Ao menos 3,5 milhões de pessoas, segundo a Companhia do
Metropolitano de São Paulo (Metrô), foram afetadas nesta quinta-feira, 18, pela
greve promovida pelos metroviários de São Paulo contra a concessão das Linhas
5-Lilás e 17-Ouro. Das seis linhas da rede, apenas a 4-Amarela, já privatizada,
abriu todas as estações. O leilão, marcado para hoje, chegou a ser suspenso
pela Justiça, mas acabou liberado à noite por decisão do presidente do Tribunal
de Justiça de São Paulo, Manoel de Queiroz Pereira Calças.
Procurando alternativas, os passageiros lotaram os ônibus
desde a madrugada. Com rodízio suspenso, os índices de congestionamento ficaram
acima da média no pico da manhã.
A paralisação começou com 23 das 74 estações da rede
fechadas. À tarde, após a primeira decisão judicial, o movimento até perdeu
força: às 18 horas, 50 estações já estavam abertas. Ao longo do dia,
passageiros que conseguiram embarcar foram orientados a descer antes do
destino. “Isso porque disseram que o trem retornaria para a Marechal Deodoro e
não iria até Itaquera. Não estava sabendo dessa greve. Não avisam nada”,
lamentou, na manhã desta quinta, a ajudante de cozinha Romilda Maria
Nascimento, de 36 anos, que tentava chegar ao Tatuapé, onde trabalha, mas teve
de desembarcar na Mooca.
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Em Artur Alvim, também na zona leste paulistana, a operadora
de telemarketing Tábata Luana Ribeiro, de 28 anos, precisou esperar três ônibus
passarem para conseguir embarcar. Os coletivos já chegavam lotados. No ponto de
ônibus do lado de fora da Estação Patriarca, da Linha 3-Vermelha, que estava
fechada, ela tinha como destino a Consolação, na área central. Teria de pegar
dois ônibus até a empresa. O relógio marcava 10h30, mas ela deveria estar no
trabalho desde as 9 horas. “Vou continuar tentando. Tenho até 17 horas para
chegar ao trabalho, não é? Vou acabar chegando lá pelas 13 horas.”
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, às
11h30, 99 km de vias congestionadas – a média, para os meses de janeiro, nesse
horário, é de 73,8 km. Esperando pegar um bom movimento no seu Uber, o
motorista Fabio Cesar Severiano, de 38 anos, saiu de casa, no Itaim Paulista,
zona leste, às 5 horas. Logo pegou uma corrida até o Butantã, zona oeste, de um
passageiro que preferiu não se arriscar com o funcionamento parcial do Metrô.
Às 10 horas, já havia pegado outros oito passageiros antes
de dirigir com a reportagem entre a Estação Marechal Deodoro e o Jabaquara. Só
lamentou que o trânsito, acumulado, dificultou o trabalho. “Tem colega meu que
ficou uma hora preso na Marginal do Tietê e mais uma preso em outra avenida. O
movimento está bom, mas estamos fazendo uma quantidade de corridas abaixo do
possível, por causa da lentidão”, disse.
A Justiça do Trabalho havia estabelecido cota mínima de
operação de 80% dos trens nos horários de pico e de 60% nos horários fora dele.
Um julgamento, ainda a ser marcado, definirá se a multa de R$ 100 mil
determinada em caso de descumprimento da regras será cobrada do sindicato. O
Metrô encerrou a operação nesta quinta às 22 horas. Nesta sexta-feira, dia 19,
os trens voltam a circular em horário normal.
Licitação
O leilão de concessão das linhas chegou a ser suspenso no
meio da tarde desta quinta, por decisão do juiz Adriano Marcos Laroca, da 12.ª
Vara da Fazenda Pública da cidade, como antecipou a colunista Sonia Racy, do
Estadão/Broadcast. Ele atendeu a pedido de liminar proposto pelos vereadores
Sâmia Bomfim e Toninho Vespoli, da bancada do PSOL na Câmara Municipal. Eles
argumentavam que o Metrô não poderia fazer a privatização sem autorização da
Assembleia Legislativa e o edital estaria direcionado para o Grupo CCR – dado
contestado pela empresa e pelo governo do Estado.
No começo da noite, acatando pedido do Metrô, o presidente
do TJ decidiu suspender a liminar, mantendo o leilão para esta sexta-feira.
Manoel de Queiroz Pereira Calças argumentou, em sua decisão, que a não
realização da licitação causaria uma “violação da ordem pública”. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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