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Eldorado é avaliada pela Thornton em até R$ 11 bi

Os fundos de pensão Petros e Funcef acabam de receber uma notícia positiva a respeito de seu investimento na Eldorado Brasil Celulose. A consultoria Grant Thornton, contratada para dar uma segunda opinião sobre o valor da empresa de celulose, chegou a uma cifra mais alta do que foi obtida pela consultoria Baker Tilly no início deste ano. A nova estimativa dá argumentos para que as fundações registrem uma perda menor com o ativo em seus balanços, ao mesmo tempo em que as favorece numa eventual negociação para venda de suas participações à controladora da Eldorado, a J&F, dona da JBS.


A Grant Thornton, que entregou o resultado de seu trabalho na última quarta-feira, calculou que a empresa valia até R$ 11 bilhões ao fim de 2016, apurou o Valor. Essa cifra leva em conta a primeira e a segunda linhas de produção da empresa. Como se sabe, a primeira linha é operante, enquanto a segunda empacou e não saiu do papel até hoje por falta de financiamento. Quando considerou apenas o valor da primeira linha de produção da empresa, a consultoria chegou a R$ 5,75 bilhões, de acordo com fonte a par do assunto. Em ambos os casos, esses são preços médios da avaliação feita, que contempla um intervalo de valores.


A Baker Tilly havia chegado ao valor de R$ 4,5 bilhões, considerando-se apenas a primeira linha e cerca de R$ 8 bilhões quando incluía a segunda fábrica. Ou seja, a Grant Thornton chegou a um valor médio 28% superior para a primeira linha e foi ainda mais otimista em relação à segunda unidade, atribuindo a ela um preço 50% maior que o da Baker.


As participações de Petros, dos funcionários da Petrobras, e Funcef, dos empregados da Caixa, na Eldorado são detidas por meio do FIP Florestal, um fundo de investimento em empresas. O FIP Florestal detém 34,46% da Eldorado Brasil Celulose e tem como cotistas além das fundações, a própria J&F. Juntos, os dois fundos possuem 49,50% do FIP, o que dá a cada um deles uma fatia de 8,53% do capital total da fabricante de celulose. A J&F detém, direta e indiretamente, 80,98% da empresa.

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Agora, a corretora Planner, que administra o FIP Florestal, terá que decidir qual dos dois trabalhos considerará para a reavaliação do patrimônio do fundo, que tem de ser feita anualmente. Terá ainda que resolver se considerará apenas o valor da primeira linha ou o valor combinado de ambas. A avaliação relativa ao ano de 2015, conduzida pela Deloitte, foi a primeira que levou em conta a segunda linha e, com isso, proporcionou um resultado contábil positivo para as duas fundações. O cálculo, muito influenciado por uma cotação favorável da celulose e câmbio também positivo para a exportadora, estimou a Eldorado Celulose em R$ 18 bilhões naquele ano (sendo R$ 11 bilhões para a primeira fábrica), com valorização de 186% em relação a 2014.


A decisão da Planner é duplamente relevante. Não só porque vai definir por qual valor as duas fundações terão que reconhecer o investimento na Eldorado em suas demonstrações financeiras de 2016, impondo a elas uma perda maior ou menor, mas também porque pode balizar uma eventual venda de suas fatias acionárias à controladora J&F.


A J&F abriu negociações, em outubro, com Petros e Funcef para comprar suas ações, como parte de um acordo com o Ministério Público Federal, no âmbito de investigações de irregularidades no investimento dos fundos na companhia.


Na hipótese de levar adiante as negociações, interessa à J&F que a segunda unidade fique fora do cálculo agora, o que reduziria o preço a pagar. Já para os fundos de pensão, tanto no contexto das negociações com a J&F quanto para efeitos contábeis, interessa que se chegue a um valor maior.


A Eldorado, que sempre resistiu em admitir que a segunda linha de sua fábrica teria que ser adiada, acaba de atrasar para 2020 a entrada em produção da expansão, inicialmente prevista para 2018.


Consultada, a Planner Corretora disse que recebeu o resultado do trabalho da Grant Thornton na quarta em caráter sigiloso e não quis comentar sobre seu conteúdo. “Foi disponibilizado aos cotistas do FIP Florestal em caráter também sigiloso e não queremos falar sobre um trabalho que ainda estamos avaliando”, disse Viviane Rodrigues, diretora jurídica da corretora. Segundo Artur Figueiredo, diretor responsável pelo FIP, a equipe da Planner terá reuniões de trabalho com a Grant Thornton a partir desta semana e a expectativa é que se chegue a uma decisão sobre o valor da Eldorado dentro de 15 dias. Ele esclareceu que a Planner deve escolher o trabalho de uma das consultorias e que poderá optar ainda por um valor dentro do intervalo de preços calculado por elas, e não necessariamente o preço médio.


A J&F informou que não comentaria sobre a nova avaliação. A Petros informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que “não comenta assuntos estratégicos de seus investimentos”. A Funcef respondeu que ainda não recebeu o resultado da nova avaliação. A Brasil Plural, gestora do FIP Florestal, também não quis comentar.


Leia também: Companhia renegocia dívidas no total de R$ 6,7 bilhões

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