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Os trilhos do bom senso

No dia 23 de novembro passado durante o fórum “Ferrovia e
Integração dos Modais” em Nova Mutum foi defendida a extensão da ferrovia de
Rondonópolis até Nova Mutum, passando por Cuiabá, que já devia ser realidade a
muito tempo. No evento estiveram presentes autoridades de peso no assunto como
o governador do estado e os presidentes do BNDES, e da companhia ferroviária e
de logística brasileira (Rumo). Todos entusiasmados. O prefeito de Nova Mutum,
Adriano Pivetta, promotor do evento, é claro, esteve presente, porém foi
inquietante a ausência dos prefeitos de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis,
eles que deveriam estar entre os maiores interessados.

Enfim um passo concreto no sentido da extensão da ferrovia
em Mato Grosso, ela que parou em Rondonópolis, a meu ver por excesso de
ambições regionais divergentes que acabaram se inviabilizando uma à outra. Um
grupo queria e ainda quer a ferrovia partindo de Sinop para os portos amazônicos,
outro queria e ainda quer levar de Lucas para os litorais do Pacífico e do
Atlântico, outro levar de Água Boa para Curuçá no Pará, cada um puxando a
sardinha para seus interesses locais, sem ver o estado como um todo. Ora, se
não há recursos para viabilizar uma só dessas alternativas, quanto mais para
três? O único ponto convergente entre essas propostas era a interrupção dos
trilhos em Rondonópolis excluindo Cuiabá e Várzea Grande da malha ferroviária
brasileira como forma de enfraquecer o maior polo urbano do estado, forçando a
criação de condições geopolíticas favoráveis a uma futura nova divisão
territorial de Mato Grosso.

E assim, os trilhos ficaram parados em Rondonópolis, com o
produtor, a economia e o meio ambiente perdendo, e vidas sequeladas ou ceifadas
por uma logística defasada com a produção mato-grossense. Diante de um quadro
dramático como este como insistir no abandono de uma possível ligação de 460 Km
em ambiente já totalmente antropizado, sem xingus, araguaias ou Himalaias a
vencer, entre Nova Mutum e o maior terminal ferroviário da América Latina em
Rondonópolis? As alternativas são entre 1.000 e 1.500 km em ambientes carentes
de maiores estudos sobre impactâncias ambientais ou indígenas. Como
insistir?  Enfim o bom senso parece estar
chegando aos trilhos.

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Por certo a chegada dos trilhos a Nova Mutum não será a
solução definitiva para a logística estadual, pois Mato Grosso é um estado
centro-continental com potencial para produzir várias vezes o que já produz e
sempre demandará novos caminhos em todas as direções e em todos os modais.
Outra vantagem da priorização dessa ligação é que ela não é incompatível ou
excludente com quaisquer das propostas em discussão. Chegando os trilhos a Nova
Mutum de imediato poderão prosseguir para Lucas, Sinop e os portos amazônicos.
Ou virar a Oeste para Porto Velho, o porto do Madeira e os do Pacífico, ou
virar a Leste para Goiás passando por Água Boa e sua bifurcação para o futuro
porto de Espadarte no Pará.

Mato Grosso vai precisar de muitos caminhos para levar sua
produção e trazer o desenvolvimento para sua gente trabalhadora que não merece
continuar nesse sofrimento apesar de tão produtiva para o Brasil. A tão
prometida linha aérea para a Bolívia, por exemplo, a quantas anda? Importante
que este processo resgatado pelo governador Pedro Taques e trazido a público
pelo fórum promovido pelo prefeito Adriano Pivetta, incorpore também as
lideranças empresariais, comunitárias e políticas rondonopolitanas e do Mato
Grosso platino, em especial, de Cuiabá e Várzea Grande. Mas, de todo jeito, é
muito bom ver nossos trilhos voltarem a seguir as trilhas do bom senso.

 

Leia também: Governo
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Fonte: FolhaMax

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