33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
Vote no Prêmio RF 2026!
Faça parte do Colégio Eleitoral
Clique e Cadastre-se
revistaferroviaria.com.br

Camargo Corrêa divide comando da área de construção

Primeira
empreiteira a fechar acordo de leniência por envolvimento na Lava-Jato, ainda
em 2015, a Camargo Corrêa quer deixar o passado definitivamente para trás.
Lideranças do grupo e da empresa se debruçaram neste ano em um processo de
reorganização do negócio de construção pesada. O resultado é uma nova
configuração, composta por duas plataformas: a Construções e Comércio Camargo
Corrêa (também conhecida como CCCC, ou “4C”), investigada na Lava-Jato,
e a Camargo Corrêa Infra, nova empresa e subsidiária integral da
“4C”.

Com isso, o
grupo quer isolar sob a Construções e Comércio Camargo Corrêa as obras antigas
e as negociações firmadas com as autoridades em acordo de leniência com
Ministério Público Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade). E deixar para a Camargo Corrêa Infra “o futuro”.

Ambas as
empresas passam a ter gestão separada. Décio amaral, que chegou ao grupo no fim
de 2011, assumiu a presidência da nova companhia. À frente da “4C”
ficou Carlos Ogeda, até então diretor financeiro da empresa e com longa exCada
uma terá diretorias e conselho de administração próprios. No conselho, os
representantes serão diferentes – na nova empresa, por exemplo, o chairman nomeado
é Francisco Graziano, que é membro da terceira geração de acionistas da família
controladora, mas com histórico de atuação na área de construção do grupo.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.

Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.

Assinar agora

Quando
chegou ao grupo, oriundo da Vale, onde foi diretor-geral de carvão, Amaral
assumiu a presidência da divisão de negócio Naval e Offshore, que incluía a
participação no estaleiro EAS. Em agosto de 2015 foi para o conselho de
administração da construtora, tornando-se chairman e presidente sem setembro de
2016.

O negócio de
construção da Camargo Corrêa, diz Amaral, vai fechar o ano com uma carteira de
contratos de R$ 4,3 bilhões. Desse total, R$ 3,4 bilhões são conquistas obtidas
a partir de 2016 e já alocadas na carteira da Camargo Infra.

“Isso
mostra que nossa estratégia de reposicionamento da companhia começa a surtir
efeito”, disse Amaral, em uma das salas da sede da Camargo Corrêa Infra,
localizada em um prédio da Avenida das Nações Unidas, em São Paulo. Também
geograficamente a nova empresa se descolou da empresa-mãe, que continua na
Avenida Faria Lima.

A
“4C” continua operacional, com 4 mil funcionários, finalizando obras
em andamento e cumprindo os compromissos firmados. Mas pode ser que, no futuro,
já sem obras para realizar, se torne uma holding, adiantou o executivo.
Atualmente tem “quatro a cinco contratos em carteira”, afirmou
Amaral. “Fundamentalmente, a principal função dela é nos ajudar a virar a
página”, disse.

O resultado
financeiro da nova empresa vai para a controladora, “4C”, de maneira
que ela tenha como fazer frente a compromissos de ressarcimento. Em 2015 a
empresa fechou acordo de leniência que prevê o pagamento de quase R$ 804
milhões, em 7 anos, em valores atualizados pelo CDI.

Amaral
recusa a tese de separação do “joio do trigo”. O objetivo principal
da mudança, sustenta, é segregar a gestão para esforços diferentes, que
demandam agendas distintas. O fato de a nova empresa carregar o nome do grupo é
emblemático disso. “É justamente para ter a conexão com o passado, que nos
orgulha tanto na inovação, e nos orgulha de sermos a primeira grande empresa a
fazer colaboração. Não queremos esconder nada. Erramos e reconhecemos”,
afirmou o executivo.

O negócio de
construção registrou receita líquida de R$ 2,68 bilhões no passado,
aproximadamente 15% do total do grupo, que passou a se intitular como uma
companhia gestora de portfólio de negócios. O principal negócio do
conglomerado, fundado há quase 80 anos por Sebastião Camargo, é a cimenteira
InterCement, com mais da metade do faturamento.

“Quando
assumimos o acordo de colaboração firmamos compromisso de colaboração contínua
e vamos até o fim para virar essa página. A maneira que vimos de melhor atender
as duas agendas foi separar as operações”, disse.

Com o
intuito de “oxigenar a companhia e trazer novas visões”, Amaral
montou um time na diretoria executiva com diferentes origens, que se somam ao
DNA e expertise técnicos da Camargo. Trouxe o ex-líder de manganês da Vale,
Marcos Dantas (Comercial), Januário Dolores, da GE Hydro (Operações), Robson
Campos, ex- Wartsila (Financeiro e Novos Negócios) e Fábio Selhorst, ex- ABB,
Metso, Siemens e General Motors (Jurídico e Compliance).

A Camargo
Corrêa Infra ficou com 8 mil funcionários dos 12 mil que estavam na
“4C”.

A empresa
quer liderar a discussão de integridade e produtividade no setor. “Sem
isso a gente não vai ter participação expressiva nesse mercado”, disse
Amaral. Como empreiteiras que tradicionalmente tinham atuação majoritária em
obras públicas, a Camargo sabe que, dada a escassez fiscal dos governos, as
obras privadas terão um papel muito relevante na melhoria da infraestrutura e,
consequentemente, no portfólio da empresa.

Recente
relatório da consultoria Inter.B aponta que os investimentos em infraestrutura
no Brasil devem cair em 2017 para 1,37% do PIB, o ponto mais baixo nas últimas
cinco décadas. Em valor absoluto, é o equivalente a R$ 90,4 bilhões – muito
abaixo do mínimo necessário de 2,3% do PIB apenas para compensar a depreciação
do capital fixo per capita e manter a qualidade dos serviços. Para modernizar o
setor seria preciso investir 4,15% do PIB em duas décadas.

Por isso,
diz Amaral, é fundamental que o país tenha um ambiente regulatório estável,
regras claras e transparentes. “Isso traz duas alavancas da necessidade da
mudança na prática no setor: a sociedade não aguenta mais ver como as coisas
eram feitas; a outra é a mudança do perfil do investidor em infraestrutura, que
vai ser muito menos governo e muito mais setor privado. Aí é que surge a
oportunidade para nós”, afirmou.

O foco da
companhia será principalmente obras de infraestrutura – mobilidade urbana,
energia, rodovias, ferrovias, aeroportos, saneamento e outros – no Brasil e na
Colômbia. Levantamento feito pela consultoria Mckinsey mostrou que de 2017 a
2022 há oportunidades de projetos no Brasil no valor de US$ 455 bilhões e de
US$ 160 bilhões na Colômbia.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*