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Ecorodovias paga 91% de ágio para entrar no Rodoanel

A
Ecorodovias quebrou um jejum de quase três anos sem ganhar leilões ao arrematar
ontem o Trecho Norte do Rodoanel, que inaugurou a temporada de concessões de
infraestrutura de 2018. A empresa levou o ativo com um lance de R$ 883 milhões,
ágio de 90,97%, bem acima da oferta de sua única concorrente. A Autostrade, da
italiana Atlantia, ofertou R$ 517, 8 milhões, prêmio de 12% sobre a outorga
mínima fixa.

A aposta foi
considerada agressiva, o que levou o mercado a reagir mal logo após a
divulgação do resultado. O preço da ação da Ecorodovias, que tem entre os
acionistas o grupo italiano Gavio e a brasileira CR Almeida, chegou a liderar
as baixas do Ibovespa, recuando 5,3%, e encerrou o pregão com queda de 3,95%.

A oscilação
foi minimizada pelo presidente da empresa, Marcelino Rafart de Seras. Segundo
ele, a diferença nominal de mais de R$ 300 milhões entre as propostas é pequena
se diluída em 30 anos de contrato. “É como se fossem R$ 10 milhões a cada
ano, não é nada.”

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Em valores
nominais, o ágio de R$ 421 milhões oferecido pela empresa é o menor dos três
lotes de rodovias leiloados pelo governo paulista desde o ano passado. O fundo
de investimentos Pátria pagou prêmio de R$ 520,2 milhões pela Rodovia
Centro-Oeste e a Arteris ofertou R$ 988,5 milhões acima do mínimo para ficar
com a Rodovia dos Calçados. A Ecorodovias entrou nas duas concorrências e em
ambas ficou em segundo lugar.

“À
medida em que a gente procure o mercado, os analistas, justifique a nossa
proposta, fale sobre ela, quais são as premissas que utilizamos, acho que ela
[a ação] volta”, disse o presidente. Mas ele próprio afirmou que esperava
uma competição maior.

O Valor
antecipou que entre os interessados nos ativos estavam CCR, Ecorodovias e
Atlantia. Representantes da CCR estavam na B3, mas a concessionária decidiu não
entrar na disputa.

O Trecho
Norte do Rodoanel tem um nível de investimento estruturante considerado baixo.
São R$ 581,5 milhões ao longo da concessão, grande parte concentrada nos
primeiros cinco anos.

A
expectativa é que a Ecorodovias financie os investimentos com um mix de capital
próprio, financiamento de órgãos multilaterais, como o IFC, do Banco Mundial, e
via emissão de debêntures de infraestrutura – ainda sem proporções definidas.

Há inclusive
a possibilidade de captação em moeda estrangeira, pois o contrato de concessão
possui mecanismos próprios de proteção cambial.

O Santander
assessorou a Ecorodovias na oferta e também é cotado pela empresa como
fornecedor de uma linha de crédito de curto prazo, até o financiamento de proteção
cambial.

O Santander
assessorou a Ecorodovias na oferta e também é cotado pela empresa como
fornecedor de uma linha de crédito de curto prazo, até o financiamento de longo
prazo do projeto ser estruturado. A Ecorodovias terá de pagar toda a outorga à
vista, na assinatura do contrato, previsto para março.

O executivo
não quis revelar a taxa de retorno da proposta. A estimativa do governo no
projeto era de 9,85%. Mas Seras disse que é “confortável”.
“Estamos num momento de inflação e juros baixos. Querer sonhar com os anos
90 [quando as taxas das concessões de rodovias eram de dois dígitos] acho que é
um exercício histórico irreal.”

A proposta,
afirmou, foi estudada profundamente. “Ter um ativo como Rodoanel é muito
desejado em qualquer lugar do mundo.”

Com o Trecho
Norte do Rodoanel, o portfólio de concessões rodoviárias da Ecorodovias sobe
para oito ativos. Não é interesse da companhia ampliar a posição no complexo
viário. Os trechos Leste e Sul estão sob concessão da SPMar, em recuperação
judicial. O Trecho Oeste é administrado pela CCR. “Não há sinergias, são
contratos muito diferentes”, disse Seras.

Essa é a
primeira licitação que o grupo vence desde que arrematou a concessão da Ponte
Rio-Niterói, em março de 2015. Na ocasião, fez uma oferta que surpreendeu os
concorrentes e foi recebida com ceticismo pelo mercado. Ganhou ao oferecer um
deságio de 36,67% no pedágio, praticamente o dobro do desconto de 18,2%
definido como ideal pela CCR, que controlava a concessão. “O
ex-concessionário disse que era uma proposta muito complicada, difícil.
Passaram três anos e estamos enchendo de ganhar dinheiro.”

A Artesp,
agência reguladora de concessões em São Paulo, não viu como um problema a
ausência de mais interessados no leilão. “O resultado está aí, o sucesso é
grande e atende o que a gente esperava. Queríamos empresas sérias e nos três
processos empresas sérias participaram com excelentes propostas”, destacou
Giovanni Pengue Filho, diretor geral da autarquia.

A
expectativa da Ecorodovias é de que o contrato seja assinado em março, mas a
companhia só deve assumir a operação no segundo semestre, uma vez que faltam
concluir 20% das obras do complexo, conduzidas pela estatal Desenvolvimento
Rodoviário (Dersa). A primeira parte deve ser entregue em julho e o restante em
dezembro.

Fonte:

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