Mais dependentes do mercado interno, as vendas de
importantes grupos, como a Usiminas, que enfrenta uma das maiores disputas
societárias em curso no Brasil, e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do
empresário Benjamin Steinbruch, poderão ser afetadas este ano. Os dois grupos,
altamente endividados, também colocaram ativos à venda, mas as conversas ainda
não avançaram, segundo fontes ouvidas pelo Estado.
No caso da Usiminas, que tem uma dívida bruta de R$ 7,4
bilhões (até março), há poucos ativos “líquidos” à venda: imóveis, além da
Usiminas Mecânica, de bens de capital. O Credit Suisse está com o mandato. A
expectativa, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, é que as
renegociações das dívidas deem fôlego para que a companhia possa ter mais tempo
para vender os ativos.
A CSN também anunciou no ano passado uma série de
desinvestimentos. O Bradesco BBI tem o mandado para algumas operações, como o
Terminal de Contêineres (Tecon), de Sepetiba (RJ), que teria recebido ofertas
no início do ano. A fatia da companhia na ferrovia MRS e duas usinas
hidrelétricas também foram colocadas à venda.
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Com uma dívida bruta de R$ 33,1 bilhões no primeiro
trimestre, a CSN conseguiu alongar parte de seus débitos, sobretudo com os
bancos públicos. “O grupo conseguiu empurrar os vencimentos para frente e não
tem mais tanta pressa para vender”, disse uma fonte do mercado financeiro,
criticando a postura do controlador de não vender negócios. Procurada, a CSN
não comentou o assunto.
A companhia, que é a maior acionista fora do bloco de
controle da Usiminas, também está em pé de guerra com a siderúrgica mineira. O
grupo conseguiu, com o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade), eleger dois conselheiros independentes na Usiminas, decisão que está
sendo contestada pela Nippon e Terninum/Techint, do bloco de controle da
siderúrgica mineira. A CSN terá se desfazer de suas ações na Usiminas – o prazo
imposto pelo Cade para essa venda é mantido sob sigilo.
Por causa da crise do aço, em 2015, os valores de mercado da
CSN e Usiminas recuaram 67,9% e 25,7%, respectivamente. O valor da Gerdau caiu
53,75% no período. Mas, no acumulado do ano até sexta-feira, todas ganharam
fôlego, reflexo da recuperação dos preços do minério de ferro no mercado
internacional. “O preço das ações dessas empresas estava baixo”, disse Bruno
Piagentini, da Coinvalores. O valor de mercado da CSN cresceu 126%; o da
Usiminas 61,3%, e Gerdau, 31,3%.
Crise. A recessão no Brasil deverá ter forte impacto nas
siderúrgicas, afirmou Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto de Aço
Brasil (IABr). A entidade, que já tinha feito previsões pessimistas para 2016,
revisou para baixo seus números. As vendas deverão cair 10%, para 16,3 milhões
de toneladas de aço. As exportações, com crescimento estimado em 2,3% este ano,
devem cair 5,2%.
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