brás, na Zona Central, afetou a circulação nas três linhas, com reflexo em toda cidade, e a operação só foi normalizada no início da tarde. A Trivia Trens assumiu a gestão dos trajetos nesta semana e este foi o terceiro dia seguido em que problemas na operação afetaram os passageiros.

Após o caso, a Agência Reguladora de Transporte do Estado (Artesp) informou que a gestão das linhas voltará por ao menos 90 dias para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

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Pelas redes sociais, Haddad afirmou que o episódio é sinal de um “problema grave de gestão”. E afirmou que, se eleito para o Palácio dos Bandeirantes, revisará os contratos firmados pelo governo atual.

— Fui para a entrevista (uma sabatina na rádio Nova Brasil) ouvindo o noticiário que estava falando das linhas privatizadas da CPTM que entraram em pane, e as pessoas tiveram que caminhar pelos trilhos, usando a luz do celular para conseguir enxergar o caminho. Um absurdo — escreveu.

Ele também criticou uma vez mais a privatização, feita no governo Tarcísio, da Sabesp, que protagonizou outros problemas recentes em São Paulo, como a explosão que deixou dois mortos no bairro do Jaguaré, em maio.

— Tarcísio foi ministro dos Transportes no governo Bolsonaro. Quando assumi o Ministério da Fazenda, eu e o ministro Renan Filho (também dos Transportes) tivemos de rever, com o acompanhamento do Tribunal de Contas da União, contratos assinados por ele que traziam prejuízo ao Tesouro Nacional. Em São Paulo, vou fazer a mesma coisa. Vou analisar o contrato da Sabesp, o do Centro Administrativo e os da CPTM, que vêm apresentando tantos problemas — disse o pré-candidato.

Tarcísio esteve nesta quinta em Ourinhos, no interior paulista, em encontro de produtores rurais. Em entrevista para a TV Tem, o governador afirmou que o retorno temporário da operação para a CPTM é uma lição aprendida com “erros cometidos no passado” e que as falhas na malha ferroviária são resultado de anos de falta de investimentos. Ele também negou que os problemas tenham começado com a entrada da nova concessionária.

— Se a empresa não conseguir cumprir aquilo que está previsto no contrato, ela vai sofrer as sanções e a gente também não vai hesitar, em algum momento, em tirar a empresa do contrato […] Ao longo do tempo, a gente foi aprendendo com os erros que foram cometidos no passado. Pegamos esse aprendizado e colocamos mecanismos de proteção neste contrato. Um deles é justamente a possibilidade de retomar a operação com a CPTM no caso de insuficiência da concessionária — afirmou o governador.

Ele também criticou os problemas apresentados no início da operação da Trivia Trens.

— A empresa precisa se preparar melhor. É inaceitável o que aconteceu no dia de hoje — disse Tarcísio.

Ainda nesta quinta, durante a noite, o governador publicou uma nota nas redes sociais sobre o tema.

— Estamos trabalhando em soluções imediatas, apurando as responsabilidades e vamos aplicar todas as penalidades previstas. Hoje, temos contratos mais robustos e agências reguladoras fortalecidas, com mecanismos para agir com rapidez e rigor diante de qualquer falha — escreveu o governador.

Na esteira das concessões do transporte sob trilhos na Grande São Paulo, linhas que atualmente são operadas pelo Metrô também poderiam ser repassadas para a iniciativa privada. No fim de junho, no entanto, o mandatário afirmou que não pretende mais seguir com o plano.

— Acho que a capacidade que a gente tem que ter é de mudar de opinião. A gente não concede algo por conceder. Não é aquele negócio de “preciso necessariamente ter a iniciativa privada operando”. A realidade é que o Metrô está operando muito bem e, hoje, a minha tendência é que continue o Metrô operando essas linhas. Na verdade, o que eu estou pensando é a expansão das linhas operadas pelo Metrô hoje — afirmou Tarcísio.

Após os problemas com a Sabesp, o governador veio a público para defender que o estado tem capacidade de regular concessões e empresas privatizadas.

— A ação do Estado vai ser presente, não é pelo fato de não sermos mais os maiores acionistas, que a gente não vai fazer valer a regulação. A mão pesada vai atuar e a punição também vai acontecer quando a Sabesp deixar de cumprir qualquer indicador — disse após a explosão no Jaguaré, em maio.

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