Previsto
inicialmente para fevereiro de 2018, o leilão da Norte-Sul atrasará pelo menos
três a quatro meses. Com dificuldades da estatal Valec para concluir as últimas
obras da ferrovia e questionamentos do setor privado aos cálculos de demanda
feitos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o governo agora
prevê a licitação para o fim do primeiro semestre.
Problemas –
Três problemas afetaram o cronograma divulgado originalmente – que previa o
lançamento do edital definitivo no mês passado – e ainda estão pendentes de
solução. O primeiro tem a ver com os trabalhos remanescentes no trecho entre
Ouro Verde (GO) e Estrela D’Oeste (SP), que já estão com mais de 90% de
execução física, mas enfrentam restrições orçamentárias da Valec e seguidos
bloqueios do Tribunal de Contas da União (TCU) para o pagamento às construtoras
responsáveis pelas obras.
Intenção – O
ministro dos Transportes, Maurício Quintella, já manifestou a intenção de
deixar o término das obras para a futura concessionária da ferrovia. Na
prática, entretanto, não é uma tarefa fácil: a Valec precisaria rescindir
contratos com as empreiteiras, poderia haver judicialização, um risco de
construção até agora inexistente passaria ao consórcio vencedor do leilão,
haveria queda no valor mínimo de outorga.
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Decisão –
“Tem que haver uma decisão logo sobre isso”, cobra o consultor
Bernardo Figueiredo, ex-presidente da Empresa de Planejamento e Logística
(EPL), que assessora a gigante russa RZD, uma das mais interessadas no leilão.
Preço mínimo
– O preço mínimo para a Norte-Sul foi fixado em R$ 1,6 bilhão e poderia baixar,
caso sobrem novas obrigações para o vencedor da disputa. A concessão, por prazo
de 30 anos, abrange um trecho de 1.537 quilômetros entre Porto Nacional (TO) e
Estrela D’Oeste.
Estudos de
demanda – Na lista de pendências, o segundo grande problema está relacionado
aos estudos de demanda. “Houve muita contestação dos produtores”,
afirma o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, ligado às
associações do agronegócio.
Estudos
oficiais – Os estudos oficiais indicam que as composições em direção ao Porto
de Santos (SP) devem transportar menos de 4 milhões de toneladas por ano no
primeiro quinquênio de operação. Para ele, essa estimativa está subdimensionada
e deve alcançar pelo menos 8 milhões de toneladas. “A ferrovia vai atender
à produção de Goiás, do Triângulo Mineiro e de parte do Mato Grosso do
Sul”, diz Vaz. “É preferível revisar esses estudos e atrasar o leilão
do que trabalhar com números irrealistas.”
Relevante –
Essa questão torna-se relevante para o futuro da Norte-Sul, porque ela é uma
ferrovia sem acesso direto a terminais portuários e os trens precisam passar
pela malha de outras operadoras para chegar ao litoral. E deriva daí o terceiro
problema a ser enfrentado antes do leilão: o direito de passagem dos trens por
essas outras ferrovias – como a Malha Paulista, controlada pela Rumo.
Termos
aditivos – Até agora, o governo não conseguiu fechar a negociação de termos
aditivos aos contratos de concessão das demais concessionárias que deverão
abrir seus trilhos para as composições oriundas da Norte-Sul. Na visão de
autoridades do setor, esses aditivos são necessários para dar tranquilidade a
potenciais investidores.
Discordância
– Figueiredo, que representa os russos da RZD no Brasil, discorda. Para ele, a
ANTT poderia resolver mais facilmente a pendência regulamentando o assunto por
resolução. Ex-diretor-geral da agência, o consultor acredita que bastariam
regras claras sobre um prazo para assinatura de acordos operacionais entre as
concessionárias. Se não houver acordo, o órgão regulador faria arbitragem. O
único ponto imprescindível, segundo Figueiredo, é que a quantidade de trens com
direito de passagem deve estar no contrato da Norte-Sul.
Versões
finais – Assim que chegar a uma definição sobre essas pendências, a ANTT
precisará enviar as versões finais do edital e do contrato para o Tribunal de
Contas da União (TCU). Depois de um aval do órgão de controle, a ideia é marcar
o leilão com prazo de cem s para uma análise detalhada das empresas. Há risco
de o cronograma escorregar para o segundo semestre, já em plena campanha
eleitoral.
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